segunda-feira, 24 de setembro de 2018

É incrível que o Brasil tenha chegado a esse ponto

Carlos Motta

Um sujeito que faz uma campanha eleitoral do nível dessa do nazifascista não pode ser chamado de político ou algo sequer distante dessa classificação. Ele e todos seus apoiadores são simplesmente seres abjetos, homúnculos, o lixo da humanidade.

Acompanho política há mais de meio século, votei pela primeira há mais de 40 anos, e nunca vi tantos escrotos, bandidos, corruptos, ignorantes e idiotas reunidos em torno de uma candidatura - certamente porque o seu líder é exatamente igual a eles.

É incrível que o Brasil tenha chegado a esse ponto, de temer a eleição desse vazio intelectual e moral com fortes traços de psicopatia.

domingo, 23 de setembro de 2018

O capitão, o general e o cavalo

Bob Fernandes

O general, vice do capitão, disse ao Estadão que “O Brasil é um cavalo que precisa de um ginete...”.
E já basta isso pra tudo ter sido dito sobre o capitão, o general. E o cavalo.

O imperialismo religioso do lulismo


Claudio Guedes

A roda que não rodou & o polo que desandou

(bastidores do processo eleitoral)

No início do ano, um movimento articulado por intelectuais e políticos muito próximos ao PSDB e ao PPS, intuindo o provável fracasso dos tucanos no processo eleitoral, buscou a constituição de um polo centrista (sic) reformista e democrático. Fizeram articulações, lançaram documentos e alguns atos que juntaram FHC, Roberto Freire, Paulo Hartung, Rose de Freitas e outros. Entre os intelectuais ligados ao movimento estão Marco Aurélio Nogueira, Alberto Aggio e Hubert Álqueres.

O objetivo era, mais uma vez, com a desculpa de evitar soluções extremadas para o país, enfiar goela abaixo de incautos e ingênuos a candidatura do ex-governador Geraldo Alckmin, o tucano da vez, agora em novo figurino, não mais de social-democrata mas de centrista equilibrado.

Os intelectuais em torno do movimento são os mesmos que nas eleições passadas, nas quatro últimas, se moveram e lançaram manifestos de apoio ao tucano escalado para a disputa. Em 2014, foi um manifesto patético de apoio ao corrupto e moleque Aécio Neves, então presidenciável do PSDB.

Este ano, remaram, remaram, e acabaram na praia desolada onde jaz a quase carcaça de um suntuoso veleiro, com o casco perfurado, onde hipocrisia, empulhação e oportunismo tremulam como bandeiras amareladas nos mastros apodrecidos.

Ontem, 22/09, no Estadão, uma das lideranças intelectuais do movimento, o professor titular de ciência política da UNESP/SP, Marco Aurélio Nogueira, escreve um necrológico da política nacional e brada: incompetência geral!

Sim, sobrou para todo mundo. O fracasso do polo/roda democrática e da sua estratégia malsucedida para hegemonizar o processo eleitoral, virou incompetência geral.

Algumas verdades, muitas inverdades e muita imaginação, uma sopa farta de palavras, para não enfrentar as questões realmente crucias da atual conjuntura política.

Para o PT sobraram as palavras de ordem de sempre, com pelo menos uma inovação: o ressurgimento do partido seria obra do "imperialismo religioso do lulismo" que se junta à velha catilinária da "mitificação popular de Lula".

Hehehe!

Já vi de tudo contra o PT - partido do qual não faço parte, nem nunca fiz - mas essa de "imperialismo religioso" é novidade. Bom, ganha uma viagem à Bahia, com passagens pagas e direito a uma casquinha de sorvete de coco na Ribeira, quem me explicar o que significa. 

Quanto à "mitificação popular de Lula", não seria mais fácil e honesto simplesmente reconhecer que Lula possui uma identificação enorme junto à população mais pobre e às regiões mais carentes do país por causa dos programas de inclusão social concebidos e efetivados nos seus governos? Qual a dificuldade de um mestre em ciência política reconhecer este fato objetivo da realidade?

Na crítica dura ao PT, diz Marco Aurélio que o partido se perdeu “inebriado pelo desejo de vingança” e “pela pretensão de comandar com mão-de-ferro o campo progressista”? Essa coisa de desejo de vingança parece mais eco de novela mexicana, o que talvez esteja no radar das tardes solitárias do professor. E onde viu Marco Aurélio a pretensão do PT em comandar o campo progressista? Não vi, de real, nada que denunciasse tal desejo, muito pelo contrário. O PT, de forma apropriada, apenas usou o seu direito democrático de indicar um candidato próprio às eleições presidenciais. Direito respaldado no fato provado de que é o partido de preferência de 25% do eleitorado brasileiro, sendo de longe o maior partido nacional em termos de filiados ativos e um dos maiores - é a maior bancada na Câmara dos Deputados - em número de parlamentares. Não imagino porque este conjunto de fatos, tão objetivo, possa passar despercebido de um professor de ciência política. Então um partido com tal envergadura não possui o direito de disputar as eleições com representante próprio? Por que não?

