quinta-feira, 23 de março de 2017

A bosta de país em que vivemos e, em breve, morreremos

Fernando Horta

Deixa ver se entendi ...

Então temos no Brasil uma esquerda que se diz "de verdade" e que não aceita o resto da esquerda.

Temos partidos de esquerda pedindo ao resto "autocrítica", do alto de seus cinco filiados e seis correntes internas.

Temos as feministas que não se juntam com os "esquerdo-machos" porque afinal as diferenças me definem e as semelhanças me oprimem.

Temos o pessoal dos "direitos humanos" que não se importam com a história da "mais-valia" porque isto é coisa "antiga" e ultrapassada e o mundo evoluiu.

Temos os trabalhistas que denunciam o "populismo" (???) pedem "renovação de lideranças". Por isto também não se juntam ...

Temos uns "intelectuais" de esquerda que adoram culpar o tal "pobre de direita" por tudo, como se pobre pudesse se dar ao luxo de ter viés político.

Temos os "intelectuais" que não aceitam que se defenda o emprego porque afinal isto é defender a oligarquia e o imperialismo, e eles "riem" dos que fazem isto, no Facebook, claro.

Temos a esquerda "política" que defende uma certa concertação com partidos golpistas para não perder "cargos na mesa" ou "cargos de confiança" que servem para "fortalecer o partido".

Temos uma parte da comunidade negra que não aceita o uso de "símbolos" culturais por causa da tal "apropriação" e por isto não marcham junto com brancos afinal "temos problemas muito diferentes e cada um com a sua luta".

Temos sindicalista que se preocupa só em ganhar eleição para o sindicato. Se a justiça der multa pela greve ele se apavora e pede para todo mundo parar. Na próxima eleição faz conchavo para se manter no "sindicato", com o mínimo de política, por favor.

Temos professor que acha bom a terceirização, até usa Uber, porque afinal o importante é o "livre mercado", mas quando passam lei admitindo o "notório saber" aí se emputece. Não faz greve porque "não quer repor aula em janeiro, afinal quando irei para praia?"

Temos o pessoal do campo que é morto que nem mosca, apanha mais que carne fraca e ninguém se preocupa porque eles "não tem consciência de classe" ...

Depois de tudo isto você vem perguntar porque não se consegue resistir ao golpe e aos desmanches?
nunca houve, na história, movimento social que enfatizasse o que nos separa e não o que nos une.

Enquanto ficam se "empoderando" e se "co-constituindo", demarcando seus "espaços da fala" e questionando as "legitimidades epistemológicas" somos todos aniquilados.

Nos convenceram que somos um monte de "minorias" cada uma delas com seus problemas ... e não vemos que somos absoluta maioria sofrendo todos com os mesmos problemas.

Um comentário :

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