sexta-feira, 26 de maio de 2017

Uma semana na vida do gestor João Doria

Guilherme Assis 

Em uma semana, a gestão João Doria:

1. Realizou uma mega-operação violenta na Cracolândia durante a virada cultural, colocando em risco a integridade tanto das pessoas que moram na região quanto de quem estava curtindo um show.

2. Desrespeitou propriedade privada de maneira flagrante, fechando e demolindo empreendimentos (bares, hotéis, pensões, padarias) cujo "crime" foi "existir na Cracolândia".

2.1. Em uma dessas demolições tinha gente dentro do prédio a ser derrubado, gente que ficou ferida.

3. Declarou que "a Cracolândia acabou", para ser imediatamente desmentido por todos os relatos possíveis, que dizem que os viciados apenas migraram para ruas próximas, e que as novas cracolândias estão dobrando de tamanho.

4. Foi à justiça exigir o poder para internar compulsoriamente viciados - o que ele quer é poder sequestrar e prender gente na rua, sem autorização do judiciário (ou seja, sem que um juiz analise caso a caso), segundo a opinião de "conselhos médicos" subordinados a ele. Ou seja, ele quer o poder de prender gente sem devido processo legal, um flagrante desrespeito dos direitos individuais. O judiciário e o ministério público estão contra essa atitude.

5. A cereja do bolo: os viciados acolhidos em um centro emergencial pós "fim da Cracolândia" foram ENVENENADOS por comida ESTRAGADA. A prefeitura expulsou esse pessoal de onde eles moravam, teoricamente para "ajudá-los", e aí deu comida podre pra eles. A justificativa do governo até agora é "uma empresa terceirizada que fornece o marmitex... a culpa não é nossa".

Não vou julgar Doria pela minha métrica, mas sim pela dele: a da gestão. O prefeito quer projetar uma imagem moderna, de administrador dinâmico, eficiente, competente. Além disso, afirma que representa o trabalhador, o empresário, certos direitos liberais.

Bom: sua tentativa de solucionar um problema - a Cracolândia - aparentemente só piorou a situação. A inépcia na operação feriu gente ao demolir um prédio com gente dentro. Nesse meio tempo, a operação desrespeitou direitos de propriedade - ao demolir e atacar empresas - e individuais - ao buscar internar pessoas sem devido processo legal.

Segundo a própria visão de Doria, as últimas ações da gestão Doria são um tremendo fracasso. Atitudes autoritárias, violentas e, ainda assim, INEFICIENTES. Nem na hora de dar comida pras pessoas eles acertaram - e Doria, como gestor, sabe que "a culpa é da empresa que eu contratei" nunca vai ser uma justificativa válida.

Resta agora aguardar para ver se Doria vai cumprir mesmo suas promessas de eficiência e gestão, ou se vai se agarrar à violência truculenta e estúpida típica de qualquer caudilho autoritário, porque o que importa é "mostrar serviço e mão forte", mesmo que isso só gere resultados ruins.

(Dica: a opção pessimista costuma ser a mais provável).

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