quinta-feira, 22 de junho de 2017

Os canalhas e suas canetas

Carlos D'Incao

Estamos há alguns dias para a decretação da condenação ou inocência de vários personagens centrais da História política nacional.

Após os canalhas do TSE usarem suas canetas para dar sobrevida ao presidente Temer, paira no ar o sentimento de que tudo é possível nesse país, com a exceção da continuidade do Estado de Direito.

Em breve teremos a decisão de Moro sobre o caso do Triplex de Guarujá. Qualquer estudante de Direito sabe que as provas juntadas pelo Ministério Público são insuficientes… até mesmo patéticas…

Lula, sob o ponto de vista formal da lei, deveria ser inocentado (a bem da verdade, nem mesmo deveria ter respondido a esse processo criminal, aberto diante da “convicção” de promotores que não se envergonham de se declararem anti-petistas).

Mas, suponhamos que o canalha de Curitiba resolva usar sua caneta para condenar Lula... Uma massa reacionária e despolitizada poderá até festejar esse resultado. Mas na prática, uma condenação de Lula será a decretação do fim do Direito Criminal como o concebemos.

E esse é um dos grandes problemas da grande mídia e da direita brasileira: elas não pensam no que será do país depois desses abusos e perseguições políticas. Uma das bases do Direito é a jurisprudência. Uma condenação de Lula abrirá margem para que em todo o país qualquer pessoa possa ser processada e condenada sem qualquer prova, em casos sem pé nem cabeça.

Vejamos bem: caso Lula seja condenado, o que ele fará com sua sentença? Pois a mesma dirá que ele foi condenado por ser o proprietário legítimo de um Triplex em Guarujá. Bom… Com essa sentença na mão, Lula se tornará enfim proprietário desse imóvel? Poderá ao menos ter as chaves do Triplex? Claro que não… Pois ele não pertence a Lula!

Conclusão: Lula será condenado por possuir algo que ele não possui…

Se essa aberração jurídica é possível de acontecer, o que qualquer advogado desse país deverá se questionar é: “Para que serve o exercício da advocacia?”. Afinal, a defesa de Lula não apenas provou a inocência de seu cliente, como acabou esse longo processo apenas ouvindo, por parte do Ministério Público, testemunhas que falavam - sem provas - de que o apartamento era de Lula… Nada mais...

No fim, concluímos que se o canalha de Curitiba canetar Lula como culpado, teremos - para aqueles que possuem um pingo de capacidade reflexiva e conhecimento jurídico - uma prova de que a Justiça não existe mais no Brasil - não apenas no nível criminal, mas em nenhum nível…

Agora vejamos o caso de Aécio Neves… As provas são contundentes, robustas, filmadas, grampeadas, documentadas, com direito a chip nas notas do dinheiro da corrupção… Trata-se quase de um caso de prisão em flagrante…

E o que acontecerá se os canalhas do STF usarem suas canetas para negarem o pedido de prisão? Na prática isso será a legalização do crime de corrupção…

Segundo esse critério, porque qualquer pessoa que tenha roubado - de alguns trocados à milhões de reais - deve estar na cadeia preventivamente? A Polícia Federal utilizou os mesmos métodos que se vale para prender traficantes, estelionatários, golpistas… E todos eles foram presos preventivamente e depois processados…

Caso Aécio não seja preso, o que teremos é um mar de pedidos de habeas corpus de milhares e milhares de corruptos que estão presos a espera de um julgamento. Nada mais que justo… Pois Aécio não é mais “cidadão” do que os demais cidadãos brasileiros…

As anomalias que os canalhas e suas canetas estão causando no Brasil são gigantescas e contínuas. Elas estão criando, em prejuízo de todo o poder Judiciário, a sua perda total de credibilidade. E isso gera uma cicatriz profunda em nossos valores de cidadania… afinal como acreditar em um país onde nenhum poder tem qualquer credibilidade?

Já somos um país internacionalmente conhecido como o “país da injustiça”. Temos o triste recorde de nação que mais promove justiçamentos e linchamentos no Mundo inteiro.

Nos próximos dias os canalhas e suas canetas poderão, com suas "sábias decisões" tentar apagar fogo com gasolina... e isso incendiará toda a nação.

O que almejam, afinal, esses canalhas? Não possuem eles o mínimo de raciocínio? Vão condenar e inocentar políticos para dar “confiança ao mercado”? Então é o mercado financeiro quem julga e condena agora no nosso país? E quem disse que o mercado se animará com um país onde canalhas incendeiam o seu próprio povo? O mercado estará animado em investir em uma nação onde uma iminente convulsão social, sem precedentes, está prestes a ocorrer?

Os canalhas e suas canetas vão aos poucos conduzindo, por linhas tortas e gestos obscuros, toda a nossa nação rumo a águas tempestuosas, onde habita um monstro que todos eles temem em seus pesadelos, mas que existe de verdade e está sempre ali, pacientemente, a espera de seu glorioso momento: trata-se do monstro da justiça popular e revolucionária.

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