quarta-feira, 7 de junho de 2017

Direita reacionária tenta proibir liberdade de cátedra em Santa Catarina

Autodefinição: "professora de história, cristã e reacionária" 







Processo contra professora Marlene de Fáveri é insanidade

Docente da Udesc, que leciona História e Relações de Gênero, é processada por abordar questões do feminismo em sala de aula

Carlos Damião

 Algo que deveria ser tão óbvio - a liberdade de cátedra - transformou-se numa batalha insana, sem qualquer justificativa plausível. O processo movido pela estudante Ana Caroline Campagnolo contra a professora Marlene de Fáveri, da Udesc, é um episódio kafkiano, que não faz sentido na modernidade. Faria nos tempos da Idade Média, da Santa Inquisição; também no período em que o fascismo se impôs na Alemanha, na Itália, na Espanha. Ou durante a ditadura civil-militar brasileira, entre 1964 e 1985.

Há manifestações se espalhando pelo país em solidariedade a Marlene, doutora em História, historiadora e docente respeitada nos meios acadêmicos brasileiros. Na raiz do conflito está um ponto absurdo: a discussão em sala de aula de questões envolvendo o feminismo. Algo que não deveria provocar qualquer estranheza, porque a disciplina lecionada por Marlene é História e Relações de Gênero. Mas Ana Caroline acusa Marlene de "doutrinação ideológica", alegação no mínimo estapafúrdia, já que o curso de História tem abrangência que extrapola as limitações da mediocridade intelectual.

A ex-aluna tem o apoio de militantes do sinistro movimento Escola Sem Partido, que é um segmento da facção de extrema-direita MBL (Movimento Brasil Livre), responsável, com outras facções, pelas manifestações contra a presidenta Dilma Rousseff, eleita em 2014 e afastada do cargo em 2016. Há relatos de que, após uma audiência no Tribunal de Justiça, nesta terça, 6/6, em Florianópolis, simpatizantes da ex-aluna teriam saído aos gritos de “Bolsonaro! Bolsonaro!”. Sendo tal fato verdadeiro tem-se a exata medida da insensatez e da estupidez com que esse caso vem sendo conduzido. A esperança é de que o Judiciário arquive essa insanidade. No portal Catarinas (aqui) você encontra mais informações sobre o caso.

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