terça-feira, 27 de junho de 2017

São Paulo paga o preço de eleger um cone como prefeito


Com reparo precário de semáforos, gestão Doria espalha cones por SP

FABRÍCIO LOBEL DE SÃO PAULO

Há quase seis meses sem contrato de manutenção de semáforos e em meio ao apagão constante desses equipamentos, a cidade de São Paulo, sob a gestão João Doria (PSDB), teve uma proliferação de cones e cavaletes para bloquear cruzamentos.

O que seria um recurso emergencial e temporário da CET (Companhia Engenharia de Tráfego) já se consolidou no cenário fixo de ruas locais a grandes avenidas centrais, como a Rio Branco, ameaçando motoristas e pedestres.

Por lá, num trecho de apenas 700 metros, mesmo com a presença de corredor de ônibus, quatro vias transversais eram bloqueadas nos últimos dias por cones e cavaletes devido à pane semafórica.

"Por aqui, se o semáforo funcionar, os motoristas até se espantam. Estão acostumados a passar reto mesmo", afirma Carlos Silva, 60, operador de estacionamento.

Além de inviabilizar a travessia em alguns momentos, a desordem no trânsito se espalha: motociclistas fazem manobras bruscas para desviar de cavaletes; até um carro da Polícia Civil foi visto pela reportagem subindo no canteiro central para driblar a sinalização improvisada.

"Parece que a prefeitura prefere colocar um cone em vez de arrumar o problema", desabafa o taxista Claudinei dos Santos, 38, diante da mesma situação perto dali, no largo do Arouche (centro).

"Vira e mexe alguém chuta o cone, joga pra lá. A gente vai e coloca ele no lugar de novo", diz Carmelita Nunes, 32, funcionária de uma banca de jornal, sobre o cone que substitui há meses o semáforo na esquina da rua das Palmeiras com a Martim Francisco, em Santa Cecília, no centro.

Até na Jacu-Pêssego (zona leste), uma das dez avenidas com mais mortes no trânsito em 2016, havia bloqueio com cones e cavaletes da CET na altura da rua São Francisco do Piauí para desviar os ônibus na última semana.

"A avenida é muito movimentada, e nesse trecho não há radares. Motorista e pedestre têm que disputar espaço para atravessar", reclamava a empresária Helma Zaia, 42.

TROPEÇOS

A gestão Doria diz que a contratação dos serviços de manutenção dos semáforos está a caminho, mas não fixa prazo para a retomada dos trabalhos e diz que a situação é agravada pelo furto de cabos.

O primeiro edital foi divulgado pela CET apenas em março –a cidade já vivia problemas diários com semáforos desligados desde janeiro. O valor estimado da contratação era de R$ 67 milhões.

O processo, porém, sofreu 13 questionamentos do TCM (Tribunal de Contas do Município) e acabou suspenso. Entre as falhas, a falta de detalhamento dos serviços prestados e como eles seriam pagos.

Nas ruas dos Gusmões e Vitória, os bloqueios com cones tiveram impacto até no fluxo de compradores no comércio de eletrônicos da região da Santa Ifigênia, no centro.

"O cliente que passaria do lado da minha loja, com o bloqueio, vai parar no meio da Santa Efigênia. Fico aqui isolado", disse o comerciante Pedro Luiz de Lima, 57. "Isso é centro de São Paulo, mas a minha rua parece de bairro."

Nenhum comentário :

Postar um comentário

Web Analytics