terça-feira, 20 de fevereiro de 2018

O paradoxo Lula


Os números de Lula em pesquisas pré-eleitorais têm subido consistentemente após a condenação do ex-presidente em segunda instância. Como explicar esse aparente paradoxo?

Bem, eu arrisco.

Milhões de brasileiros começam finalmente a identificar o kafkiano processo em que Lula foi condenado sem provas.

Quem tem ao menos uma razoável retaguarda intelectual e educacional, conhece rudimentos de Direito (mesmo que autodidaticamente), não tem preguiça de pesquisar fontes diversas de informação e mantém a mente imune aos preconceitos pueris que são diariamente repetidos pela mídia, sabe que efetivamente não há base jurídica para a condenação de Lula.

Aqueles, por outro lado, que nunca tiveram a oportunidade de receber educação formal de qualidade, normalmente têm intuição suficiente para notar quem está a serviço de quem ou de quê. É o "olhar nos olhos", é o tom da palavra, é a expressão facial.

Acho difícil, porém, que Lula possa participar das eleições deste ano. Sua liberdade físico-jurídica é um transtorno para os efetivos donos do poder, que agem, nos bastidores, com o auxílio de um legislativo imundo, de um judiciário majoritariamente comprometido, personalista e autorreferenciado, de uma imprensa apodrecida e de milhões de cidadãos que, ideologicamente, estacionaram na década de 60 e bradam contra uma risível "ameaça comunista" e contra a suposta ou efetiva corrupção (dos outros, claro, pois ninguém é de ferro).

Acho também difícil que algum candidato por ele apoiado tenha alguma chance - o carisma do ex-presidente é personalíssimo.

Assim, está pavimentado o caminho para que o Brasil continue a ser dirigido pelos Senhores de Estocolmo, que, não obstante estarem destruindo o nosso país e o futuro dos nossos filhos e netos, continuarão a ser apoiados, pois ao menos terão extirpado "aquela corja" da vida política da Terra de Santa Cruz.

Moro é apenas uma peça da engrenagem que destruiu o país

Luiz Fernando Velho
Moro é apenas uma peça da engrenagem que fez o país cruzar a linha que separa a civilização da barbárie. O punitivismo burocrático do Judiciário, aliado a milhares de vozes que exaltam o justiçamento como norma de Justiça, nos tornou um país pior, triste e sem esperança.

Comissão da Verdade não puniu ninguém, general


Marcelo Rubens Paiva

Ontem de manhã, dia 19/02, o general Eduardo Villas Bôas fez um alerta, depois que o presidente Michel Temer informou aos integrantes do Conselho da República a intervenção federal na área de segurança do Rio de Janeiro.

O Comandante do Exército Brasileiro disse ser necessário dar aos militares “garantia para agir sem o risco de surgir uma nova Comissão da Verdade” no futuro, informou a calunista Cristiane Lôbo no seu blog do G1.

Se não cometer nenhum abuso, infringir a lei, não torturar, desaparecer, ferir convenções e tratados internacionais, dos quais o Brasil é signatário, não há o que temer.

No mais, a Comissão da Verdade, concluída em 2014, 50 anos depois da instauração do regime militar, em 1964, investigou casos de tortura e mortes durante o período.

Mas não puniu ninguém.

Nem era seu papel punir.

Desde o começo, num acordão do Governo Dilma, ficou decidido: a função da comissão era apenas investigar, relatar, ouvir testemunhas e apresentar um relatório final.

Quem pode punir é a Justiça em ação do Ministério Público Federal.

Alguns promotores e juízes defendem que a Lei da Anistia não deveria acobertar casos de tortura, que, segundo compromissos internacionais assinados pelo Brasil, são crimes imprescritíveis.

O Supremo Tribunal Federal julgou, em 2010, que a Lei da Anistia não pode ser revista.

“Só o homem perdoa, só uma sociedade superior qualificada pela consciência dos mais elevados sentimentos de humanidade é capaz de perdoar. Porque só uma sociedade que, por ter grandeza, é maior do que os seus inimigos é capaz de sobreviver”, afirmou o presidente à época, ministro Cezar Peluso, último a votar, rejeitando pedido da Ordem dos Advogados do Brasil.