Mais adiante, ao tratar a questão Bolsonaro, lemos a seguinte afirmação "candidatura pouco qualificada e alinhada com a autocracia regressiva". Que beleza. Então o ex-capitão, um misógino, truculento, autoritário, defensor da tortura e de torturadores é generosamente tratado como uma "candidatura pouco qualificada"? Sei. Que padrão.

Aliás padrão que se repete ao comparar Bolsonaro com Haddad: para o mestre, "não são equivalentes", um é autoritário o outro não é, mas ambos "estão atados por um mesmo tipo de cegueira e fanatismo". Haddad cego e fanático? O professor pode odiar o PT, Lula e petistas, mas deveria ser um pouco mais rigoroso ao avaliar um colega, um professor, um doutor pela USP, qualificado, que foi um dos grandes ministros da educação do país e um bom prefeito de São Paulo. Onde, nos altos cargos públicos que ocupou, durante onze (11) anos - sete (7) como ministro da educação e quatro (4) dirigindo a maior cidade do país, uma das maiores do mundo -, Haddad demonstrou fanatismo e cegueira? O professor não cita um único exemplo. Fica na acusação leviana. Qual a aderência à realidade da avaliação de Marco Aurélio sobre Fernando Haddad? Nenhuma.

O professor afirma ainda, em bom som - como gostam os donos do jornal para o qual escreve - que Haddad não critica os "esquemas de corrupção associados ao modo lulista de governar". Afirmação vulgar. Os esquemas de financiamento de partidos e eleições, que vigoraram no período petista, eram os mesmo que levaram o PSDB ao governo central alguns anos antes e que mantiveram a longa hegemonia, de mais de 20 anos, dos tucanos no Estado de São Paulo - recursos repassados por empreiteiros e fornecedores do estado. Os mesmos que financiaram as campanhas de todos os grandes partidos que, nos últimos 30 anos pelo menos, disputaram o poder no país. O "modo" lulista de governar, como hoje é reconhecido até por adversários duros do PT, reforçou e deu liberdade à atuação dos orgãos de fiscalização do Estado, além de autonomia à Policia Federal e ao Ministério Público para investigarem denúncias de corrupção de agentes públicos.

Para Marco Aurélio chegamos ao esgotamento de uma época democrática. Todos são culpados por esta situação. As vítimas e os algozes. Nenhuma palavra sobre a liberdade política e os avanços enormes nos costumes e na defesa das minorias conquistadas nos governos petistas. Nada. Nenhuma palavra sobre a violência do impeachment farsesco de uma presidente da República eleita pelo voto popular. Nenhuma palavra sobre o processo judicial contra o ex-presidente Lula, marcado por controvérsias, ações do juízo e do MP em flagrante desrespeito ao CPP & às leis e com tramitação com prazos singulares e destoantes, a indicar um tratamento "especial" ao então réu. Nada.

Todos são culpados. Os perseguidos, os linchados pela mídia conservadora, os que sofrem o peso draconiano de uma justiça parcial e politizada e os que se beneficiaram dessa situação. Todos igualmente culpados.

Por fim, como não poderia ser, vaticina o emérito professor, na sua peroração: "a sociedade abandonou os políticos à própria sorte e os políticos, sem apoio social e sem partidos dignos do nome, perderam as referências". Talvez o professor é que tenha abandonado a ciência e tenha virado as costas para o mundo real. O líder petista preso, enjaulado, em decorrência de um processo onde farsa e parcialidade se juntaram, não parece ter sido abandonado pela sociedade. Esta demonstrou, em inúmeras pesquisas, que o elegeria para comandar o país no próximo quadriênio se solto estivesse. E o Partido dos Trabalhadores (PT), hoje com mais de 2 milhões de filiados e com a preferência explícita de 1/4 do eleitorado brasileiro, não é um partido digno de nome? O que é um partido digno de nome para o ilustre docente?

Marco Aurélio Nogueira, do alto de sua cátedra de ciência política, não se permite enxergar essa realidade. E o cego é Fernando Haddad.

O que só o PT tem


Irajá Menezes

O que nós estamos podendo presenciar nas incessantes atualizações das fotos de campanha de Manu + Haddad, Dilma e outras figuras determinantes do PT é a gigantesca capilaridade do partido. Em 2014, lembro da reportagem que descrevia as equipes de Marina Silva imobilizadas nos últimos dias antes da eleição porque não tinham... santinho pra distribuir. Não era falta de dinheiro. Era falta de estrutura partidária. É essa mesma precariedade-a-ser-enfrentada que levou Ciro Gomes a se enamorar do Centrão, pouco mais de um ou dois meses atrás, e que agora o obriga a fazer discursos em lugares tão improvisados que nem tem onde colocar direito os pés. 

