domingo, 7 de maio de 2017

Direita versus direita

Wagner Iglecias

Acho que funciona mais ou menos assim:

1- A mesma revolução tecnológica que detona a base social das esquerdas possibilita a ascensão política, em vários países do mundo, de uma nova direita, globalizada, hiperconectada e financista. 

2- Essa direita uma vez no poder promove o mais brutal e radical processo de concentração de riqueza da História da Humanidade. 

3- Não só os pobres do mundo todo são duramente afetados, mas também as antigas classes médias que tinham um padrão de vida relativamente decente sob o regime de acumulação anterior à referida revolução tecnológica.

4- Com sérios danos em sua antiga base social e dividida em inúmeros e crescentes grupos internos a esquerda tradicional não consegue oferecer saídas factíveis dos pontos de vista simbólico e eleitoral para a maioria dos indivíduos pobres e das classes médias empobrecidas. 

5- Ascende por sua vez uma outra direita, de discurso tradicional, que fala diretamente àqueles setores. 

6- Novas esquerdas, com discurso pós-material, tentam se estabelecer e podem, em alguma medida, ser aceitas pelo establishment. Desde que não toquem, obviamente, na questão do sacrossanto direito de propriedade. 

7- As duplas Hillary/Trump e Macron/Le Pen são exemplos de consequências eleitorais típicas desta dinâmica global. Tanto quanto as derrotas de Sanders e Melenchon.

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