A Ordem pretendia que a STF anulasse o perdão dado aos representantes do Estado acusados de praticar atos de tortura durante o regime militar.

O caso foi julgado improcedente por 7 votos (Eros Grau, Cármen Lúcia, Ellen Gracie, Gilmar Mendes, Marco Aurélio, Celso de Mello e Cezar Peluso) a 2 (Ricardo Lewandowski e Ayres Britto).

O relatório final da CMV pode ser encontrado:

http://cnv.memoriasreveladas.gov.br/index.php/outros-destaques/574-conheca-e-acesse-o-relatorio-final-da-cnv


Amanhã será outro dia

Breno Altman

ISOLAMENTO E RESISTÊNCIA

Apenas a esquerda votou contra a intervenção militar no Rio, os 72 deputados do PT, PCdoB e PSOL. A centro-esquerda (PDT, PSB) não aguentou a pressão e, com raras exceções, roeu a corda.

Há quem esteja incomodado com esse aparente isolamento, especulando sobre quais as concessões necessárias para reverte-lo.

A história, no entanto, nos ensina que nem sempre o isolamento momentâneo é um problema relevante.

O PT, por exemplo, somente conquistou o protagonismo dos últimos 30 anos porque teve a coragem de boicotar o Colégio Eleitoral de 1985 e votar contra a Constituição de 1988, percorrendo um caminho independente em relação à antiga oposição liberal-burguesa e abrindo espaço para um alternativa de poder da classe trabalhadora.

Nessas duas oportunidades, ficou terrivelmente isolado, mas colheu, depois, os frutos de sua firmeza política, desbravando uma nova estrada para o campo popular.

O restante da esquerda, caudatário das forças centristas, trocou o eventual isolamento de então pela irrelevância a seguir.

Dessa situação se recuperou quem, como os bravos comunistas do PCdoB e os socialistas de Arraes, se juntaram ao campo popular liderado pelo PT a partir de 1989. Os brizolistas também saíram do purgatório com a corajosa campanha presidencial daquele ano.

O PCB virou pó e o MR-8, tropa contratada pelo quercismo. Os chamados “autênticos” do PMDB praticamente desapareceram do cenário, com raras exceções, exatamente porque, na hora da verdade, foram pouco autênticos.

Portanto, vamos respirar fundo e nos orgulhar do voto de petistas, comunistas e psolistas. Sem tremer as pernas e sem entrar em pânico. Amanhã será outro dia.

Duas notícias que na verdade são uma só




Duas notícias de ontem, que na verdade são uma só:

1) Foi identificada uma das 1047 ossadas da vala clandestina de Perus, onde os militares enterraram clandestinamente alguns dos corpos dos assassinados por eles durante a Ditadura Militar. (UM MIL E QUARENTA E SETE OSSADAS).

2) O General Villas Boas, comandante do exército, disse que "Militares precisam ter garantia para agir sem o risco de surgir uma nova Comissão da Verdade".

Sim, é uma só notícia.

Um fracasso eterno

Fernando Horta

Em 1958 o orçamento anual da CIA era em torno de 350 milhões de dólares (pouco mais de 2,5 bilhões de dólares em valores corrigidos hoje).

Quase 80% deste orçamento era de acesso proibido a todos, incluindo o Congresso. Algumas comissões de fiscalização do Congresso americano foram tentadas, mas o presidente e a própria CIA negavam as prestações de contas.

Em 2016, o chefe do programa de defesa mais importante do Brasil, o submarino nuclear, é condenado à cadeia por um juiz de primeira instância que mal sabe escrever. O motivo da condenação é que o almirante não conseguiu mostrar onde gastou cerca de 1,5 milhões de reais (valores que não fechavam nas prestações de contas) e supostamente recebeu um carro de presente de um dos parceiros comerciais usados para desenvolvimento dos projetos de defesa.

Entendeu porque sempre seremos dominados?

Cidade Maravilhosa


O Rio de sangue


Carlos D'Incão

A intervenção federal no Rio de Janeiro não é uma brincadeira e muito menos um improviso. Não é coisa de amadores e muito menos obra de um “governo fraco” que não tem mais saída para se sustentar.

