segunda-feira, 22 de maio de 2017

Não há saída fora das Diretas Já

Luis Felipe Miguel

A proposta de Fernando Henrique, diz reportagem n'O Globo online, é arranjar uma "saída controlada" para a crise: a substituição de Temer por um nome de "consenso". As disputas ficariam adiadas para 2018. O ex-presidente teria mandado Nelson Jobim discutir a questão com o PT.

Muito sensato, claro. Mas o problema é que, nas atuais circunstâncias, a "saída controlada" significa congelar a política brasileira no pós-golpe.

FHC e outros operam como se o problema fosse que Temer perdeu a legitimidade para exercer a presidência. Mas o problema é outro; é que Temer jamais teve essa legitimidade. A crise atual é um desdobramento do golpe e sua solução passa necessariamente pela reversão do golpe.

Não sei como o PT reagirá à proposta. Alguns próceres do partido têm dado sinais ambíguos, usando uma linguagem de "Estado de direito" de um modo que o golpe tornou anacrônico. Parece que aquele vontade de ser aceito como par na távola redonda da política tradicional brasileira, como diria o próprio Temer, ainda não foi enterrada.

Espero que a vinculação com o campo popular e democrático fale mais alto. Do nosso lado, a solução fernandista não tem nenhum apelo. O "nome de consenso" que FHC procura é o do consenso entre as elites; a preocupação é impedir que o povo se manifeste. Mas é o contrário: as saídas que excluem as maiorias não servem. Uma vez que a solução estritamente constitucional é politicamente inviável (a devolução da presidência à escolhida pelo eleitorado em 2014), a única saída é #DiretasJá.

Nenhum comentário :

Postar um comentário

Web Analytics