segunda-feira, 3 de julho de 2017

A imbecilidade da classe média calculada matematicamente


Gustavo Castañon


Esse ano o serviço da dívida levará 48% do orçamento federal, que é de 3,5 trilhões (repetindo: trilhões). A previdência levará 24% O resto se divide de forma mais ou menos parelha entre repasses para estados e municípios e salários da administração direta (que são a parte mais transparente do orçamento), mais ridículos 12 bilhões (repetindo: bilhões) de custeio (passagens, materiais, energia, aluguéis, etc.). Se você desconsiderar os supostos desvios de licitação de caneta e papel chamex, podemos dizer que o cidadão médio acredita, movido pela Globo e congêneres, que a "roubalheira" e a "corrupissaum" que "destrói o país" se dá nas licitações de obras.

É a narrativa da novela "Lava Jato".

Mas isso corresponde esse ano a 3% do orçamento. Isso mesmo, o Estado está investindo só 3% do orçamento. Se todas as obras do país tivessem roubo padrão-Quércia, os famosos 10%, a "corrupissaum" levaria 0,3% de nosso orçamento.

É com 0,3% de nossos problemas que se ocupam 99,7% de nossos telejornais.

Enquanto isso os juros (700 bi esse ano, 20% do orçamento), a sonegação (400 bi) e as isenções tributárias destroem a vida das pessoas.

Quem vive de juros acima da capacidade de lucro dos que produzem, vive da doença, má educação e insegurança da população. Eles não bebem champanhe, bebem a morte e a miséria dos cidadãos.

É somente mais que natural que esses canalhas só queiram falar nos que transigem a lei, e não na lei injusta que os alimenta. A lei tem que ser cumprida não porque é moral, mas para que tudo permaneça imoral como está. Afinal de contas, esses 0,3% também deveriam estar indo para o bolso deles na conta de juros, assim como a educação de seus filhos e sua aposentadoria.

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