Ao longo de uma história nacional marcada pela interrupção golpista, nenhum outro governo fez tantas reformas reacionárias em tão pouco tempo como o governo Temer. Falta dar continuidade política a essas reformas. E é aí que entra a intervenção federal no Rio.

Ela não é feita para que Temer tenha qualquer ambição político-eleitoral. Ela é feita para se criar um “novo herói” nacional. E esse herói já tem nome e patente: é o general Braga Netto. Se alguém tinha alguma dúvida sobre a posição das forças armadas brasileiras nesse universo político, ela se desfez nos últimos dias. O exército está a favor das reformas neoliberais e as defenderá com tanques e fuzis, se assim for necessário.

É comum (e de certa forma saudável) as pessoas olharem para o passado para tentar compreender o presente. Mas o presente não é escravo do passado e - a não ser sob a forma da farsa - o passado nunca se repete. Devemos esquecer o processo golpista de 1964. Esse se deu em uma conjuntura econômica e política muito diferente do que a que vivemos.

O que ocorre hoje não deixa de ser óbvio para quem acompanha as exigências do mercado: o Brasil deve entregar suas riquezas para a iniciativa privada e realizar um ajuste ultra-neoliberal em seu orçamento para garantir o pagamento de suas dívidas públicas para os banqueiros.

Entretanto, as vias democráticas não sustentam essas reformas. Sob vários cenários elas são derrubadas nas urnas por uma coalizão de centro-esquerda. É necessário então uma nova República onde o jogo democrático esteja esvaziado de poderes, ou seja, onde os poderes políticos de um presidente, do congresso e do senado estejam limitados à banalidade da “simples gestão”. Uma República onde o que é importante seja decidido pelos poderes de fato, isto é, o grande capital.

E é justamente isso que está sendo articulado desde 2016. Estamos vivendo os primeiros momentos de uma nova República, a 6ª República. Ela terá um judiciário forte, um Banco Central autônomo, um Ministério da Segurança Pública com poderes de Ministério da Justiça e um presidencialismo fajuto ou, na prática, um “Parlamentarismo de Mercado” onde o Primeiro Ministro seja o índice Bovespa, controlado diretamente por Washington.

O general Braga Netto é o nome que faltava para convencer a opinião pública - em especial os milhões de “manifestoches” - de que o Brasil precisa de uma nova constituinte para resolver os diversos atropelos entre os poderes e os “graves” problemas de segurança pública que contam com um crime organizado que ironicamente está munido de armamentos que são de uso exclusivo das forças armadas... e... obviamente... um calendário eleitoral não pode estar acima “dos interesses nacionais”...

No fim o que temos é um complexo e bem estruturado sistema para impedir o retorno da democracia, como existia nos moldes da Constituição de 1988.

Caso o plano de intervenção no Rio seja um sucesso teremos o funeral da democracia sob o pretexto de que o “excepcional” deve se tornar uma regra. E esse sucesso dependerá muito da maquiagem e da manipulação da Rede Globo. Caso a intervenção não tenha sucesso, teremos o funeral da democracia sob o pretexto de que o “excepcional” deve ser aprofundado para se ter o sucesso esperado...

Tanto de um lado como de outro, temos uma trava muito bem feita e muito bem pensada pelos donos do poder. E qual é a única saída quando se está no interior de um jogo onde sob qualquer ótica você será derrotado? É justamente realizar o mesmo movimento de quem elaborou esse jogo, ou seja, virar o tabuleiro e se recusar a jogar sob esses termos.

Nunca é o desejo de ninguém a saída da insurreição popular. Mas quem não deixou outra saída foram os que tomaram o poder através de um golpe de Estado. Quem se recusou a dialogar e radicalizou ao ponto de destruir a democracia e o Estado de Direito foi o mercado a direita brasileira...

Resta saber agora quando as lideranças do campo da esquerda vão começar a levar a sério a atual conjuntura e assumir a responsabilidade histórica de não mais jogar o jogo da atual ditadura e, sobretudo, parar de fingir que milagrosamente e de forma generosa o mercado deixará Lula ser o presidente da República em 2019, abrindo docemente a mão de trilhões de reais que estão em jogo nos próximos meses.

