quinta-feira, 6 de julho de 2017

A Lava Jato foi vítima de sua própria estupidez


Por Carlos Fernandes 

O escritor e filósofo franco-argelino Albert Camus disse uma vez que a estupidez insiste sempre.

Esse parece ser o caso crônico da operação Lava Jato durante todos esse tempo em que manteve-se determinada a cumprir a sua razão única de existir: prender Lula.

Inebriada pela própria obtusidade e megalomania, dissimulou argumentos, forjou provas, constrangeu e torturou réus, violou regras e descumpriu a Constituição sem jamais ter conseguido uma única evidência dos crimes a ele imputados.

Enquanto se debatiam na ingloriosa missão de encontrar o “timing” perfeito para o que seria o ato triunfal na ficção montada da grande luta contra a corrupção, toda sorte de vigaristas e depravados como Temer, Moreira Franco, Henrique Alves, Geddel Vieira, Eliseu Padilha, Aécio Neves, Romero Jucá e tantos outros conspiravam à luz do dia para “estancar a sangria num grande acordo nacional”.


Na irresponsável intifada que se propuseram a travar, o próprio fim enunciava-se tão certo quanto a parcialidade partidária com que direcionaram suas investigações.

Assim cometido o pecado da estupidez – o único que existe, como diria Oscar Wilde – a punição não tardou a chegar.

Em nota oficial, a Divisão de Comunicação Social da Polícia Federal confirmou a extinção do grupo de trabalho mantido exclusivamente para atender as operações da Lava Jato.

Em agonia constante desde que Michel Temer assumiu o poder (graças em boa medida à própria Lava Jato) o GT vinha sendo “asfixiado” constantemente.

A crescente falta de recursos e a redução de agentes alocados para a operação foram flagrantes. Apenas a nível de ilustração, só de delegados o número caiu de 9 para 4 na era Temer.

Ainda assim, quase que imbecilizados pela compulsão doentia em prender Lula e destruir o PT, não enxergaram o autoflagelo a que se submeteram ao não cumprir a lei e ao proteger os seus algozes declarados.

Agora colhem o fruto da própria ignorância.

Enquanto estão sendo silenciosamente eliminados, a força-tarefa de Curitiba segue sem perceber que perseguem justamente aqueles que mais lhe deram poder e autonomia enquanto dormem ao lado dos verdadeiros inimigos do Brasil.

Tamanha insanidade só pode ser explicada pela máxima de Camus: a estupidez realmente insiste sempre.

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