terça-feira, 23 de maio de 2017

Estado Policial

Carlos Eduardo Alves  

Trabalhei alguns anos com Reinaldo Azevedo na Folha. Outros tempos. Tivemos uma relação cordial, de bons colegas. Eu e ele mudamos, como é normal na vida. Tem muitos anos que não mantenho contato com Reinaldo. Apesar de hoje discordar de 90% do que ele defende, sempre evitei citá-lo em textos, em respeito a uma convivência bem-humorada que guardo na memória. É uma coisa minha. Não curto mais (já fiz muito isso) brigar com quem conheço e não fez mal para mim. Cito o nome dele agora pela primeira vez. A divulgação de uma conversa privada e/ou profissional dele com Andrea Neves é um absurdo que só cabe no Estado Policial que vigora no Brasil desde a Lava Jato. 

Não há ali nenhum ponto de interesse de investigação. O único objetivo é prejudicar Reinaldo. Quem não condena essa intromissão absurda no exercício profissional de Reinaldo não tem direito de se indignar, por exemplo, com a divulgação também criminosa do diálogo de dona Marisa com um filho. Os dois atos atestam, com objetivos vis diversos, a vigência do Estado Policial.

Peço a gentileza de quem quiser comentar não apelar ao mimimi de "ele merece'', "uma vez ele escreveu que..." Se a gente não se indigna quando uma conversa pessoal é divulgada sem qualquer relevância para uma investigação, é sinal que aceitamos o Estado Policial quando nos convém. O post é sobre direitos, incluindo o da preservação da fonte jornalística. No caso, Reinaldo e a Democracia são vítimas.

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