O mercado vai exigir que seus interesses sejam obedecidos. E se para isso for necessário que haja um mar de sangue, ele já deixou clara a sua opção... Ele quer um Rio de Sangue.

Como o Exército se sujeita a ser comandado por um criminoso como Moreira Franco?


Como o Exército Brasileiro se sujeita a ser comandado pelo ex governador Moreira Franco? Um criminoso contumaz? Ex-governador do Rio que não fez NADA além de quebrar o estado DUAS VEZES?


Onde os traficantes conseguem armas de "uso exclusivo das forças armadas"?


Bancada do PDT, de Ciro Gomes, vota em bloco com Temer a favor da intervenção no Rio

Revista Fórum

Os únicos três partidos que votaram em bloco contra a intervenção no Rio foram o PT, PSOL e PCdoB

A bancada do PDT, de Ciro Gomes (e Brizola!), votou em bloco ao lado de Temer a favor da intervenção militar no Rio de Janeiro, na noite desta segunda-feira (19), na Câmara. De uma bancada de 21 deputados, os 15 que estavam presentes à sessão votaram com o governo.

Nem o MDB, de Temer, nem o PSDB, de Alckmin e Aécio e nem o PP, de Paulo Maluf (pasmem!) conseguiram tal proeza. No MDB, o deputado Celso Pansera, do Rio de Janeiro, votou contra. Já entre os tucanos, o dissidente foi João Gualberto, da Bahia e no PP o voto contrário foi de Espiridião Amin.

Na Rede, de Marina Silva, Alessandro Molon, foi o único voto não. No PR, do Tiririca, outra surpresa, o Delegado Waldir, de Goiás, foi o dissidente; já no PSB, de Márcio França, apenas Janete Capiberibe, do Amapá, se insurgiu; no PROS, o não foi de Weliton Prado, de Minas Gerais e no Podemos, de Álvaro Dias, o voto contra foi do deputado Bacelar, da Bahia.

Ao lado do governo, além do PDT, fecharam questão por unanimidade o DEM, de Rodrigo Maia; o PPS, de Roberto Freire; o PSC, de Bolsonaro, que apesar de criticar a intervenção também votou a favor; o PSD, de Kassab; o PRB, do prefeito desaparecido Marcelo Crivella e o Solidariedade, do infalível Paulinho da Força.

Os únicos três partidos que votaram unanimemente contra a intervenção militar no Rio de Janeiro foram o PT, PSOL e PCdoB.

Como sobreviver a intervenção militar sendo negro



INTERVENÇÃO NO RIO: Como sobreviver a uma abordagem indevida (feat. AD Junior e Edu Carvalho)

Na cara dura. Na dita também.


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Generais exigem garantias para estuprar, torturar, roubar e matar impunemente

Leonardo Valente

O general do Exército não disse que os militares precisarão apenas de garantias jurídicas para atuarem como polícia, ele foi além, sem papas na língua: precisarão evitar um nova comissão da verdade.

Comissão da Verdade investiga torturas, assassinatos, desaparecimentos, operações ilegais, ameaças e outros desmandos da Ditadura. O recado foi claro, sem eufemismos ou conotações, foi literal, e ele sabe muito bem o que disse, por favor não relativizem.

É isso o que os grandes jornais estão apoiando, de novo, ao defenderem a intervenção.

Quando não se lida corretamente com o passado, ele volta


Fernando Horta

Em pouco mais de 50 anos tivemos três presidentes retirados do poder. Dois impeachments, uma ditadura militar de mais de 21 anos, e novamente temos tanques na rua. 

Vamos combinar que quando não se lida corretamente com o passado, ele volta.

Se todo canalha que tivesse participado da ditadura militar estivesse preso depois de processado (militares e civis) é muito provável que não tivéssemos um segundo golpe. Não teríamos políticos vendendo o país (de novo), juízes cobrindo-lhes os rastros (de novo) e uma penca de incapazes intelectuais que dançam e vestem camisetinhas de apoio (de novo).

O fundo do poço começa a ser escavado

Reinaldo Del Dotore

"Mandado coletivo de busca e apreensão", sem endereço definido, para ser utilizado em "ruas, bairros inteiros".