Mais de 100 milhões de brasileiros irão às urnas dentro de 15 dias. Passa pro segundo turno quem espalhar com mais competência sua 'imagem' (no mais amplo sentido do termo). E ter filiados e diretórios é fundamental para levar a tarefa a cabo. Certa porcentagem de bravata todo candidato tem direito a usar. Mas ganha quem tem mais alcance. E, claro, não queimou todas as pontes (do passado e para o futuro, como o consórcio PMDB + PSDB).

P.S. Bonosauro padece da mesma falta de estrutura. É, no fundo, um isolado. A força (bruta) das oligarquias está apenas provisoriamente colocada ao seu dispor. Pode sumir num piscar de olhos.

Palavra de milico

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Documentos mostram que Ciro Gomes, quando era estudante, defendeu anistia de torturadores

O hoje candidato à Presidência foi monitorado por órgãos de inteligência das Forças Armadas durante e após a ditadura. Nos documentos, constava apoio do político, então estudante, a movimento de direita
Órgãos de inteligência das Forças Armadas monitoraram o candidato à Presidência da República Ciro Gomes (PDT) durante e após o fim do regime militar. Em documentos, o político, então estudante, aparece contra o julgamento de torturadores do período durante encontro estudantil. Também é citado quando ele foi preso em 1979 durante greve em Fortaleza. Dados são de fichas armazenadas pelo extinto SNI (Serviço Nacional de Informações), criado em 1964 e extinto em 1990).

Conforme o portal Uol, que teve acesso aos documentos no Arquivo Nacional, há informações do período em que Ciro foi militante estudantil, deputado estadual e concorreu ao cargo de prefeito de Fortaleza (CE). Em 7 de agosto de 1979, consta arquivos sobre uma greve de motoristas e trocadores de ônibus da capital cearense ocorrida em junho daquele ano. Ciro aparece em uma lista de 12 estudantes que foram detidos pela Polícia Militar e definidos como “esquerdistas”.

                                                              (Foto: Arquivo Nacional)

Três meses depois, Ciro Gomes foi a São Paulo para participar do 1º Encontro Nacional dos Estudantes Não-Alinhados, onde estudantes ligados à direita e críticos às lideranças de esquerda estavam reunidos. No documento produzido pelo Cisa-RJ (Centro de Informações da Aeronáutica do Rio de Janeiro) sobre a ocasião, constam propostas de participantes. Ciro aparece defendendo a anistia dos torturadores por não haver “documentação legal que comprove os crimes de repressão”. "O estudante CIRO FERREIRA GOMES considerou que deveria ser esquecida a ideia de julgamento de torturadores", consta no documento. 

No documento, Ciro parece aos militares estar preocupado com um endurecimento do regime. "Que a expressão 'punição dos torturadores' era por julgamento sumário e não se pretendia isso, e sim o julgamento dos torturadores; mas que essa composição poderia dar à ditadura uma ideia de revanchismo, o que poderia endurecer ainda mais o regime”, teria dito na ocasião. Para o caso, o estudante defendeu a "Anistia Ampla, Geral e Irrestrita". 

Os arquivos também mostram Ciro durante as eleições para a Prefeitura de Fortaleza. Para os militares, Ciro recebeu total apoio do então governador Tasso Jereissati, que não mediu esforços em "usar a máquina administrativa do estado e seu prestígio pessoal e político em favor" de Ciro Gomes. Ligado à direita, o primeiro partido de Ciro foi o PDS, advindo da Arena. 

O POVO Online tentou entrar em contato com a assessoria do candidato com questionamentos sobre o caso. Não teve, no entanto, ligações atendidas. 

Redação O POVO Online

Contagem de votos


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Programa de Alckmin na TV é criminoso


Leonardo Valente

O programa do PSDB no horário eleitoral gratuito de hoje, com a Venezuela como tema central, é criminoso, é covarde, dos piores que já vi na vida. Em nome do equilíbrio, conseguem ser mais radicais que todos os demais. Um programa de terror, de medo, de desrespeito. Não deveria estranhar, os tucanos tem culpa enorme em tudo o que passamos, culpa gigante, e para conseguirem o poder adotam qualquer tipo de estratégia. Que morte horrível.

Um é o outro


Janio de Freitas

Líder nas pesquisas para o governo de Minas, o senador Antonio Anastasia não quer proximidade nem nominal com Aécio Neves. A excelente reportagem de Thais Bilenky sobre Aécio e sua candidatura, não mais que a deputado, explica que o esquisito slogan “Anastasia é Anastasia” pretende ser resposta à associação de “Anastasia a Aécio como goiabada a queijo”, da campanha petista. 

