quinta-feira, 8 de junho de 2017

Temer impressiona pelas mentiras primárias

Brasil 247 - "Michel Temer nem entregou as respostas às 82 perguntas da Polícia Federal e novas indagações já precisam ser juntadas à listinha", escreve o colunista Janio de Freitas nesta quinta; citando as contradições de Temer no caso do jatinho de Joesley Batista, o jornalista lista os erros do peemedebista, que inicialmente disse ter viajado em avião da Força Aérea Brasileira: "Mentira que até impressiona mais pelo primarismo, sem prever o mais óbvio: a verificação na FAB. Então Temer se lembra, ah, sim, era avião particular, mas nunca soube de quem. Mentira outra vez: o dono delatou o telefonema de Temer para queixar-se de florida gentileza com sua mulher".

Temer precisa responder mais perguntas além das 82 já feitas pela PF 
Janio de Freitas 

Michel Temer nem entregou as respostas às 82 perguntas da Polícia Federal e novas indagações já precisam ser juntadas à listinha.

Com elas não faz sua estreia no setor aéreo, é um retorno merecido pela contribuição à desordem moral do governo.

A começar pelo episódio mais recente, depara-se com Temer em São Paulo, noite da última sexta-feira, para conversar com Geraldo Alckmin. O noticiário avisara da visita para pedir a permanência do PSDB no governo.

Sem dúvida, foi mais do que isso. Um negócio: Alckmin conteria a ruptura, defendida por parte da bancada paulista, e em troca já teria assegurado o apoio do governo na eleição presidencial de 2018. Temer propunha
pagar com o futuro que não tem.

A volta a Brasília se dá na mesma noite. Se dormiu, muito cedo Temer foi acordado pelo aviso de que Rodrigo Loures, o seu auxiliar "de toda confiança" e da mala com R$ 500 mil, era preso naquele momento, ainda seis e pouco. Temer não dirá se foi esse fato ou uma súbita lembrança, um raio de memória no correr da noite, que o levou a providenciar, tão cedo, uma volta urgente a São Paulo.

Temer recebeu no seu escritório paulistano o advogado que o defende, ou defenderá. Mesmo sendo o exótico Temer, não é admissível que o presidente da República precisasse viajar a São Paulo, na manhã de sábado, para estar com um advogado. Se necessária a conversa, dada a prisão de Loures, o normal seria o chamado ao defensor, caso o receio de gravação telefônica predominasse.

Assim foi em encontros, no Jaburu e no Planalto, de Temer com o advogado Antonio Claudio Mariz.

A viagem, em suas condições anômalas, se decorrente da prisão de Loures, seria como uma confissão de envolvimentos a requererem decisões advocatícias, considerada a possibilidade de delações do auxiliar. Não seria conveniente fazê-la, razão bastante para que o advogado experiente não a aprovasse e, muito menos, dela participasse.

O que Temer buscou na inexplicada ida ao seu escritório em São Paulo?

Em termos genéricos, sem precisão identificadora, as hipóteses são poucas, e bastam. Coisas sugeridas por se tratar da viagem e do escritório de alguém que se cerca e enche o governo de inválidos morais. Indicação suficiente a seu próprio respeito.

A viagem de Temer sugere variadas perguntas da PF. Mas não só. Pede o que tem sido raro, como se delações bastassem: pede investigação.

O mesmo requer o caso mais simples da viagem aérea do casal Temer a Comandatuba, Bahia. O uso de um avião de Joesley Batista foi negado pela assessoria de Temer, que disse haver viajado em avião da FAB.

Mentira que até impressiona mais pelo primarismo, sem prever o mais óbvio: a verificação na FAB. Então Temer se lembra, ah, sim, era avião particular, mas nunca soube de quem. Mentira outra vez: o dono delatou o telefonema de Temer para queixar-se de florida gentileza com sua mulher.

Na desordem moral instalada no Brasil, não bastam as grandes patifarias que seguem a história. O governo desce até às miudezas das tapeações infantis ou obtusas, protegido pelos interesses de
retrocessos legais e sociais.

EM FALTA

Não é um fato banal a contradição do PSDB, que integra e sustenta o governo encabeçado por aquele cuja cassação, hoje sob julgamento no TSE, foi pedida pelo próprio PSDB. Há nisso uma falta de dignidade que compromete todos os comandos do partido, política e pessoalmente.

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