domingo, 30 de julho de 2017

Sérgio Moro é um representante à altura dos tempos sombrios que estamos atravessando

Sempre lambendo as mãos de algum ladrão 
Claudio Guedes 

Moro, Sérgio.

É, de alguma forma, a cara, o retrato, de uma expressiva parte do país.

A entrevista dele hoje na Folha, 30/07, revela um juiz limitado intelectualmente, que se considera perfeito, que não erra. Quando levemente questionado em qualquer assunto mais polêmico busca um clichê barato para fugir à pergunta, tipo:

"Políticos não tem interesse em combater a corrupção".

O que significa? As leis que foram feitas pelos políticos e que estão à disposição da justiça não servem? Por que os juizes e os procuradores não usam o arsenal legal disponível para, de forma eficiente e discreta, agir em prol da sociedade? Por que a justiça no país é lenta, parcial e protege de forma acintosa o poder econômico? Por que o juiz Moro, um membro destacado do judiciário, não responde às questões postas pela realidade? A realidade é que se parte expressiva dos políticos é corrupta, é também verdadeiro que o poder judiciário, em grande parte, é ineficiente, elitista e mal preparado. Ou não é?

"O direito não é uma ciência exata".

Disse essa besteira (clichê típico do Almanaque Capivarol), ao se referir a inusitada intervenção que fez em processos de delações premiadas, atropelando a competência do MP, e estabelecendo uma pena máxima a todos os processos que os réus estavam respondendo. Algo que criou um paraíso para criminosos/delatores que, independentemente dos crimes, têm uma punição baixa e pré-fixada contanto que aceitem os termos (viciados?) dos acordos de delação. É o que temos visto nos processos da Lava Jato: criminosos com longa atividade, ricos, desfrutando da liberdade nas suas mansões ao entregarem, com provas débeis ou inexistentes, políticos "alvos" - alguns, pré-escolhidos - dos procuradores e do juízo.

"As pessoas tinham direito de saber a respeito do conteúdo daqueles diálogos."

Ao defender a divulgação dos diálogos de uma presidente da República com um ex-presidente. A lei proíbe que um juiz de primeira instância decida sobre o assunto. Mas o juiz Moro se coloca como um guardião do "direito das pessoas". Claro, direito esse dependente do seu livre escrutínio. A ele cabendo julgar o que as pessoas têm ou não direito de saber, uma vez que muitas gravações das investigações não foram por ele divulgadas. Um escárnio. Um juiz que acha que não precisa cumprir a lei. Ele é a lei.

Um medíocre, intelectualmente raso, um representante à altura dos tempos sombrios que estamos atravessando.

Um comentário :

  1. O Direito não é uma ciência exata, como o futebol é uma caixinha de surpresas.

    Ganha 100 mil por mês pra cagar essas platitudes.

    Pensando bem, o Brasil merece.

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