sexta-feira, 30 de junho de 2017

Paulo Nogueira, presente

Leandro Fortes

PAULO NOGUEIRA, PRESENTE

Acordo e levo uma bofetada: o grande jornalista Paulo Nogueira, criador do Diário do Centro do Mundo, morreu, após uma batalha de 10 meses contra o câncer.

Não estou apenas triste, estou com raiva. Paulo não podia nos faltar, nessa hora. Porque ele, com seu texto impecável e com essa capacidade de emoldurar os fatos, um talento dado somente a jornalistas de verdade, era fundamental nessa luta que travamos contra o fascismo e o monopólio da mídia.

Os textos de Paulo Nogueira elevaram essa discussão a um nível intelectual extremo, dentro de uma construção crítica que servia de base, diariamente, para uma reflexão coletiva sobre o País - a política, a economia, a ética e, principalmente, o jornalismo.

No DCM, Paulo criou uma trincheira feroz para a defesa do bom jornalismo. Era sua missão de vida. Com ele, muitos de nós renovaram a fé no ofício, justamente quando estão em evidência os piores jornalistas - e o pior do jornalismo - de todos os tempos.

Nunca conheci Paulo Nogueira, pessoalmente. Nos falamos por telefone, trocamos mensagens pelo WhatsApp e alguns emails, desde que ele estava em Londres, até voltar para o Brasil, há uns poucos anos.

Ainda assim, tornou-se uma presença essencial na minha vida de jornalista.

Nossa missão, agora, é fazer valer a sua luta.

Adeus, camarada.

Um comentário :

  1. Em homenagem ao admirável e talentoso Paulo Nogueira, mais uma vez deixo duas poesias que fiz há anos mas que agora uso pra registrar minha tristeza e estima pela perda de tão maravilhoso e íntegro jornalista no país.

    Soneto de uma forte despedida

    É uma pena essa sensação de dor
    Ao mesmo tempo, é algo bem complexo
    Será que quem vai nos retira o calor?

    Desespero pela breve despedida
    Vem o ósculo, o último amplexo
    Tristeza, viagem sem volta: só ida.

    Curtas lembranças, alegre momento
    Efemérides sim, deveras saudáveis
    TV na mente, a vida em pensamento
    Nostalgias felizes, pra sempre duráveis.

    Perene regozijo, porém acaba
    Contente se vai, só resta a saudade
    Amigos, passado, qualquer um se gaba
    Lembrança não apaga, felicidade.


    Soneto da morte, que todos alcança

    E a morte que vem a todos alcança
    Ao velho ao novo, a todos atinge
    Nos pega na mão, nos leva em sua dança.

    Ao homem, mulher, aos bichos leva assim
    Por mais que se fuja, por mais que se finge
    Tormento é a morte, o medo sem fim.

    A queda, idade, o golpe ou coice
    As causas são tantas, difícil é prever
    Fantasma do fim, nos toca em sua foice
    Então o mistério pós-vida ao morrer.

    A morte não é má, tampouco é do bem
    Iguala a todos, sê fraco ou forte
    Destino final, por isso é o além
    Que venha, ó negra, princesa da morte.

    GFS - Guilherme Franco e Silva

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