quarta-feira, 31 de maio de 2017

O amor é o fogo que arde sem se ver


Monte Castelo
Legião Urbana
  
Ainda que eu falasse
A língua dos homens
E falasse a língua dos anjos
Sem amor eu nada seria

É só o amor! É só o amor
Que conhece o que é verdade
O amor é bom, não quer o mal
Não sente inveja ou se envaidece

O amor é o fogo que arde sem se ver
É ferida que dói e não se sente
É um contentamento descontente
É dor que desatina sem doer

Ainda que eu falasse
A língua dos homens
E falasse a língua dos anjos
Sem amor eu nada seria

É um não querer mais que bem querer
É solitário andar por entre a gente
É um não contentar-se de contente
É cuidar que se ganha em se perder

É um estar-se preso por vontade
É servir a quem vence, o vencedor
É um ter com quem nos mata a lealdade
Tão contrário a si é o mesmo amor

Estou acordado e todos dormem
Todos dormem, todos dormem
Agora vejo em parte
Mas então veremos face a face

É só o amor! É só o amor
Que conhece o que é verdade

Ainda que eu falasse
A língua dos homens
E falasse a língua dos anjos
Sem amor eu nada seria

Andreas von Richthofen, irmão de Suzane, NÃO foi encontrado na cracolândia

Andreas, irmão de Suzane von Richthofen,
foi encontrado maltrapilho tentando pular o muro
de uma casa em Santo Amaro,  capital paulista.
Andreas von Richthofen, irmão de Suzane, foi encontrado na cracolândia #boato

Irmão de Suzane von Richthofen é apreendido na Cracolândia; O irmão de Suzane von Richthofen, Andreas Albert, 29 anos, estava entre os usuários de drogas da Cracolândia retirados da Cracolândia, na madrugada desta terça-feira (30), e encaminhados a hospitais municipais de São Paulo. Agitado, desorientado e agressivo, ele foi encontrado por policiais quando tentava pular o portão de uma casa que dizia ser do tio dele.

Andreas von Richthofen, irmão de Suzane, foi encontrado da cracolândia em SP?


A história foi publicada em quase todos os portais e todo mundo falou nisso. Quer dizer que a história é 100% correta, certo? Errado. A notícia que “chocou o país” (ok, não é bem assim) está com alguns erros de informação que muita gente não se atentou. Vamos fazer uma cronologia.

Inicialmente, a informação foi dada pelo Jornal O Globo e veio da Prefeitura de São Paulo. Na hora da publicação da notícia, uma dúzia de “sites de notícias” copiaram a informação do O Globo e deram a informação. Só um detalhe: Andreas não havia sido encontrado na cracolândia.

Após a repercussão da história, a Polícia Militar de São Paulo afirmou que ele foi preso tentando escalar um muro na Zona Sul da capital paulista (a cerca de 15 km da cracolândia)Leia nota da polícia, publicada pelo R7:

De acordo com a Polícia Militar, Andreas Richthofen foi encontrado por policiais militares durante uma patrulha pela rua Engenheiro Alonso de Azevedo, sem número, em Santo Amaro, zona sul da capital. Uma lança do portão do imóvel atravessou a perna do rapaz, portanto, ele foi socorrido pelos militares e levado ao Hospital Campo Limpo. Tudo isso aconteceu na manhã desta terça-feira, às 07h30 da manhã.

Como, além dos ferimentos, ele apresentava sinais de confusão mental, o jovem foi atendido pelo plantão psiquiátrico do hospital. Aos policiais, Andreas disse que estava tentando entrar na casa de um tio, porém, a polícia não conseguiu confirmar essa informação.

O próprio O Globo e alguns sites de notícias corrigiram a informação. O UOL chegou a publicar uma matéria com mais detalhes sobre o caso, já esclarecendo que Andreas foi internado após surto. O site também deu a informação que um fonte ligada ao prefeito João Dória havia dito que o jovem teria frequentado a cracolândia há alguns dias.

O grande problema é que nem todos os sites (principalmente aqueles que copiaram a informação do O Globo) corrigiram a informação e muita gente ainda acha que o irmão de Suzane foi preso (ou apreendido) durante operação na cracolândia.

Resumindo: é fato que Andreas von Richthofen está com problemas e foi encaminhado a uma clínica de recuperação de dependentes. Porém, ele não foi encontrado na cracolândia, tampouco em uma operação da polícia. Mesmo assim, torcemos para a recuperação dele.

