sábado, 4 de agosto de 2018

Nove valentes e calados


Moisés Mendes
A entrevista com Bolsonaro foi um dos vexames do jornalismo este ano.
A gafe cometida por Miriam Leitão ontem à noite na Globo News, ao ler uma nota em que a Globo volta a se desculpar por ter apoiado a ditadura, foi o desfecho de uma sequência de erros.

Quando Bolsonaro acusa a Globo de ter colaborado com a ditadura, e cita inclusive trechos de um editorial com elogios ao golpe de 64, todos os jornalistas que o entrevistavam ficaram quietos.

Não deveriam ter ficado. Eram nove jornalistas da Globo no estúdio. Nove. Quase um time de futebol. Nenhum deles, em nenhum momento, fez o que um jornalista deve fazer em situações como aquela.

Quando Bolsonaro diz que a Globo apoiou o golpe, não era preciso que nenhum deles defendesse a Globo. Se quisessem, poderiam defender, é um direito deles.

Mas eles deveriam tentar se comportar como jornalistas. E como jornalistas deveriam ter esclarecido que o jornal O Globo (a TV ainda não existia) de fato apoiou o golpe. 

E que em agosto de 2013 o grupo dos Marinho pediu desculpas e se disse arrependido. Também em editorial.

Por que nenhum deles tomou a iniciativa de esclarecer a posição da Globo, não só para dar a resposta a Bolsonaro, mas para dar a informação aos espectadores? Porque Bolsonaro os manteve acuados.

A entrevista com Bolsonaro foi um dos vexames do jornalismo este ano. Com um detalhe: a nota lida por Miriam Leitão não esclarece que o jornal O Globo na verdade não só apoiou o golpe editorialmente, como foi cúmplice da ditadura.

(Minha observação a respeito dessa cumplicidade está em texto curto que publiquei este ano no MEU BLOG

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