domingo, 4 de junho de 2017

O ocaso do bandido

Francisco Costa


O único setor da criminalidade onde bandido envelhece é na política.

Examine o fichário da sua memória e constate que na criminalidade de baixo nenhum nunca se aposentou, vítimas de “manos” com os quais se desentenderam, das facções rivais, dos policiais honestos que cumpriram com o dever, prendendo-os ou matando-os, em trocas de tiros, legitimamente, e dos policiais desonestos, que têm a necessidade de queimar arquivos onde constam.

No banditismo político envelhecem por dois motivos: seus crimes não são de sangue e a disputa entre as facções são feitas por acomodações, rearranjos e partilhas, e não pela tentativa da extinção da facção rival.

Isto justifica os senis na política.

As exceções são Aécio Neves e mais uns poucos, que não fizeram distinção entre os crimes comuns, padrão PCC e CV, e os crimes políticos, transitando entre eles com desenvoltura, certos da impunidade.

Menos que os mineiros, os brasileiros sabem, sempre souberam, os melhores informados, que Aécio é um gangster.

Se na criminalidade do andar de cima os débitos serão cobrados na forma de processos, multas, devolução do roubado e cadeia, no andar de baixo a cabeça do “mano rico” também ficou a prêmio.
No andar de baixo, por concorrência desleal, ele fez inimigos - e muitos, na mídia estadual, que nunca reagiu, por medo do poderio político e econômico do “cappo”.

Na polícia e na bandidagem narcotraficante a sua posição ficou pior ainda, e por muitos motivos, entre eles o fato de, tendo o poder diminuído, ser substituído na hierarquia, o que demandará a eliminação dos concorrentes. 

Por ter propinado poderosos e “pés de chinelo”, tornou-se arquivo a ser queimado.

Com a perda de poder, o seus próprios cúmplices disputarão o espólio e, por conhecê-lo bem, terão as armas adequadas para neutralizá-lo.

Parece que exagero, mas depois das denúncias do policial Arcanjo, “suicidado” na forca; de dois aeroportos construídos fora das rotas comerciais, mas na rota do narcotráfico; da prisão, depois relaxada por um juiz corrupto, nomeado por Aécio, por produção e venda de cocaína; da confissão de Perrella, um sócio e lavador do dinheiro sujo de Aécio, “não faço nada de errado, só trafico drogas”; do telefonema entre ele e Joesley, quando ele afirmou que “tem que ser alguém que a gente mate, antes da delação”; do contrabando de Nióbio, que demanda a cumplicidade remunerada de muitos poderosos, agora sentindo-se ameaçados; da descoberta de ossadas humanas enterradas em suas fazendas... Aécio é cabeça a prêmio no submundo também.

Com ele fora de circulação, defendendo-se no STF, os jornalistas mineiros perderão o medo e começarão a falar e redigir; os bons policiais reagirão aos que foram arregimentados pela quadrilha de Aécio; outras facções de policiais, que concorrem com os negócios da máfia Neves, partirão para o ataque.

No momento, das três facções mais fortes no Brasil, a Neves é a que está mais vulnerável, o CV e o PCC tiveram o juízo de comprar autoridades, ao invés de se tornarem autoridades, um ato de sabedoria: o uso de muitos aviõezinhos (menos graduados no crime) funciona melhor que aviãozão único.

Esquadrilha de um avião só é abatida com um míssil só.

Marcola e Beira Mar estão presos, mas o PCC e o CV estão ativos, com os líderes substituídos, porque estruturas com o poder distribuído.

Com Aécio preso a estrutura cai.

Será que Aécio terá tempo para aprender isso?

Espero que a Secretaria de Segurança Pública, onde funcionou o QG da criminalidade mineira, nos governos de Aécio e Anastasia, investigue tudo o que aconteceu naquele estado, nos negros anos do PSDB por lá, até como proteção ao Anjinho das Alterosas, pondo-o na cadeia, antes que ex-cúmplices e concorrentes o mandem para outro lugar.

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