O escândalo dos pedalinhos



Não tem como competir com o Brasil




Delegado da PF que apurava morte de Teori Zavascki é assassinado

Delegado morto em Florianópolis comandava inquérito que apurava morte de Teori Zavascki


Os dois delegados da Polícia Federal (PF) assassinados na madrugada desta quarta-feira no Bairro Estreito, em Florianópolis, atuavam no Rio de Janeiro. Elias Escobar e Adriano Antônio Soares estavam na cidade, segundo a assessoria de imprensa da PF, para um curso da instituição. Os dois tinham funções importantes dentro da corporação, principalmente Adriano, que em janeiro foi designado para comandar o inquérito que apura a morte do ministro Teori Zavascki, ocorrida em janeiro deste ano.

assessoria da PF no Rio de Janeiro foi procurada pela reportagem, mas ainda não respondeu ao e-mail enviado para comentar o fato. Os assassinatos de Soares e Escobar ocorreram durante um desentendimento numa casa noturna da região Continental da Capital catarinense. Ainda não se sabe o motivo da briga, mas as câmeras de segurança existentes no local devem ajudar a polícia a elucidar o caso. O suspeito de dar os tiros é um comerciante da região, que também ficou ferido e está internado no Hospital Florianópolis.

Veja abaixo o perfil dos delegados:

Adriano Antônio Soares, 47 anos

Atuava como chefe da Polícia Federal de Angra dos Reis desde 2009. Em janeiro deste ano, com o acidente aéreo que matou o ministro Teori Zavascki e mais quatro pessoas em Paraty (RJ), ele assumiu a investigação do caso. Na época, o delegado decretou sigilo sob a investigação. Soares era delegado da PF desde 1999.


Elias Escobar, 60 anos

Elias Escobar era chefe da Polícia Federal em Niterói até março deste ano. Antes disso, ele atuou em Volta Redonda, onde comandou diferentes operações. Em 2014, oito policiais civis acusados de envolvimento com tráfico de drogas e extorsão no sul fluminense, em Minas Gerais e em São Paulo foram alvo de investigação comandada por Escobar. No ano de 2013, quando assumiu a chefia em Volta Redonda, o delegado prometeu que iria combater as milícias na região.



9 em cada 10 brasileiros querem Diretas Já?

Tenho seríssimas dúvidas sobre pesquisas de opinião, principalmente as de caráter político.


Nada contra as Diretas Já, tudo contra as pesquisas que mostram o que o cliente quer ver.



Danilo Gentili é um exemplo caricato e repulsivo daquilo que o machismo representa

Luis Felipe Miguel

Todo mundo sabe que Danilo Gentili é um escroto. Não sei se Maria do Rosário fez bem em enviar a notificação extrajudicial. Tendo a acreditar que a pessoa pública está sujeita à crítica, mesmo à crítica malévola, mal-intencionada e manipulatória. Se algum limite da liberdade de expressão foi efetivamente ultrapassado, então trata-se de processar, não de notificar extrajudicialmente. Mas não acompanho (felizmente) o que Gentili diz ou faz, então não tenho como estimar a gravidade da perseguição contra a deputada.

Da reação dele à notificação, porém, eu (infelizmente) fiquei sabendo. A ameaça pouco velada da violência física contra a mulher e o uso do órgão sexual masculino como instrumento de humilhação e de intimidação: Gentili é um exemplo caricato e particularmente repulsivo daquilo que o machismo representa.

Uma das definições de "humor", no Houaiss, é "expressão irônica e engenhosamente elaborada da realidade; espírito". Gentili é um "humorista" sem ironia, sem engenhosidade e sem espírito. Sua "graça" consiste exclusivamente em distribuir patadas e reafirmar preconceitos. Surfa na bizarra situação atual, em que, para certo público, ser reacionário conta como transgressor.

O que me espanta não é que ele exista. É que ele tenha público. Acredito, de verdade, que com argumentação e discurso claro muita gente que hoje está à direita pode mudar de posição. Mas seguidores de Danilo Gentili? Difícil. É uma demonstração de tamanho embotamento intelectual e supressão da sensibilidade em relação aos outros que está além da possibilidade de cura.

Aquarela Comunista



Caso não tenha caído a ficha:

Aos ex-aecistas

Giuliano Furtado

Ei, você se lembra de 2014?

- Eu falei, Aécio é corrupto e está na lista de Furnas
- Eu falei, Aécio faz as tretas pela irmã
- Eu falei, Aécio está envolvido com drogas
- Eu falei, Aécio está envolvido com o Helicóptero do Perrella
- Eu falei, o Juca Kfouri falou, que Aécio bateu na mulher em festa
- Eu falei, Aécio construiu um aeroporto na fazenda do tio e a chave estava com os seguranças
- Eu falei, Aécio é delatado direto por um policial civil em MG
- Eu falei, Aécio e família calam os jornalistas de MG
- Eu falei, Aécio está recebendo apoio da mídia aberta e parcial

Você sempre falava que o PT é ladrão, bandido, que Lula e Lulinha era dono da Friboi, que Lula e Dilma tinham conta no exterior, que Lula era dono do triplex, que Lula era safado, que Dilma era feia e que precisávamos de uma primeira-dama.

