terça-feira, 11 de julho de 2017

O anti-intelectualismo no Brasil


Fernando Horta

Como historiador, me recuso a argumentar pelo individualismo. Como se uma pessoa tivesse a possibilidade de fazer reviravoltas na história.

Hoje, li um artigo, muito bem escrito, sobre a figura cartunesca do tal Olavo de Carvalho e a "queda da democracia no Brasil".

Cometi este erro quando, há algum tempo, comecei a estudar EUA. O senador Joseph McCarthy não é responsável pelo macartismo. Ele é o resultado. Trump não é responsável pelo surgimento e aprofundamento do conservadorismo nacionalista nos EUA. Ele é o resultado.

Bolsonaro não é responsável pelo protofascismo brasileiro. Nem ele, nem Kim e sei lá eu mais quem. Estas figuras são resultado de um processo social muito maior. Estas explicações históricas, que miram nas grandes figuras, nos grandes nomes, nos "expoentes visíveis" dos movimentos, flertam com o positivismo que foi destroçado pela teoria histórica do século XX. Quase sempre estas explicações incorrem em teleologia, invertem as relações de causa e efeito e acabam dificultando o entendimento real dos movimentos sociais, culturais e políticos.

Mesmo que, num passe de mágica, viéssemos a fazer desaparecer as figuras centrais desta direita proto-fascista hoje no Brasil, em pouco tempo outras seriam alçadas aos seus postos e, talvez, até com maior inserção, uma vez que eles também sabem reconhecer seus erros de planejamento e execução.

Olavo de Carvalho é uma figura bizarra, completamente deformada moral e intelectualmente, mas não é causa de nada. É o efeito visível do problema do anti-intelectualismo, da falta de formação básica na nossa sociedade, e do papel político que a mídia joga no Brasil. Quando a imprensa tem como "colunistas e comentaristas" gente do calibre de Kim, Danilo Gentili e Joyce (aquela do plágio) mais Sheherazade ... ela deixa de exercer seu papel de crítica dos absurdos para lucrar com eles.

Nenhum comentário :

Postar um comentário

Web Analytics