quinta-feira, 8 de junho de 2017

Judiciário é um desfile bizarro de literatices e mediocridade

Moisés Mendes

ELEFANTES NA SAVANA

Se usasse a metáfora do avestruz em uma redação do Enem, o ministro Luiz Fux seria vaiado pelos avaliadores. Essa do avestruz deveria ser proibida em quaisquer circunstâncias. É antiga, é pobre, infantil, simplória.

Mas Fux a usou e ganhou manchetes na TV como se fosse nosso Camões: 

– Nós somos uma corte. Avestruz é que enfia a cabeça no chão.

O mesmo Fux já usou a frase feita “passar o país a limpo”, que poderia acionar um choque em quem a repetisse como se fosse grande coisa.

O julgamento no TSE promove um desfile bizarro, e ao vivo, de literatices variadas. 

Políticos, advogados, promotores, juízes e tribunos em geral sempre foram autores de tiradas literárias, mesmo que levadas prontas de casa. Isso não existe mais.

Cantadores de cordel do Nordeste e trovadores gaúchos devem estar envergonhados com o que estão vendo e ouvindo.

Ministros de peruca definem máfias de corruptores como manadas de elefantes nas savanas (ah, nossas belas savanas de Viamão), outros continuam associando corrupção a doenças (câncer, tumor, metástase). É a mediocridade togada. 

O golpe, a Lava-Jato e seus puxados e anexos conduziram o Brasil a essa antologia de tolices jurídicas e ‘literárias’.

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