quarta-feira, 24 de maio de 2017

Há quatro anos, éramos uma Nação; hoje, somos as ruínas de uma

Pablo Villaça

BRASIL, UM PAÍS DE BRINQUEDO

Taí. Não falta mais nada. Hoje, dia 24 de Maio de 2017, o "presidente" da república, Temer, o Pequeno, acabou de anotar seu nome nos livros de História como uma das figuras mais nefastas que o Brasil já gerou.

Depois de ajudar a derrubar uma presidenta eleita por 54 milhões de pessoas e tomar seu lugar, ele já havia adotado um programa de governo defendido por aqueles derrotados nas urnas, deu início a "reformas" que eliminavam direitos e conquistas de décadas, cercou-se de "ministros" investigados por diversos crimes que imediatamente começaram a usar o cargo para benefício próprio (com direito a gravação de pedido de ajuda para valorizar investimento imobiliário) e, para completar, foi gravado conversando com um megaempresário em encontro secreto durante o qual compartilhou informações sigilosas sobre a economia, ouviu confissões criminosas e chegou a demonstrar apoio a estas.

E hoje, pela primeira vez desde a redemocratização, convocou as Forças Armadas para sufocar manifestações populares.

Como caímos. Há apenas quatro anos, éramos um país respeitado no cenário internacional, celebrávamos 42 milhões de pessoas saídas da miséria absoluta e a retirada do Brasil do mapa da fome - algo que até a década de 90 era um sonho inalcançável. Tínhamos uma democracia saudável, que permitia a discordância de forma legítima, e finalmente começávamos a acreditar que o "país do futuro" aproximava-se do presente.

Até que Aécio Neves, fazendo jus à fama de mimado, decidiu que iria questionar os resultados da eleição "para encher o saco" - como ele mesmo descreveu o que fez na infame gravação divulgada recentemente.

Pois a "encheção de saco" resultou numa ruptura democrática - e, desde então, tudo se tornou possível para uma elite que há mais de uma década sonhava em recuperar o controle do país, já que "inclusão social" representava para seus membros um pesadelo, não um objetivo nobre e humano.

Contudo, o que a elite brasileira não tem condições de perceber é que é um exemplo clássico do efeito Dunning-Kruger, sendo estúpida demais para perceber como é estúpida. A mediocridade intelectual, cultural e histórica da classe economicamente dominante é tamanha que, contra tudo que o passado nos ensinou, acreditou que conseguiria controlar o processo que havia iniciado. Julgou, do alto de seu complexo de superioridade, que o "povo", essa massa de manobra repugnante que deveria agradecer as migalhas atiradas pelos patrões, iria rolar e se fingir de morto ao ouvir os comandos disparados pela voz de William Bonner e as demais corporações da mídia por ele simbolizadas. Que o assassinato de reputação de todos os líderes da esquerda a inviabilizaria completamente.
Acreditaram, enfim, que ainda viviam na década de 60.

Mas não viviam; o povo, a esquerda, e todos aqueles que compreendem a gravidade de uma democracia ilegítima reagiram. A imprensa internacional expôs os horrores do que testemunhava. A internet impediu que a Globo controlasse a narrativa. Disputas internas na PF levaram à exposição de representantes do poder econômico e tornou-se impossível manter a farsa.

Eles ainda tentam, claro, chegando ao ponto de defenderem que eleições diretas são um "golpe" - num dos exercícios de retórica mais absurdos que o país já testemunhou. E Temer, o Pequeno, se apega desesperadamente ao poder mesmo percebendo que, como se tornou um embaraço e deixou de ser útil para seus chefes, está sendo descartado.

Há quatro anos, éramos uma Nação; hoje, somos as ruínas de uma. O exército está nas ruas sufocando o povo, ministérios foram literalmente incendiados e o congresso segue vendendo os direitos da população.

Tratam o Brasil como um jogo cujas regras mudam sempre que percebem que vão perder; como um brinquedo que serve apenas para seu divertimento pessoal e que quebraram ao tentar mantê-lo só para si.

E agora que se deram conta do estrago que fizeram, farão de tudo para se manter no comando e evitar arcar com as consequências de seus atos.

Podem até conseguir. Mas jamais escaparão do julgamento implacável da História.

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