domingo, 25 de junho de 2017

As palestras pagas de integrantes do Judiciário são moralmente insustentáveis


Moisés Mendes

O Ministério Público saberá lidar com a controvérsia das palestras de Deltan Dallagnol. Reações corporativas exaltam a honestidade do procurador e argumentam que dar palestras é bom para todos. Inclusive as pagas, que devem ser boas para Dallagnol.

Para alguns, seria melhor ainda se o palestrante, pessoa pública, não passasse a abordar, por antecipação, resoluções que ele mesmo irá adotar como acusador de um caso contaminado pela política.

Eu fiquei em dúvida sobre a história das palestras, até ler a entrevista que o desembargador Carlos Eduardo Thompson Flores Lenz, novo presidente do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, de Porto Alegre, concedeu ao Fabio Schaffner, na Zero Hora. Transcrevi ontem e transcrevo hoje de novo este trecho que me alumiou a mente:
“Houve um caso que chegou ao Conselho Nacional do Ministério Público por causa das palestras dos procuradores. Creio que essa situação deve ser repensada, inclusive com relação a magistrados. Meu avô foi ministro do Supremo durante 13 anos e nunca deu palestra remunerada. Acho inadmissível palestra remunerada. Quem tem problema de dinheiro, gosta muito de dinheiro ou está mal de dinheiro, não pode ser juiz da Suprema Corte. Não é forma de aumentar renda”. 
O desembargador se refere a Dallagnol e a Gilmar Mendes. Então, para encerrar a conversa: não adiante ficarem dizendo que as palestras são legais e que os cachês são doados (ninguém sabe ainda pra quem).

As palestras pagas são moralmente insustentáveis.

Nenhum comentário :

Postar um comentário

Web Analytics