Aécio inventou-o e o criou. Até a candidatura foi imposta por Aécio a Anastasia, que não queria deixar o Senado.

Como governador, está previsto para Antonio Anastasia um papel relevante nos processos de Aécio e sua irmã Andréa Neves, sobre extorsões a Joesley Batista. 

Estratégia eleitoral da direita fracassa em nível mundial

Elias Machado

A fórmula de polarização entre candidaturas consideradas extremistas para tentar construir uma alternativa menos temerária e capaz de obrigar a maioria a votar no menos pior, que na verdade representa os interesses do establishment travestido de novidade, nada tem de novo se analisarmos as últimas eleições nos Estados Unidos, na Alemanha, na França, na Espanha e no Brasil. A diferença é que o único caso em que a estratégia funcionou parece ter sido a França em que Jean-Luc Mélenchon, do movimento Esquerda Insubmissa sequer passou para o segundo turno, tendo os franceses que optarem entre o candidato da direita financeira, Emmanuel Macron e Marine Le Pen, da extrema direita. 

No caso dos Estados Unidos o establishment  pensava que postos a eleger entre Hillary Clinton e Trump a escolhida seria a candidata Democrata. Como se viu, não funcionou. Na Alemanha, tampouco funcionou porque Merkel não fez a maioria e pela primeira vez desde a Segunda Guerra Mundial, o partido que reivindica o Nazismo, de extrema direita, conseguiu representação no Parlamento e é hoje a principal força política de oposição ao Governo de Coalizão formado pela direita cristã com os sociais democratas. 

Na Espanha funcionou mais ou menos porque o crescimento de Podemos, mais a esquerda do PSOE e do Ciudadanos, mais a direita do PP, acabou não impedindo o PP de ganhar as últimas eleições gerais. E hoje o PSOE, que de novo não tem nada, de centro-esquerda, governa em minoria com o apoio de Podemos, de esquerda, e dos partidos nacionalistas, em sua maioria, de direita ou de centro-esquerda, com exceção de Bildu, Marea e Esquerda Republicana que são de esquerda. A polarização entre extremos funcionou bem na Espanha apenas na Catalunha, mas no sentido totalmente oposto ao imaginado pelos estrategistas do establishment porque beneficiou aos partidos independentistas. 

E, no Brasil, ao que tudo indica, é que não vai funcionar mesmo. O candidato dos banqueiros, que tinha como prioridade vender o que restou do Brasil, nem deu sinal de sua existência. Marina parece que tampouco vai a lugar nenhum. O PT, que era para ser varrido do mapa na cabeça dos estrategistas da polarização deve sair muito fortalecido das eleições. E, diante do previsível fracasso dos candidatos do MDB e do PSDB, parece que o eleitorado vai ter que optar por um dos extremos que estão polarizando, quando, na verdade, a maioria sabe - a exceção são os apoiadores da extrema direita, que são a minoria - que de extremo o PT e Haddad não tem nada, como ficou demonstrado em mais de 13 anos de governos...Logo, a tendência é que, salvo alguma surpresa na reta final deste primeiro turno, no caso brasileiro, o plano dos estrategistas da direita golpista tem tudo para dar errado...

Sem garantia

Janio de Freitas

A garantia dada pelo ministro da Defesa, general Silva e Luna, de que os militares respeitarão o resultado eleitoral, e o governo dele resultante, recompõe o clima abalado pelas referências do comandante do Exército a possíveis questionamentos à eleição. 

A verdade é que não há quem possa dar tal garantia. Em qualquer lugar ou tempo, a garantia provém, ou não, da cultura cívica e da maturidade institucional alcançadas pela comunidade militar. São valores sujeitos a variações e de aferição nem sempre fácil. Em que nível estão aqui, não se sabe.

As palavras do comandante Eduardo Villas Bôas foram logo interpretadas como referência a riscos de ação militar em razão do resultado eleitoral. A dedução não foi estapafúrdia. Nem segura. A falta de clareza do que foi dito e por que foi dito, deficiência agravada por se tratar de tema tóxico, permitia mais interpretações. E mesmo a simples impossibilidade de entender alguma coisa ali. Ainda mais, tendo como fundo um país repleto de conturbações e, no entanto, sem manifestações militares mais significativas do que as insignificantes meias frases de um general Mourão, passaportes para a sua reforma.

