sexta-feira, 26 de maio de 2017

O que move Moro, o bipolar?

Francisco Costa

Excetuando próprio Moro, Eduardo Cunha e Cláudia Cruz, ninguém neste país seria capaz de apostar que ele absolveria a zoiudinha, tanto que o Ministério Público está recorrendo da premiação à corrupção, digo sentença.

O dinheiro que estava na conta da gentilmente absolvida saiu do Brasil legalmente, pagando impostos?

A resposta é não, então houve evasão de divisas, segundo o juiz, por ingenuidade ou imprevidência dela, coitada, realmente inocente.

A conta estava no nome dela, o que quer dizer que só podia ser movimentada por ela ou com a anuência dela, por procuração, titular da conta, o que caracteriza o crime, mas o juiz afirmou que quem movimentava a conta era Cunha, o que faz dela uma laranja.

Se se prestar a laranja não caracteriza crime, todos os laranjas que este juiz mantém preso devem ser soltos, a lei é ou deveria ser igual para todos.

Carlos Fernando do Santos Lima, um dos procuradores da Força Tarefa de Moritiba, justificou a sentença creditando ao “coração generoso de Moro”, mais uma figura jurídica nascida no limbo do Judiciário brasileiro: “generosidade do juiz”.

Para Moro, Cláudia foi ingênua ao não perceber que ter gasto mais de um milhão em futilidades deveria ter desconfiado que isto não poderia ter vindo do salário do marido, foi imprudente ao não perguntar ao marido de onde vinha tantos milhões em suas contas, em não desconfiar que os milhões que a sustentava nas lojas de roupas, jóias, hotéis e restaurantes mais caros do mundo não se encaixavam nos rendimentos do marido... Muito ingênua mesmo, muito imprevidente, mas o que esperar de uma mulher simples, doméstica, de pouco estudo, só jornalista na Globo?

Não houve dolo, só inocência.

Procurando mais evidências dessa generosidade de Moro, vamos encontrá-la nas mordomias dadas a Eduardo Cunha, na hospedagem na cadeia e nas sentenças, generosas, minguadas, para a gravidade dos delitos cometidos, a mesma generosidade que ele usou com Youssef, o doleiro do Banestado e da Lava Jato, já em casa, o bom menino; a mesma generosidade que o fez ver como peraltices de amigo excêntrico os crimes de Aécio Neves...

Só que Moro é, no mínimo, bipolar, quando a sua generosidade se manifesta na forma de cruéis perseguições, garimpagem de provas inexistentes, transformação de convicções políticas em provas jurídicas, em manifestações de ódio explícito, vazando seletivamente informações que logo se mostram sem fundamentos, impondo a humilhação, quando transforma conduções coercitivas e prisões preventivas em cenas hollywoodianas, nos telejornais, sem poupar nem o luto alheio e a memória de mortos.

É preciso que o Conselho Nacional de Justiça – CNJ, o órgão competente, comece a entender essa bipolaridade de Moro, de aos amigos favores, aos inimigos, mais que os rigores da lei, a perseguição, talvez até para melhor entender tanta generosidade com Eduardo Cunha, coincidentemente quando ele ameaçou delatar gente do Judiciário e recebeu semanalmente uma ajuda de custo de quinhentos mil reais.

E por falar nisso, já descobriram quais são os dois juízes que o empresário Joesley Batista Friboi afirmou ter nas mãos?

Esses meninos são muito enrolados, vão acabar canonizando Aécio Neves, por relevantes serviços prestados no transporte de mercadorias em helicópteros, e prendendo Lula, por sonegação de um dedo.

Quando eu era menino, tinha um cantor chamado Miltinho, que cantava:

“Cara de palhaço, pinta de palhaço,
Foi este o meu amargo fim...”

Às vezes me sinto assim.

Um comentário :

  1. O problema do Moro são os holofotes.
    Talvez se apagarem as luzes, ele acorde.

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