domingo, 12 de março de 2017

Recuo de Karnal foi motivado por possíveis perdas financeiras

Luis Felipe Miguel

Karnal retirou a foto de seu encontro com o juiz e, segundo relatos, está bloqueando quem cobra dele uma explicação. Ele perdeu alguns milhares de seguidores - não um grande estrago, mas indica que o saldo líquido de sua aventura curitibana não foi positivo - e está tentando estancar a sangria.

Como nunca acompanhei o que Karnal falava, tinha uma impressão um tanto imprecisa dele. Sabia que ele se manifestara contra o Escola Sem Partido e contra algumas arbitrariedades do brother Moro, mas não que afirmara que não era possível chamar o golpe de golpe. Mas não importa tanto, acho eu. O nicho de mercado que ele ocupava era o de guru para um público que se considera mais à esquerda. Por isso, sua noite de vinhos foi uma bola fora.

Apenas como especulação, acho que Karnal sentiu que os empresários que pagam valores muito altos por suas palestras motivacionais gostariam de vê-lo fazendo acenos mais explícitos aos novos donos do poder. O problema é que estes acenos diminuem sua legião de fãs - e, sem ela, Karnal também não é atraente como entertainer intelectual para eventos corporativos. Como se vê, o mundo não é mesmo linear.

Embora o mundo não seja linear, há momentos, na vida política, em que uma linha divisória precisa ser traçada. Estamos vivendo um desses momentos. É a linha divisória entre o golpe (e a ordem de exceção que dele emerge) e a democracia.

P.S.:


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