sexta-feira, 28 de julho de 2017

Ser conservador é uma coisa; trair a pátria é outra

Nilson Lage 

Ao contrário do Brasil, que deliberadamente liquidou sua indústria naval, a França, com seu novo governo conservador, encampou um estaleiro para impedir que ele fosse controlado por grupo ítalo-chinês.

Ser conservador é uma coisa; trair a pátria é outra.


Macron estatiza estaleiro para impedir controle italiano e chinês sobre indústria naval

247 - Emmanuel Macron, presidente da França, estatizou o  estaleiro naval de Saint-Nazaire para impedir que o controle da empresa passe para a Itália e para a China. Parece que os liberais da França são mais pragmáticos e menos dogmáticos que os nossos.

Em reportagem publicada nesta quinta-feira (27), o jornal francês Le Monde destaca que "chamado a decidir sobre os destinos da indústria naval francesa, Macron decidiu nacionalizar temporariamente o estaleiro a confiar a empresa a um acionista italiano". Uma jogada inesperada para quem passou a campanha inteira defendendo privatizações, sublinha o diário francês.

Sem a ação do governo, os estaleiros franceses iriam cair no colo do grupo italiano Fincantieri, o número de construção naval na Europa. Um cenário em que o governo Macron não desejava e que não conseguiu contornar na conversa. O estaleiro é um dos mais famosos da Europa - de lá saiu o Queen Mary II - quase fechou as portas por falta de encomendas alguns anos atrás. O governo investiu para evitar a falência da empresa e agora há pedidos para 10 anos de trabalho.

Outra ameaça apareceu com a falência do STX, o conglomerado sul-coreano acionista majoritário do estaleiro Saint-Nazaire. Para recuperar o dinheiro, os credores do STX queriam vender a filial francesa. Quem apresentou oferta foi justamente o Fincantieri, grande rival italiano. A compra pelos italianos levanta três questões: os 7000 empregos em jogo; a terceirização feita pelos italianos na China; Saint Nazaire é o único estaleiro francês capaz de construir navios militares. 

O acordo feito pelo ex-presidente François Hollande com os italianos previa que o Fincantieri teria 48% das ações. Mas uma fundação de Trieste adquiriu mais 7%, dando controle da empresa aos italianos. Macron desafiou o acordo, resolveu usar o direito de preferência da França sobre as ações e comprou a briga com o governo italiano. Para Macron, o preço de 80 milhões de euros do estaleiro vale a soberania francesa no setor.   

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