Daí não se conclui a inexistência de risco golpista. O apoio a Bolsonaro nas classes de mais alta remuneração, como constatado pelo Datafolha, indica que a um movimento golpista não faltaria nem sequer a adesão civil tradicional. Mas não se sabe como está a caserna. O perceptível é que, não havendo garantia contra o golpismo, também não há (ainda?) o ambiente de golpe, o cheiro de enxofre e desgraça que empesteia o ar. A menos que se chegue muito perto de Bolsonaro e seu pelotão de acólitos.

#Eletambémnão


Ayrton Centeno

De longe, a campanha de Alckmin na TV é a mais escrota dos últimos tempos. Não tem pra ninguém.Como alguém que ajudou a dar o golpe, que colocou Temers, Geddéis, Moreiras, Padilhas e quetais na boca do cofre, que pertence ao partido que deu o golpe, tornou-se base do golpe e municiou o ministério do golpe com alguns de seus quadros mais notórios – Serra, Aloísio Nunes, Alexandre Moraes etc – pode se apresentar como oposição ao governo Temer? É uma aposta na burrice do eleitor – certo, às vezes, o eleitor engole coisas inacreditáveis, mas essa é demais. É a mais desonesta campanha de todas. #Eletambém não.

Sousa, Paraíba


Sousa é um município brasileiro localizado no interior do estado da Paraíba, com 69 mil habitantes

Insultante


Janio de Freitas

O procurador Carlos Fernando dos Santos Lima deixa agora a infantaria curitibana da Lava Jato, transferido para São Paulo, “porque se aposentará em janeiro”. 

Porta-voz do grupo, produtor de inúmeras manchetes desmoralizantes, Santos Lima foi submetido a questionamentos no Ministério Público por insultos ao Supremo Tribunal Federal e a Gilmar Mendes. Está destinado a usufruir, com apenas 54 anos, a desobrigação de trabalhar e a remuneração integral de procurador, em torno de R$ 30 mil.

Ciromínions


Claudio Guedes

Ciro

É um bom político. Tem uma vida coerente de luta pelo que acredita. Talvez seja um dos sociais-democratas mais lúcidos do país.

Mas seus seguidores, meu deus. A quantidade de cretinos e imbecis é realmente impressionante.

Em vez de fazer campanha para seu candidato e explorar seus pontos fortes - que são vários - ficam escrachando Fernando Haddad e o PT, com críticas e baixarias sem qualquer aderência à realidade.

Quanta gente medíocre. Quanta pobreza intelectual.

Ciro não merece.

Entrevista com Ana Estela Haddad, professora universitária e esposa de Fernando Haddad

sábado, 22 de setembro de 2018

Nasce um presidente


Por Mauricio Dias
Fernando Haddad transmite uma impressão de serenidade e de traquejo, inclusive diante da mídia. E de total lealdade a Lula
Embora haja muitas certezas, sustentadas não só pelas pesquisas eleitorais, mas também por razões políticas, Fernando Haddad tornou-se candidato do Partido dos Trabalhadores e ultrapassará, mais cedo do que se pensa, o porcentual de intenção de votos dado a Jair Bolsonaro, o mais direto dos adversários dele.

Há, de fato, possibilidade de riscos, não muito longe da premonição anunciada pelas cartas do baralho ou pela leitura de mãos. Estão excetuados, nestas afirmações, os casos de hecatombes. Ou mesmo de facadas cruéis, condenáveis
e inesperadas.

A coragem do ex-presidente Lula, somada à paciência, sutileza, e garra de Haddad, permite dizer que nasceu um novo presidente. Com perfil diferente, porém fiel às circunstâncias do projeto de esquerda-centro montado por Lula desde o primeiro governo.

O ex-presidente não elegeu um poste como provocam adversários atropelados pelas circunstâncias.
Desponta, sim, um novo presidente. De esquerda. Haddad tropeçou nos primeiros dias. Principalmente quando enfrentou a malandragem da mídia.

Ou seja, quando ainda não tinha certeza do resultado costurado no Judiciário. Tranquilo, portou-se como um vice-presidente na chapa petista. Com toda a lealdade. O provável futuro presidente, é a minha esperança, não haverá de ser um conciliador sem adaptação às mudanças políticas do tempo.

Creio que, talvez, leitor de Raymundo Faoro, saiba das consequências de se entregar a conciliação.
Dentro dela há conflitos perigosos. Silva Jardim, um dos mais importantes políticos durante a luta republicana, sofreu com isso. Bateu de frente com Quintino Bocaiúva, que armava uma saída conciliatória do Segundo Reinado para a República. Bobeou e perdeu. 

Jardim já alertava para isso. Advertiu: “Você não criará a República, e sim o Terceiro Reinado”. Perdeu também. Iludido, partiu de navio para a Itália e, dizem, atirou-se no Vesúvio. Haddad enfrentou com muita paciência as entrevistas, em que, em alguma delas, sofria agressões e também, em certos casos, pressões naturais impostas pelos repórteres.

