quarta-feira, 7 de junho de 2017

A síntese do mal

Nelson Nisenbaum 

Eu fico impressionado ao ver como determinados detalhes da história são deixados de lado, ultrapassados como se nada representassem ou revelassem da verdadeira natureza das coisas e pessoas. Por isso, deixo aqui um registro do que testemunhei e estou testemunhando como cidadão brasileiro.

Aécio Neves, ex-candidato à Presidência da República do Brasil, senador da República, ex-governador de um dos maiores e importantes estados brasileiros, neto de Tancredo Neves, confessou - ou simplesmente afirmou, com objetivos escusos - que iniciou a ação no TSE contra a chapa Dilma-Temer “apenas para encher o saco”.

A alegação pode ou não corresponder à verdade. Em não sendo verdadeira, agiu o presidente do PSDB com o intuito verdadeiro de anular uma eleição por motivo de vícios que mais do que sabidamente contaminam as eleições em todos os níveis da República, como sempre foi de mediano saber dedutivo e hoje de amplo saber factual. A resultante de suas ações recai hoje sobre o governo apoiado pelo PSDB e sobre o próprio PSDB, engolido pelo dilema ético de apoiar ou não um governo que mal consegue por o periscópio acima da linha do pântano. Não bastasse isso, como efeito colateral da Lava-a-jato seu nome e o do PSDB terminaram por denunciados pelos mesmos vícios que tanto denunciaram nesta seara e em todas as outras.

No caso de corresponder à verdade, Aécio provocou a instância eleitoral máxima com o único objetivo de tumultuar o processo político e jurídico, abusando das instituições com interesses pessoais e de forma pueril, nos seus piores aspectos.

Em ambos os casos, ou seja, verdadeira ou não a sua pretensão de “encher o saco” revela um conjunto nada admirável de conjunturas no seu partido e na sua personalidade. Quanto ao partido, que permitiu tamanha delinquência sem qualquer moderação, deixa exposto assim o grau de autoritarismo de suas instâncias, que dedicam sua obediência e hierarquia ao seu mandante máximo, em padrões fascistóides, para dizer o mínimo. Como se não bastasse, expõe ainda a incapacidade do autor e de seus asseclas em calcular os possíveis rumos e consequências de um processo dessa ordem na estabilidade de nossa frágil democracia.

Quanto ao caráter do indivíduo, trazido hoje à realidade tudo o que se sabia de antemão “em off”, nem resta mais o que se discutir. Estamos tratando com o mal, esta é a síntese. Suas ações derivam unicamente de seus instintos e interesses pessoais, por sua vez governados por sentimentos primitivos e regressivos. Os tratados de psicopatologia dão conta de explicar melhor que eu. 

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