Tudo bem que tecnicamente nunca houve "democracia" ou "república" por aqui, mas agora o poço já começa a chegar às camadas inferiores da Terra.
Luis Felipe Miguel

Pedidos coletivos de busca e apreensão indicam a percepção de que a lei, ao estabelecer direitos, impede o combate ao crime.

Coerente com um país em que vigora o entendimento de que a democracia, ao entregar ao povo a escolha dos governantes, impede a gestão adequada do Estado.

Inferno do Tuiuti

Milifantoches retratados por @Laerte

A direita tem vocação para o estelionato em massa e a fraude sem escrúpulos


Moisés Mendes

QUEM SÃO ELES

Fraudadores de vacinas para crianças, falsificadores de azeite de oliva, envenenadores de leite, aplicadores do golpe da passagem aérea e outros pequenos e grandes delinquentes amorais se multiplicam, quase todos soltos.

Se desse para investigar o que esses pilantras privados pensam de questões fundamentais da humanidade, ficaríamos sabendo (apenas para confirmar) seus preconceitos, seus discursos moralistas anti-PT e anti-Lula e em quem votaram e em quem votariam na próxima eleição (se tiver eleição).

A direita tem vocação para o estelionato em massa, para a fraude sem escrúpulos e sem preocupações com o bem-estar e a saúde de ninguém. E tem também vocação para o golpe, qualquer tipo de golpe. 

A direita é capaz de ganhar dinheiro com crueldades contra as crianças, como os vampiros dos governos tucanos de São Paulo que roubavam, por superfaturamento, a merenda das crianças.

A direita privada está de tocaia em toda parte, à espera de uma chance de ganhar dinheiro e poder. A direita individualista, egoísta, golpista e fraudadora é repulsiva.

segunda-feira, 19 de fevereiro de 2018

Prioridades


Brasil tem a 2ª gasolina mais cara do mundo

247 - Desde meados de 2017, quando a Petrobras passou a reajustar os preços diariamente e o governo aumentou a carga tributária sobre o setor, os preços da gasolina subiram cerca de 20% para o consumidor final. Com o aumento, o Brasil se consolida no posto de uma das gasolinas mais caras dentre os países produtores de petróleo, enquanto União, Petrobras, distribuidoras e revendedores tentam se dissociar da escalada dos preços dos combustíveis na bomba.

Levantamento da consultoria Air-Inc, que consolida estatísticas globais de custo de vida e mobilidade, mostra que a gasolina vendida nos postos brasileiros é a segunda mais cara dentre os 15 países que mais produzem petróleo no mundo. De acordo com a pesquisa, obtida pelo Valor, a gasolina é vendida no Brasil a US$ 1,30 por litro (considerando câmbio de R$ 3,3 e preço médio de R$ 4,28). No ranking dos maiores produtores de petróleo, só não é mais cara que o combustível vendido na Noruega.


General nazista defende ASSASSINATO de pobres sem nenhuma consequência jurídica aos militares


General Augusto Heleno no @GloboNews Painel: “Se interventor fosse, lutaria por regras de engajamento flexíveis, que possibilitassem a ELIMINAÇÃO de pessoas com atos ou intenções hostis sem nenhuma consequência jurídica aos militares”


Esse sim é um mito!



Cada qual que cumpra seu papel na História


Enquanto um círculo de fogo se fecha nas favelas cariocas, a arquivadora-geral da República Raquel Dodge libera geral a bandidagem do Planalto. Serra, Jucá e Moreira já foram liberados por ela. Toga complacente taí.

A soma de todos os medos insuflados pela Globo não chega perto do perigo real e imediato do Gato Angorá perto de um cofre.


Simon Bolívar, O Libertador da América Latina. Raquel Dodge, A Libertadora de Quadrilheiros. 

Cada qual que cumpra seu papel na História.


Verbetes de dicionário pós-moderno


Nilson Lage


Democracia é o regime em que dois partidos de sujeitos ricos, corruptos e poderosos indicam representantes e o povo escolhe entre eles. Os não-ricos e não-corruptos em geral não se unem, porque é a riqueza e a corrupção que uniu os outros; fazem palco e emprestam sensação à disputa, Para explicar sua desunião e o ódio que manifestam uns dos outros, recorrem a divisões étnicas, etárias, bem como a textos antigos e passadas desavenças filosóficas e religiosas.

