sábado, 20 de maio de 2017

Retirar Temer do cargo que usurpou é uma necessidade para a reconstrução da democracia

Luis Felipe Miguel 

Tenho visto várias pessoas, algumas até que eu respeito muito, preocupadas com a possibilidade de um afastamento apressado de Michel Temer da presidência. Seria uma reedição do golpe contra Dilma, ferindo a Constituição, sem a comprovação exaustiva dos fatos etc. etc.

Existe, porém, uma diferença básica entre Dilma e Temer. Ela era a presidente da República, escolhida pelo voto popular. Ele é um golpista. Não vamos fingir que é um governante legítimo. Retirá-lo do cargo que usurpou é uma necessidade para a reconstrução da democracia.

Esse mesmo raciocínio formalista leva à impugnação da bandeira das diretas - afinal, a Constituição diz que, depois do segundo ano do mandato, quem escolhe é o Congresso.

Mas se fosse mesmo para seguir a Constituição, o único caminho era desfazer o impeachment, anular todas as medidas de Temer, chamar Dilma e devolver a presidência a ela, com um pedido de desculpas ("foi mal a lambança aí"). Como essa solução não se apresenta no reino das possibilidades factíveis, o jeito é devolver a bola para o povo e reafirmar o compromisso com a democracia.

As diretas podem não estar previstas na Constituição, mas sem diretas não vai sobrar Constituição pra gente defender.


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