terça-feira, 9 de maio de 2017

A Lava-Jato é a Inquisição do século XXI

Carlos D'Incao 

Chamar a Operação Lava-Jato de "Força Tarefa" é a forma que os golpistas do judiciário encontraram para maquiar um processo judicial que se desenvolve à margem da lei, da jurisprudência, do Direito Constitucional e do Direito Internacional.

Alguns salientam que essa Operação nos remete aos processos fraudulentos da época da Ditadura Militar. Aqui a referência estaria vinculada a três aspectos principais: as prisões arbitrárias, a utilização da tortura psicológica como meio de se obter delações e a inexistência (na prática) do recurso do habeas corpus.

Mas isso ainda é insuficiente para definir essa Operação. Lembremos que na época da Ditadura Militar havia um aspecto sigiloso a ser ponderado e o poder judiciário como um todo se opunha aos procedimentos arbitrários, os quais geralmente eram impostos pelo Poder Executivo.

Além disso, vale lembrar que naquela época não havia mecanismos tão sofisticados de espionagem e que hoje são utilizados de forma indiscriminada. Da mesma forma, não existia também o circo midiático que hoje serve exclusivamente para se condenar previamente as lideranças das forças democráticas perante a opinião pública.

Por fim, não tínhamos nenhum culto à personalidade de quem quer que seja, muito menos de um juiz... ainda que Sérgio Moro não se pareça com um artista de Hollywood, ele parece representar muito bem o papel de um canastrão do faroeste italiano dos anos 60.

Essa "Força-Tarefa" da Lava-Jato conseguiu dar vida a um verdadeiro museu de toda a opressão que já existiu na História dos processos judiciais. Sua referência mais evidente está na velha Inquisição a qual a humanidade conheceu seus dissabores por séculos a fio e - no caso da sociedade brasileira - fincou, por mais de trezentos anos, profundas raízes.

Em um país minimamente civilizado seria impensável um juiz decretar dezenas e mais dezenas de prisões cautelares, sem data para expirar e sem decretar qualquer fiança. Além disso, um juiz que realizasse escutas ilegais sobre autoridades de seu país, incluindo ministros, deputados, prefeitos, governadores e até mesmo o presidente da República, possivelmente seria preso.

Aqui no Brasil esse juiz virou herói de uma elite escravocrata e ainda teve a ousadia de vazar os seus grampos - seletivamente - para uma imprensa parcial e reacionária.

Como todos os historiadores sabem, a Inquisição nunca buscou apurar a verdade dos fatos que ela investigava. Da mesma forma, sabemos muito bem que a "Força-Tarefa" da Lava-Jato não busca fazer qualquer justiça.

Os Inquisidores e o juiz Sérgio Moro possuem a mesma meta: "caçar as bruxas", o que significa objetivamente aniquilar seus inimigos políticos e estabelecer o Império do medo e da opressão a todos os que se opõe à agenda daqueles que estão no poder.

Ao término dos grandes processos Inquisitórios, os poderosos sempre acabavam livres e desimpedidos para colocar em prática reformas políticas e econômicas que lhe beneficiavam. Algum tempo depois, esses mesmos poderosos agraciavam com presentes e honrarias os inquisidores que tão bem haviam lhes servido.

A Lava-Jato também já revela claramente a quem serve: a direita neoliberal aprova a toque de caixa reformas que destroem os direitos dos mais pobres e entregam as nossas riquezas aos estrangeiros. Enquanto isso, os grandes corruptos não apenas continuam soltos como estão no exercício do poder...

Mantendo a secular tradição, já vemos Sérgio Moro recebendo agrados e honrarias nas colunas sociais, sempre com abraços e sorrisos junto a Temer, os tucanos e os grandes representantes das multinacionais que negociam a compra de nossas riquezas e de todas as nossas almas.

A única diferença entre Sérgio Moro e os Inquisidores é que estes respondiam - em última instância - aos interesses da Santa Sé de Roma, enquanto nosso juiz tupiniquim responde sobretudo aos interesses da Casa Branca de Washington nos Estados Unidos da América.

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