Afirmou, com a serenidade de um chefe de Estado, que os militares estão subordinados ao presidente. Haddad mandará. E as reações da mídia? Não fugiu da pergunta. “Sou a favor de que não haja excesso de concentração de propriedade. Sobretudo propriedade cruzada”, considerou, com tranquilidade.

Ele terminou a explicação com um bico na canela: “A legislação proíbe caciques regionais, que mandam em tudo”. Os caciques, no caso, são também conhecidos. 

Civilização ou barbárie

Miguel Nicolelis

Depois de permitir o maior tiro no próprio pé, o maior ato de autofagia na história recente das democracias ocidentais, a sociedade brasileira tem a chance derradeira de renunciar ao apelo anti-civilizatório do fascismo e optar decisivamente pela soberania e democracia do Brasil.

Por todos os cantos do mundo que eu passei nos últimos meses, o entendimento é muito claro: nesta eleição brasileira trava-se uma batalha épica entre a viabilidade da nossa democracia ou o mergulho na barbárie total. Na realidade, trata-se de um plebiscito; o maior de toda nossa história.

Haddad e Manu param o Recife



A triste realidade brasileira


Gaúchos não aprenderam nada com a história


Claudio Guedes

Não aprenderam nada

Vejo, com imensa tristeza, as pesquisas de voto no Rio Grande do Sul.

Lá, o ex-capitão do exército, um político sem qualidades, continua na liderança das preferências para o pleito presidencial.

Por quê?

Certamente não é fácil responder a essa pergunta. Um estado complexo, com intensa atividade política, alto índice de escolarização e que foi palco, ao longo da história, de disputas aguerridas e sangrentas.

Mas um aspecto desta preferência hoje chama a minha atenção. O RS é, dos grandes estados, um dos mais novos da federação, em termos de ocupação e desenvolvimento. Sua povoação deve-se, em muito, a intensa imigração de povos da Centro-Europa, em particular, os alemães e italianos, no final do século XIX e início do século XX. Foram milhares de imigrantes que lá chegaram para ocupar as colônias. Vinham fugindo da fome, de regimes de intensa exploração dos mais pobres que no campo viviam e de guerras.

Não sei precisar exatamente, mas creio que pelo menos 2/3 das famílias que hoje vivem no estado possuem uma ligação direta ou colateral com os imigrantes europeus.

Pessoas descendentes e alguns ainda vivos - os que nasceram no final da década de 20 e os nascidos entre 30 e 40 do século passado - que sabem ou assistiram o que significou o fascismo e o nazismo para as suas famílias e para a pátria natal de seus ascendentes.

O horror!

Pessoas que viram ou que tiveram conhecimento - a partir de relatos de familiares que por lá ficaram - das perseguições, das mortes e da destruição de grande parte do continente europeu e, em particular, a ruína da Alemanha e de boa parte da Itália, devastadas ao final da Segunda Grande Guerra.

Hoje em segurança, ocupando grande parte do RS com suas fazendas, plantações, colônias e integrados no estado - que os acolheu de forma tão generosa e onde seus filhos e netos progrediram -, pensam em apoiar um político desqualificado, truculento e fascista? Um homem que prega a violência?

Não é possível!

Não.

Não é possível.

Peço desculpas, mas ouso afirmar, meus caros amigos e cidadãos gaúchos que manifestam essa preferência, vocês nada aprenderam com a história.

Nada aprenderam.

E faço essa intervenção, não como baiano metido no assunto de outro estado. Sou descendente de gaúchos, pelo lado da minha bisavó, Júlia Marques Porto. Casado com uma gaúcha, tenho uma filha nascida em Porto Alegre, onde também temos residência.

Adoro o Rio Grande do Sul e lhes digo: o estado não merece aparecer para o resto do Brasil e para o mundo como uma terra que acolhe fascistas.

É preciso, no mínimo, dar atenção à lição da história e com ela aprender alguma coisa.

Como o Rio Grande do Sul tornou-se a República do Relho?


Moisés Mendes

O ESTADO QUE FICOU REAÇA

A pergunta recorrente nas esquerdas é esta: como o Estado que elegeu Collares e Olívio para o governo está cada vez mais sob a ameaça de uma duradoura hegemonia da direita?

A resposta não é a perplexidade. O Estado que elegeu Alceu Collares e Olívio Dutra não existe mais. Collares foi eleito em 1990. Olívio, em 1998.

Uma criança com 10 anos, quando os gaúchos elegeram seu primeiro governador negro, é hoje um homem com 38 anos. Um adolescente, quando o PT chegou ao poder, também é agora quase quarentão.

Os filhos e os netos dos eleitores de Collares e Olívio podem não ter nenhuma conexão política com seus pais e avós. Em muitas famílias, são seus opostos.

