segunda-feira, 29 de maio de 2017

Versão tupiniquim de House of Cards


Claudio Guedes

Zombaria

Vejo que o ministro da Justiça nomeado no domingo, 28/05, pelo presidente Michel Temer, o governante flagrado em meio a negociatas comprometedoras, é advogado e pós-graduado na Universidade de Michigan.

Mas não foi por sua formação que Torquato Jardim foi indicado ministro. E sim por sua ligação e conhecimento do modus operandi do Tribunal Superior Eleitoral onde foi ministro por longos anos (1988-1996). O TSE é uma das cortes onde o destino de Michel Temer será em muito breve decidido.

O presidente postiço, produto de uma farsa constitucional, é entretanto um mandatário coerente. Com ele a liturgia e o comportamento republicano que se devem esperar de alguém que ocupa a presidência da República se resumem a uma postura démodé ensaiada e um jogo de mãos irritante. 

Seus métodos políticos são tão arcaicos quanto.

A corrupção é tratada no próprio palácio oficial que o hospeda, seus assessores diretos suspeitos de corrupção são ministros porque necessitam de blindagem, seu novo ministro da Justiça é nomeado não para ser um elo de interlocução do poder executivo com o poder judiciário, mas alguém para usar sua influência & conhecimento para "livrar" o presidente dos problemas que enfrenta com a justiça. 

Seu assessor de confiança para assuntos de grana & aposentadoria foi guindado ao Congresso Nacional pela nomeação de um "ninguém" ao ministério da Justiça. E agora a ida do inexpressivo deputado federal Oscar Serraglio para o ministério da Transparência mantém o foro privilegiado do deputado afastado pelo STF, Rodrigo Rocha Loures, que é suplente de Serraglio no estado do Paraná.

Parece mentira, um roteiro da versão tupiniquim de House of Cards, mas não é: é isto um resumo do desgoverno Temer. O detalhe é a rejeição de mais de 90% da população à sua presença no Planalto.

Mas ainda não acabou. Tem mais.

O novo ministro da Justiça nomeado, o advogado Jardim, disse, em entrevista à Folha de hoje, 29/05, que ele como "jurista" não se preocupa nem um pouco com o fato de que temos pela primeira vez um presidente da República alvo de um inquérito no STF. E negou que temos uma crise política no país, uma crise de legitimidade política que atinge diretamente o presidente da República e seu governo. Negou simplesmente. Disse que a crise é só na economia.

Como diria aquela modelo muito bonita: é isso que temos "para o dia", ao que eu posso acrescentar: é isso, é essa "coisa" que temos agora no ministério da Justiça.

Está fácil?

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