sábado, 25 de março de 2017

Como é viver numa ditadura de juízes sociopatas e meganhas corruptos

Marco Antonio Araujo 

Digamos que durante o governo Dilma, você, simpatizante do Doria, seja chamado a depor na PF, sob condução coercitiva, porque investigadores suspeitam que você é um subversivo, inimigo da nação, baseado exclusivamente em curtidas suas nos posts do Fernando Henrique Cardoso. 

Claro que essa situação é inverossímil, tanto que durante os governos petistas nenhum tucano foi preso. E não vai ser agora, né?



'Curtidas' em rede social motivaram investigação da PF sobre blogueiro
GABRIELA SÁ PESSOA DE SÃO PAULO

Curtidas em páginas ligadas à esquerda no Facebook embasaram os pedidos de quebra de sigilo telefônico dos suspeitos de vazar informações da Lava Jato para o blogueiro Eduardo Guimarães, que foi levado a depor na terça-feira (21).

Documentos da Polícia Federal sobre a investigação foram tornados públicos nesta quinta (23) após o juiz Sergio Moro determinar o fim do sigilo do caso. Eles indicam, por exemplo, que o interesse da auditora fiscal Rosicler Veigel pelas publicações do jornalista Fernando Morais no Facebook chamou a atenção dos policiais.

Reproduções de postagens em que Morais critica a Lava Jato e Moro foram anexados em seis páginas do pedido de busca e apreensão e de condução coercitiva da auditora.

Apesar de afirmar que as convicções do jornalista não tinham "qualquer pertinência" para a investigação, em dois momentos do inquérito a PF pontua que as publicações dele são "desrespeitosas" com a Lava Jato.

Segundo os investigadores, o fato de Rosicler seguir as postagens de Morais seria o indício de sua motivação ("alguma espécie de simpatia ou alinhamento à posição ideológica do ex-presidente do Brasil") para divulgar os documentos e justificou a quebra de seu sigilo telefônico.

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RECONSTITUIÇÃO

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A apuração da PF começou do lado de dentro da Lava Jato.

Primeiro passo: levantaram quais servidores tiveram acesso à decisão de quebra de sigilo de Lula entre 22 e 25 de fevereiro de 2016. Rosicler está na lista, composta por 22 servidores —são delegados, procuradores, assessores do Ministério Público e outros auditores fiscais.

Roberto Leonel de Oliveira Lima, chefe dos auditores da Receita, informou à PF que Rosicler integrava uma equipe que se dedicava exclusivamente à Lava Jato, mas não estava no núcleo de investigação contra o ex-presidente.

O pedido de quebra de sigilo de Lula já circulava dentro da Lava Jato meses antes, desde o final de 2015, sem que houvesse vazamentos. A PF identificou que apenas dois servidores o viram somente em fevereiro de 2016: Rosicler e Paulo Marcelo Pizorusso dos Santos, também auditor.

Eis que as preferências da servidora no Facebook entraram na investigação e a transformaram em suspeita.

'RADICAL POLÍTICO'

Segundo passo: a polícia analisou os telefonemas feitos por Rosicler de 23 a 24 de fevereiro.

Neste último dia, ela ligou três vezes para Francisco Duarte, entre as 20h17 e as 20h19. Ele se declara jornalista e havia conhecido Rosicler em janeiro durante uma viagem de avião, segundo a investigação.

Terceiro passo: em visita à página de Duarte no Facebook, a PF traça seu perfil como o de um "radical político".

Os indícios, anexados ao inquérito: curtia páginas ligadas à esquerda, como a da deputada Jandira Feghali (PC do B-RJ), a do senador Lindbergh Farias (PT-RJ), a de Fernando Haddad (PT-SP) e, também, a de Fernando Morais. Além do "Blog da Cidadania", de Guimarães —o que levantou a suspeita de que teria vínculos com o blogueiro.

Trecho de representação da PF à Justiça que destaca atividade de Francisco Duarte no Facebook
Lima conta que a auditora recebeu a decisão por e-mail no dia 24 de fevereiro, em um arquivo em formato pdf, um dia depois de o arquivo chegar ao prédio digitalizado em um pen drive.

A PF também anexa reproduções de postagens de Duarte "ofensivas", em que ele se refere à Lava Jato como "milícia-tarefa de Sergio Moro".

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