segunda-feira, 26 de junho de 2017

Pesquisas favoráveis geram "triunfalismo na derrota" no PT

Luis Felipe Miguel 

Ontem, uma pesquisa Datafolha indicou expressivo crescimento da simpatia pelo PT. Hoje, os números mostram que prossegue a liderança de Lula para as eleições presidenciais. À direita, Marina Silva continua em queda, Bolsonaro sobe e a opção mais viável parece ser Sérgio Moro - que, no entanto, não é uma opção, pois todos sabem que não teria condições de enfrentar o debate.

Pesquisas de opinião, como a que mede a popularidade dos partidos, precisam ser interpretadas "cum grano salis". E pesquisas de intenção de voto sem campanha na rua dizem muito pouco. Ainda assim, parece claro que o desastre do governo golpista está gerando um efeito bumerangue na demonização do PT.

O problema é que essa situação fortalece aqueles que, dentro do PT, se fecham à discussão sobre os limites das políticas adotadas pelo partido. Como se as pesquisas mostrassem que, afinal, tudo sempre esteve certo - e o golpe e o retrocesso fossem apenas um desvio fortuito e desprezível. Vejo essa posição em militantes, dirigentes e intelectuais, gerando o curioso fenômeno do "triunfalismo na derrota".

A presidente do PT, senadora Gleisi Hoffmann, disse que o partido não faria autocrítica - como se "autocrítica" fosse uma imolação pública, não a culminação de um debate necessário para aprender com o passado. Outros falam que essa é uma questão interna, a ser resolvida sem a participação de grupos de fora do partido - como se o PT, pela centralidade que teve na esquerda brasileira, não precisasse dialogar com o conjunto dela, em particular com os movimentos sociais aos quais pretendeu um dia dar voz.

Um comentário :

  1. Tem toda a razão meu amigo, sou filiado ao Partido, desde os anos 90... É imprescindível que se faça uma auto análise do que ocorreu nesses últimos anos, quem se compromete em trabalhar para que a população tenha uma significativa melhora nas suas condições sócio econômica, como de fato ocorreu, não pode paralelamente se deixar envolver em transações, que de maneira alguma possam macular o passado de tantas lutas contra o que de errado víamos em nosso país....Certamente que há um anacronismo em todo esse tempo em que o PT governou o país, pois se a população pode obter conquistas e avanços sociais e econômicos, como nunca antes havia conquistado, teve que conviver ultimamente com um volume imenso de surpresas indesejáveis no campo político, pois o envolvimento dos homens públicos, sem importar o partido, sem importar se é de esquerda ou de centro, foi devastador, sabíamos que acontecia as tais doações, mas o buraco era bem mais fundo do que pensávamos. A degradação moral também é um mal constante em nosso cotidiano, esse último episódio, do presidente da comissão de ética do senado, dizer que no caso do Sr. Aécio Neves, tudo está dentro do normal, só nos leva a uma conclusão, ou a propina virou coisa normal, ou a comissão de ética está cumprindo o acordo de colaboração Aécio / Temer....Seu partido livra o meu é nós livramos o seu.....

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