sábado, 27 de maio de 2017

O demente de cashmere

Bruno Torturra

Depois de violentar, tirar os pertences, demolir suas casas, romper o pacto de confiança que havia entra a prefeitura e a população de rua da cracolândia, empurrar comida podre a eles, João Dória vai sequestrá-los para clínicas de abstinência forçada e zero eficácia.

É hora de parar com piadinhas, memes e ironias com a pecha de gestor ou playboy. E suspeito que não seja mais a hora de xingar e ecoar suas ações, mas achar formas de explicar algo - na vida analógica mesmo - para quem ainda vê nele algo novo ou positivo.

Que a gente seja capaz de traduzir o que Dória representa de fato: a extrema direita populista no poder. De explicar que ele posa de Bloomberg, mas não passa de um Trump.

E aí não vai adiantar colocá-lo em oposição à esquerda, simplesmente. Esse é seu melhor, senão único jogo para crescer. Temos que colocá-lo é como um extremista diante da social democracia que ele finge representar. Como um extremista diante dos princípios mais fundamentais do liberalismo. Um extremista perto de consensos mínimos mesmo dentro da polarização.

Se São Paulo, então o Brasil, não entender esse radicalismo e a morbidez de suas ações e projeto, esse monstro vai longe.

E o PSDB, que a esse ponto é o partido que mais estuprou seu já medíocre passado, deveria vasculhar uma gaveta mofada no IFHC atrás de alguma vergonha e colocar um freio nesse demente de cashmere.

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