quarta-feira, 9 de agosto de 2017

Doria atira ovos podres em Alckmin


2018: tudo indefinido, com quatro exceções
Por Rosângela Bittar, no Valor
Doria está fazendo gato e sapato de Alckmin
Os candidatos a presidente da República nas eleições de 2018 ainda estão na toca, reunindo forças, cevando uma base e um lastro. O PSDB e o PT terão candidatos próprios. Michel Temer será, no mínimo, um eleitor forte (!?!?!?) e o PMDB será disputado, pois terá a (grana da) Presidência da República. E existe uma faixa intermediária no conjunto de forças políticas em partidos médios que podem oferecer o vice ou, se se virem excluídos, disputar a Presidência. É só o que há, e é bastante, de real neste momento em matéria de sucessão. Está cedo para se tentar definições, mas está na hora de perceber que os candidatos, assim como os sujeitos das boas orações, estão ocultos e trabalhando muito, tratando de arrumar, pelo menos, sua biografia, já que dinheiro para campanha ainda exige providências legais.

É o que acontece com Geraldo Alckmin, o governador de São Paulo, e o prefeito da capital, João Doria, ambos tucanos e formalmente aliados, criador e criatura. Não é segredo, Doria está fazendo gato e sapato de Alckmin.

Não há um tucano paulista, dos bem autênticos, que não tenha uma história para contar sobre o bombardeio do prefeito contra quem imagina ser o seu adversário interno. Os interlocutores estão saindo horrorizados com a má propaganda e a baixa perspectiva que se cria para Alckmin: Doria não perde oportunidade de dizer que vem aí uma bomba, uma delação irrespondível, que esse "negócio de cunhado" é difícil... Enquanto espalha perfídias, que podem se confirmar ou não, Doria se solta pelo Brasil, não fica em São Paulo, vai abrindo picadas para sua candidatura presidencial. Dois coelhos: explode Alckmin, pavimenta a sua estrada.

Doria admite deixar o PSDB, já negocia com o DEM

Se, por ventura, Alckmin sobreviver e a bomba com que o ameaça Doria for de São João, o governador consolidará sua candidatura, vez que está posto que o candidato do PSDB é Geraldo Alckmin, sem discussão. Alckmin também não está parado, propõe prévia este ano porque o favorece e derruba Doria, provocando-o a também se inscrever. Mas se não conseguir a legenda, pergunta-se: Doria fica no PSDB?

A resposta, hoje, a uma distância de oito meses do prazo para mudança de partido, é não. João Doria estaria em avançada negociação para transferir-se para o DEM, o ex-PFL e futuro Centro Democrático (?????) que namora o prefeito paulistano, em aproximação à luz do dia, caso não consiga ser o candidato do PSDB. Apesar das formais negativas da cúpula partidária, normal em época de pré-decisões.

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Rosângela Bittar é chefe da Redação, em Brasília. Escreve às quartas-feiras

E-mail: rosangela.bittar@valor.com.br

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