sexta-feira, 20 de julho de 2018

Colocando os pingos no is


"Nossa, mas você publicou dois textos mutuamente excludentes: num o PT tem vaga garantida no segundo turno, no outro o PT nem  sequer poderá disputar a eleição presidencial, a não ser apoiando alguém discretamente?". Sim, exatamente isso. As duas possibilidades são igualmente possíveis e, acredito, igualmente desastrosas.

O PT sustentar a candidatura Lula até o fim, até a rejeição do último recurso possível, e lançar em seu lugar um candidato potencialmente forte como Haddad, Jaques Wagner ou qualquer outro vai levar,  sim, o partido ao segundo turno e, provavelmente à vitória. O problema é que essa vitória é inaceitável na ditadura em que vivemos. Seria a derrota ampla, geral e irrestrita dos golpistas. Quando foi que se viu um golpe de estado ser derrubado em algumas dezenas de meses com o retorno das vítimas ao governo?

A meganhagem de toga, farda, distintivo da PF, microfone da Globonews e similares não vai aceitar  e tem poder para isso. O Judiciário e a PF se tornaram aglomerados de gangues lutando entre si no saque do país. A mídia e os militares são profundamente antinacionais e têm laço$ fortíssimos com os EUA. Nenhum desses grupos dá a menor bola para o poder legítimo saído das urnas. O governo do PT seria derrubado de novo e, provavelmente, de forma muito mais violenta.

Se a manutenção das aparências eleitorais leva à vitória do PT e possível pinochetazo, o que aconteceria se o PT desistisse na prática da eleição por força da perseguição da meganhagem? A manutenção de uma ditadura sem legitimidade, sem projeto e sem apoio popular nenhum. A continuação da destruição total do país. A ampliação da revolta de setores da população contra o sistema, com possível repressão cada vez mais brutal.

E a saída? Não existe. A "saída" era a continuidade democrática, que provavelmente levaria agora ao governo o PSDB, só que com legitimidade. O aperfeiçoamento das instituições, o revezamento democrático de forças no governo e o progresso econômico e civilizacional eram a saída do buraco em que vivíamos. Entre 2013 e 2018 esse caminho foi fechado, provavelmente para sempre, no mínimo por décadas. Excluindo uma sucessão de eventos aleatórios, todos favoráveis, essa geração está acabada. Nada de bom sairá dessa desgraça. Os milhares de promotores, juízes, advogados, empresários, fazendeiros, pastores e agentes policiais abertamente racistas, antinacionais, profundamente ignorantes e que sonham em roubar o máximo do Brasil e depois mudar para Miami continuarão aqui por muito tempo. Talvez consigam criar uma nova geração ainda pior que essa.

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