segunda-feira, 6 de agosto de 2018

O triplex do povo contra o dragão do golpe

Nilson Lage

Escolhida a chapa que teremos, provavelmente, para votar em um segundo turno contra o dragão da maldade – que nome ele tenha – resta rezar para que dê certo.

A chave de “dar certo” -- unir, recompor e dar forças a este nosso país, grande e diverso --, aí, continua sendo Lula. Por vários motivos:

Haddad é um sujeito preparado e lustrado nos bancos da USP, da advocacia e da gestão pública; Manuela, moça educada, competente a apaixonada pelo em que acredita.

Ambos são só Sul e, como mostra o mapa eleitoral do último pleito e constata quem viaja, de olhos e ouvidos atentos, pelo país, há, hoje, um Brasil do Norte e um Brasil do Sul.

Haddad e Manuela foram educados para a política no contexto de um progressismo identitário que põe o meio ambiente para gerações póstumas no mesmo nível de urgência da proteína para nossas crianças carentes, o acesso da mulher a altos cargos na burocracia no mesmo plano do acesso à creche do filho da mãe operária – matriz ideológica que elide a realidade igualando entes de patamares distintos.

Há outro Brasil reclamando que se respeite a hierarquia das coisas. 

Menos instruído, menos integrado ao pensamento dos que mostram o caminho e seguram o cabresto, o Brasil que vem do mato, do cortiço e da senzala guarda sabedorias de que esses moços mal desconfiam e lealdade a um passado que não é o deles.

Lula vem daí.

O Brasil que tem sangue, cores, sons e cheiros de africano e de indígena, não nasceu em lar confortável de imigrante libanês bem sucedido ou de engenheiro e juíza itinerantes no pampa; esse está representado, nesta chapa, por quem, com certeza, jamais figurará nela.

Por isso é do peso que Lula tenha que depende o êxito da empreitada. Cabe a ele lembrar ao rapaz que ciclovia é coisa de primeiro mundo que, no terceiro, espanta as gentes, e à moça que ser mulher ou homem é um detalhe no octógono onde decorre a luta de classes.

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