terça-feira, 23 de maio de 2017

Fascismo começa a devorar seus pais

Reinaldo Azevedo foi vítima de retaliação ilegal e imoral de Rodrigo Janot 
Pablo Villaça

Não gosto de Reinaldo Azevedo. Nem um pouco. Não aprecio sua postura política, não concordo com a dissimulação de passar-se por "imparcial" quando se tem uma posição mais do que óbvia e sei que ele apoiou o golpe, defende o "governo" de Temer, o Pequeno, e é tucano até a raiz dos cab.... até a alma, embora não assuma isto.

Também o culpo, ao lado de alguns outros colunistas da Veja, por começar a plantar as sementes de ódio ideológico lá atrás, quando escrevia com veneno sobre o governo Lula. Sua visão de mundo não poderia ser mais oposta à minha; discordamos de basicamente tudo.

Mas nada disso me impede de enviar a ele minha solidariedade. A atitude da PGR de divulgar suas conversas particulares com Andrea Neves é injustificável. Em primeiro lugar, não há - ao menos nos trechos que tornaram públicos - indício algum de crime sendo cometido pelo jornalista. Em segundo, ele não está sendo (ao que se saiba) investigado por nada.

O que a PGR fez foi pura retaliação pelas críticas de Azevedo à Lava-jato; simples assim. É um abuso de poder e um desrespeito aos direitos constitucionais do colunista/blogueiro.

É por isso que desde o começo falei que a direita iria se arrepender de apoiar a ruptura democrática; todos sabem como o golpe começa, mas ninguém pode antecipar como irá terminar. As estratégias utilizadas para atacar Lula e Dilma agora se voltam contra qualquer crítico das ações abusivas da PGR, da PF e de Moro - até mesmo contra a mesma direita que os apoiou.

Isto não é causa de comemoração, mas um sinal de alerta vermelho (com o perdão do duplo sentido). Se celebramos crimes cometidos contra nossos oponentes políticos, perdemos o direito de protestar quando as vítimas são nossos aliados.

Simples questão de coerência.

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