Assim como a classe média que deu lastro ao PT talvez não exista mais. Existem os sobreviventes, mas a classe média que ergueu as trincheiras da distribuição de renda, do ambientalismo, dos direitos humanos e das grandes questões da esquerda não se renova com a mesma potência e as mesmas ambições.

A nova classe média jovem é a das lutas identitárias (questões de ‘raça’, gênero, costumes etc) e aí, sabe-se, misturam-se centros, esquerdas e direitas. Tanto que muitos jovens, e não são poucos, que defendem a liberação da maconha votam em Bolsonaro.

Foram-se para o ralo o debate e as ações envolvendo classes e utopias. A esquerda se fragmentou, e os partidos perderam expressão.

Mas a direita ainda faz política do jeito antigo. É nesse contexto que se fortalece o discurso da república do relho. Regredimos ao século 19.

Como esperar uma reversão nesse ambiente de direitismos que também estimulam fascismos?

Eu torço apenas para que os jovens voltem a pensar e agir como jovens, que os pobres não pensem como os ricos e que as mulheres não votem em quem as deprecia e humilha. Mas não é tão simples assim.

A dimensão do sentimento antigolpista

Comício Haddad e Décio Lima em Florianópolis. Foto de Ricardo Stuckert

Elias Machado

Se as sondagens eleitorais estiverem corretas em Santa Catarina - o que é sempre uma incógnita considerando-se os costumeiros erros grosseiros dos institutos de opinião no Brasil - o caso catarinense revela a dimensão de como o sentimento de que houve um golpe parlamentar contra a vontade do eleitorado pode vir a favorecer o PT e seus candidatos. Nas últimas eleições, o PT elegeu somente 2 deputados federais de uma bancada de 16, um deles Décio Lima, que é o atual candidato ao governo do Estado. 

E não é que, em um dos estados mais conservadores do país, Décio Lima, um ex-prefeito de Blumenau, aparece empatado em segundo lugar com 17% das intenções de voto, em uma pesquisa do IBOPE divulgada hoje e que tem margem de erro de 3 pontos percentuais. Em primeiro lugar aparece Mauro Mariani, do MDB, com 21%, seguido de Gelson Merísio, do PSDB, com 18%. Se o resultado se confirmar nas urnas, o PT não somente tem chances reais de ir para o segundo turno nas eleições para o Governo, como pode eleger uma de suas maiores bancadas dos últimos tempos no Estado. 

O resultado do PT é o único que apresenta crescimento em relação a 2014, saltando de 15 para 17%; o candidato do MDB, que em 2014 estava coligado com o PSD, caiu de 51% para 21% e o do PSDB de 29 para 18%. Nas eleições de 2014 a projeção das sondagens era de que Claudio Vignatti não passaria dos 10% e, quando abertas as urnas, superou os 15%.

Ele não, ele nunca, jamais!

sexta-feira, 21 de setembro de 2018

Merval Pereira é um bom termômetro da febre que acomete o país


Merval e a democracinha*
A polarização política, os cidadãos de bem e os inimigos da vida civilizada no país

Fernando de Barros e Silva

Faltam ainda duas semanas até a eleição, mas, a não ser no caso de uma improvável reviravolta, a disputa presidencial deve ser decidida entre Jair Bolsonaro e Fernando Haddad. Ciro Gomes ainda tem chances remotas de rivalizar com Haddad – o Datafolha dessa semana o coloca no páreo, mas tudo indica que a pesquisa do Ibope publicada na véspera, que aponta o petista já isolado em segundo lugar, captou melhor para onde o vento está soprando.

Em certo sentido, o segundo turno já começou. E o nome que o establishment tanto esperava não vingou. Luciano Huck flertou com a ideia e recuou (não foi desta vez que pudemos assistir à entrevista dele à bancada do JN); João Doria tentou furar a fila e não conseguiu. A missão sobrou para Geraldo Alckmin, mas nem com a tropa do centrão e com um latifúndio de tempo de tevê sua candidatura decolou. O tucano só parece ter chances de ressuscitar politicamente se o pior acontecer a Bolsonaro, o que também é improvável.

O fato é que Lula, da cadeia, incomunicável desde abril, deu a volta naqueles que o expulsaram do processo eleitoral. Não vai aqui nenhum juízo, apenas uma constatação. A percepção de que o roteiro eleitoral fugiu do script desenhado pelas elites renovou o fôlego do discurso de que a democracia corre risco entre nós. Os democratas que agora dizem isso são, em boa medida, os mesmos que, vestidos de verde e amarelo, confraternizavam em 2016 na avenida Paulista com aquelas minorias sideradas que pediam a volta dos militares ao poder e exaltavam as realizações da ditadura. Alguns dirão que eles não se misturavam. Vamos dizer, então, em nome da precisão histórica, que eles conviviam no mesmo espaço sem grandes problemas e tinham um inimigo comum: todos os que vestissem uma camisa vermelha.

