segunda-feira, 5 de dezembro de 2016

O direito à vida

Luis Felipe Miguel

É preciso que fique claro: a questão não é, nunca foi, quando se inicia a vida. A questão é quando se inicia a humanidade. É a humanidade, não a vida, que costuma ser considerada inviolável pelas culturas humanas.

Quando começa a humanidade? Culturalistas podem responder que é quando se dão os rituais da incorporação do novo ser ao mundo humano - por exemplo, com a atribuição de um nome próprio. Cientificistas vão apontar a conclusão do sistema nervoso central. Psicólogos podem pensar na formação do "eu" como identidade pessoal. Filósofos vão falar na capacidade de estabelecer a própria vida como projeto. São muitas concepções diversas. Nenhuma delas indica a fecundação do óvulo como esse momento.

Damos valor à humanidade porque ela nos credencia a agirmos como seres autônomos. É essa autonomia, isto é, o reconhecimento da humanidade da mulher, que o direito ao aborto protege.

Então, a não ser que você seja jainista, pare de falar em "direito à vida desde a concepção". E, antes de ver uma alma imortal na imagem, saiba que se trata do embrião de um cavalo.

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