quarta-feira, 22 de março de 2017

Reforma da Previdência acabou e sem ela Temer não tem mais serventia


Temer cambaleou. Não tem maioria, não tem serventia ao “mercado”
Fernando Brito

Ontem à noite se publicou aqui que havia acabado a reforma da previdência.

É o que acha até quem considera Michel Temer “bonito”, como Ricardo Noblat, que, esta madrugada, escreveu em seu blog, em O Globo, que a Reforma da Previdência subiu no telhado.

Você verão, ao longo do dia, o desânimo e a desolação com que se manifestarão os “comentaristas de mercado” de nossa grande imprensa.

Seria um erro dizer que Temer mostrou fraqueza porque “piscou” em seu duelo.

Não piscou, desmanchou e está dizendo ao Congresso que “aprove qualquer coisa aí que eu possa chamar de reforma”.

Qualquer estreante em análise política sabe que são zero as chances de qualquer governador aprovar idade mínima de 65 anos anos para seus servidores e servidoras ou de estabelecer que trabalhem 49 anos para ter benefício integral.

A única esperança de aprovação – ainda assim com mudanças – da reforma da previdência era a do argumento a que mais se agarrava o governismo: o de que valeria para todos, sem exceção, exceto talvez a dos militares, de tão óbvias que são as diferenças de regime profissional, a menos que alguém possa imaginar uma valente carga de um pelotão de sexagenários sobre o inimigo.

Este discurso, obviamente, se foi. Porque ninguém imagina que possa sobreviver um projeto que pune o trabalhador privado com mais e mais anos de trabalho sem que isso valha para todos. Se era difícil engolir o massacre generalizado, imagine o seletivo. Pior ainda será entre os servidores federais, dos quais diretamente depende o governo.

A conversa fiada de Rodrigo Maia, de que a retirada dos servidores estaduais e municipais do projeto facilita a aprovação das reformas é algo que não se sustenta.

Primeiro, porque os governadores e prefeitos de municípios que têm sistemas próprios de previdência, afundados em um mar de dificuldades financeiras, adorariam que os cortes fossem de iniciativa de Temer, o que os desoneraria de iniciativas amargas.

Segundo, porque deputado algum quer passar de algoz de trabalhadores privados, enquanto aos públicos preserva.

Terceiro, porque só põe mais lenha na fogueira que arde entre os servidores federais – inclusive e especialmente entre os de altos salários  – justamente as corporações mais organizadas e com poder de mobilização.

E que dirão, não há dúvida, a seus colegas servidores estaduais: “se passar lá, depois você não consegue barrar aqui; se não passar lá, sem chance de passar aqui”.

O Governo Temer cambaleou e será inevitável que a onda de protestos contra a reforma da Previdência não cresça nos próximos dias.

E que mingue, rapidamente, o “valor de mercado” de Temer, cuja finalidade principal, degolar direitos sociais, vai se desmanchando.

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