É possível que a democracia esteja mesmo correndo risco. Bolsonaro, do hospital, lançou mais uma vez suspeitas sobre a urna eletrônica e sugeriu que o processo eleitoral será fraudado. Ou seja, se ele perder, foi roubo. Seu vice, aquele a quem Ciro Gomes chamou de jumento de carga, defendeu por sua vez na GloboNews que o presidente da República tem o direito de dar um autogolpe caso perceba uma situação de anarquia. Celso Rocha de Barros publicou uma coluna impecável sobre isso na Folha no último dia 17. É, pois, com esses senhores que estamos lidando. Mas não apenas com eles. Está na praça, com força novamente, o discurso delirante de que as falanges de Bolsonaro e os companheiros do PT representam riscos equivalentes à vida democrática ou ao convívio civilizado no país. Eu disse delirante, poderia dizer também desonesto. Não acredito, sinceramente, que seja esse o caso de alguém como Merval Pereira, um cidadão de bem.

As pesquisas eleitorais deixaram o colunista de O Globo de bigodes eriçados. Ontem, dia 20, ele publicou no jornal um artigo chamado “Um país congelado”. A imagem servia para introduzir a ideia de que estamos revivendo, quase trinta anos depois, a disputa entre Collor e Lula. Não é uma analogia propriamente ruim, mas também não nos leva muito longe. “Essa história já conhecemos, e termina mal”, escreve o imortal (sim, ele é membro da Academia Brasileira de Letras). A história, na verdade, terminou bem, porque o impeachment de Collor, em 1992, foi um marco do fortalecimento da democracia então incipiente no país. Justamente o contrário do que representou a destituição de Dilma Rousseff em 2016. Há mais uma diferença. Em 1989, o Grupo Globo apoiou Fernando Collor, sem muita preocupação de disfarçar isso. A Globo hoje não irá apoiar Bolsonaro (nem Haddad, obviamente). Algo, então, melhorou no país, não é mesmo?

Sigamos. “O Lula de 2018 está mais próximo do de 1989 do que daquele de 2002”, diz Merval. O leitor fica curioso diante de afirmação tão peremptória. O PT estaria tramando na surdina uma reforma agrária de feições bolivarianas? Estaria tentado a dar calotes nos credores do governo? A romper com os contratos? A transformar o Brasil num imenso Museu Nacional? A explicação mervalina vem algumas linhas adiante. Transcrevo o parágrafo na íntegra:

“O PT de Lula só quer saber de pacificação circunstancialmente, por pragmatismo eleitoral. Eleito, Haddad fará um governo na linha petista ditada por Lula, radical e antidemocrática. O PT de 2002 na verdade nunca existiu, era só uma fachada para o grupo político chegar ao poder e atravessar os primeiros anos sem turbulência.”

O que pensar dessas linhas tão criativas? Teria sido a coluna hackeada pelo general Hamilton Mourão? O autor desses disparates – chamemos as coisas pelo nome – é frequentemente apontado por colegas da imprensa como uma espécie de porta-voz dos patrões. Não acredito nisso. João Roberto Marinho transmite a sensação de ser uma pessoa sensata. Duvido que ele pense que o PT de 2002 na verdade nunca existiu.

Mais adiante, Merval volta a desabafar:

“Eleição estranha, com dois candidatos de campos antidemocráticos, e liderando com os índices de rejeição maiores do que as intenções de voto. Depois do mensalão e do petrolão, e da tentativa permanente de desacreditar, aqui e no exterior, nosso sistema judicial, fica muito difícil imaginar que o PT possa ser considerado um participante do campo democrático legítimo, da mesma forma como é difícil avaliar assim Bolsonaro, por seus atos e pelo que sugerem seus principais assessores.”

Recapitulando: na cabeça do imortal, o PT de 2002 não existiu, era só fachada, e o partido não pertence ao campo democrático legítimo. Lula e Bolsonaro se equivalem.

Não consigo evitar certo constrangimento diante da sensação de estar tomando o meu tempo e o tempo do leitor com um texto de opinião bastante medíocre, cujo autor oscila entre acessos apopléticos de indignação e reiterados engasgos de raciocínio. Por outro lado, não há como deixar de reconhecer que Merval Pereira é um bom termômetro da febre que acomete o país. Ele é o sintoma de algo que o ultrapassa. Ele é a prova viva e involuntária de que a democracia brasileira corre, sim, riscos de ir pelo ralo.

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* O título é uma homenagem ao cartunista Andrício de Souza, autor da série “democracinhas”, publicada na revista piauí deste mês.
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