Verdade é o que a mídia espalha, seja em conclamações ou anúncios e asserções, o notícias. Divide-se entre mentiras oficialmente divulgadas e outras de fontes alternativas. Os fatos do mundo real, principalmente os não testemunhados individualmente transmitem-se conforme as versões convenientes a qualquer uma dessas vertentes. A criatividade na mentira é maior quando se alcança elevada hegemonia midiática. Qualquer tentativa de competição de outsiders é fake news.

Esquerda e direita – conceitos direcionais tomados como metáforas para escamotear oposições entre passado e futuro, certo e errado, dominador e dominado, sábio e ignorante, egoísmo e solidariedade, de acordo com o caso. Permitem a formação de hordas acríticas que se esculhambam enquanto os que se beneficiam tentam ter mais prazer do que os sentidos permitem e perdurar após a morte em obras eventualmente de bom gosto.

Os ricos não roubam?



Ontem, 18/02, na sua coluna de domingo, na Folha e Globo, Elio Gaspari, reproduz o velho, gasto e surrado argumento das elites nacionais para assumirem os poderes na República.

Segundo o colunista, a intervenção militar no Rio deveria ser ampliada e a defende com um argumento infantil e que beira a leviandade. Li duas vezes para acreditar no que estava escrito. Diz Elio:

“A intervenção federal permitiria que o Estado do Rio passasse por uma faxina. Até a posse do governador que será eleito em outubro, o interventor poderia desmantelar a teia de ladroagens que arruinou o Estado. Quem seria esse interventor? Para que a conversa possa prosseguir, aqui vão dois nomes: Pedro Parente e Armínio Fraga. Os dois estão bem de vida e odiariam a ideia, mas nasceram no Rio e sabem que devem algo à terra.”

Sei. Então quer dizer que os bacanas estão bem de vida e por isso são os nomes certos para comandar o estado. Nasceram no Rio e devem algo aos cariocas também são ótimos (sic) argumentos. Devem o quê? A fortuna que amealharam caminhando na linha tênue que separa os cargos que ocuparam no estado e na iniciativa privada? Sei.

Para a elite tupiniquim os pobres são o problema. Os que a atrapalha, os que impedem que a fortuna dos “muito bem de vida” pare de crescer. Como se não fosse o oposto. Em geral, os muito ricos são muito ricos porque roubam diretamente ou porque se apropriam da riqueza produzida por milhares de pessoas. Com algumas, poucas, exceções. Balzac, meu caro Elio, que nasceu em 1799, já dizia que atrás de uma grande fortuna sempre há um crime. O mundo mudou desde o século XVIII? Se mudou, nesse particular, foi um pouco para pior.

Acho que Elio precisa voltar a ler o velho Marx, se é que um dia o leu. Enquanto isso poderia também estudar a história política do país, foco em São Paulo, onde dois distintos cavaleiros do “andar de cima”, nascidos à terra, milionários, ao se apoderarem das rédeas do estado, roubaram tanto que fizeram jus à fama imorredoura de gatunos: os industriais Adhemar de Barros e Paulo Maluf. Estou mentindo?

Para finalizar, Elio propõe como interventores os nomes de dois fidelíssimos servidores do tucanato, do indefectível PSDB. Entretanto o partido que os alçou à vida pública não goza de boa reputação em São Paulo - onde é hegemônico há duas décadas e metido em denúncias de corrupção que vão de roubos na merenda de escolas públicas a desvios milionários em grandes obras de infraestrutura - e muito menos no Rio de Janeiro, onde sempre foi rejeitado pela população. É partido também da base de apoio do atual governo federal onde abundam corruptos e vigaristas.

Talvez o que Elio tenha tentado esconder, ao escolher seus interventores do coração, é algo que não passa despercebido ao atento leitor: só como interventores os tucanos alcançarão o poder no estado. Seria um balão de ensaio para uma intervenção também no poder central?

Uma estupidez.

Continuo achando que é melhor deixar a escolha dos governantes ao povo, nas urnas. Sempre o melhor caminho. Esse negócio de faxina por interventores é lenga-lenga surrada do “andar de cima”.

Coisa de golpistas.
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