quarta-feira, 15 de março de 2017

Os concursados iletrados que interrogaram Lula

Luis Felipe Miguel

Entre as acusações contra Lula, aquelas lançadas por Delcídio do Amaral estão entre as mais insubstanciais. 

Ontem, ele foi depor diante de um juiz que o chamava de "seu Luiz Inácio" - quando a praxe, nos círculos do poder, é usar sempre o cargo mais alto ocupado, no caso "presidente". 

Ouviu perguntas de um procurador infantil, que queria porque queria passar um vídeo do Youtube que "provaria" que Lula controlava todas as nomeações da Petrobrás (uma fala de palanque banal, em que o ex-presidente dizia que ninguém tinha dado tanta atenção à empresa quanto ele). Teve que explicar também porque cometeu o grave crime de conversar sobre política na sede do seu instituto. Lula respondeu a tudo com calma, mas sem esconder a indignação.

E o que a Folha tem a dizer é que Lula "se preparou longamente" para o interrogatório, mas "parecia bastante nervoso". Eu não tinha notado que ele estivesse tão nervoso assim, mas a Folha explica. Ele coçou o bigode com o indicador direito. "Quem o conhece interpreta o gesto como sinal de nervosismo".

Com o perdão dos especialistas em lulogestologia da Folha, para mim, muito mais do que nervoso, Lula estava era puto. E com razão.

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