Hoje você não fala nada, só fala que por você Aécio estaria na cadeia. Isso você fala hoje que comprovaram tudo que falamos antes das eleições em 2014, pois por você em 2014 ele estaria na presidência, blindado pela mídia e todos os corruptos que tiraram Dilma do poder "por pedaladas" e mesmo assim, você insiste em compartilhar piadinhas feitas por militantes de Bolsonaro e Doria sobre o PT.

Hoje falamos do perigo de ter Bolsonaro ou Doria no poder, estamos apontando todas as bandidagens deles e você insiste em defendê-los.

Hoje vemos uma FIESP falando que para resolver os 15 milhões de desemprego, só com a aprovação das reformas trabalhistas, ou seja, ELES ESTÃO BOICOTANDO as contratações, porque não colocaram AÉCIO NEVES NA PRESIDÊNCIA.

Quem vai acreditar em você?

Eu nunca acreditei, só acreditei no seu ódio contra os menos favorecidos que como várias empresas, profissionais liberais e até as domésticas, que nunca foram reconhecidas, cresceram nos governos petistas.

Em você ex-aecista, eu nunca acreditei e nunca vou acreditar, seja apoiando Doria, Bolsonaro ou Tiririca que enganou nordestinos que moram em SP.

ACORDA, MUTLEY, VOCÊ NÃO É GUNGA DIN! (lembra disso?).

Lembra da camiseta que você queria comprar e estava cara com a descrição: "A Culpa não é minha, eu votei no Aécio!", pois é, hoje seria outros dizeres, tipo, "A culpa não é minha, eu sou só traficante.", após o áudio do Zezé Perrella assumindo o helicóptero e que só é traficante, nem Senador ele lembra de ser.

Assinado: um cara que não quer aparecer, porque hoje temos empresas checando redes sociais para contratar.

Gilmar Mendes é um deboche à ideia de República


Luis Felipe Miguel 

Gilmar Mendes tem uma faculdade privada em Brasília. Eu acho que ministro do STF não poderia ser proprietário de empresa nenhuma - nem faculdade, nem fazenda de gado, nem offshore, nem nada. Uma regra assim teria a dupla de vantagem de reduzir os conflitos de interesse e de, quem sabe, elevar ao Supremo pessoas menos umbilicalmente ligadas à elite econômica do país.

Gilmar Mendes é também presidente do TSE. Vai presidir o julgamento da cassação de Michel Temer.

Sua faculdade vai fazer um evento em meados de junho. Michel Temer está entre os participantes (não é um evento muito bom). O governo de Michel Temer patrocina o evento.

Gilmar Mendes diz que nada disso prejudica sua isenção, assim como seus jantares secretos com Michel Temer no Jaburu também não a prejudicavam. Deve ser verdade; aquilo que nunca existiu não pode sofrer prejuízo. Mas a situação toda é um deboche à ideia de República.

terça-feira, 30 de maio de 2017

De onde vêm e para que servem os Danilos Gentilis?



por Leonardo Stoppa

Mais importante que falar que “é feio o que o Danilo fez”, é entender o porquê dessas atitudes vindas dos artistas espetaculosos da comunicação brasileira.

Idiotice para idiotas 

"É melhor ser rico e saudável do que pobre e doente", diz Moro


 "É melhor ter pau pequeno e voz fina do que ser mudo e não ter pau", diz Moro sobre sua condição sub humana.

Seo Cruz

Enquanto isso, na República de Curitiba...



Ignorância também é cultura

Dois gigantes intelectuais 
SABER ENCICLOPÉDICO 
Moisés Mendes

Da filosofia das compensações do juiz Sergio Moro, em uma palestra em Portugal (quando li, quase não acreditei), sobre o valor das delações:
“É melhor você ter um esquema de corrupção descoberto e algumas pessoas punidas do que ter esse esquema de corrupção oculto para sempre. É melhor ter alguém condenado do que não ter ninguém condenado”.
Um filósofo do futebol diria, na mesma linha: é melhor ganhar de 1 a 0 de pênalti do que empatar ou perder.

Um corrupto seguiria o mesmo raciocínio: é melhor ter meia propina do que não ter propina alguma.

E assim vai. A Lava-Jato também é lógica e cultura.

Mídia bandida


Gustavo Castañon 

IMPRENSA BANDIDA 

Aécio disse que manda matar, Perrella disse que trafica drogas.

E a imprensa que descobriu a nota fiscal do barco de lata do Lula deixou passar um helicóptero oficial adaptado para carga pilotado por assessor do Perrella, na fazenda dele, com 450 quilos de pasta base de cocaína.

Eram essas pessoas que a Veja, a Globo e a Folha queriam colocar no Planalto. Que mantiveram doze anos no poder de Minas sem uma denúncia séria sequer.

Hoje só Aécio conta mais de vinte delações sobre delitos diferentes na Lava-jato.

É assim que a imprensa brasileira trata o Brasil, são esses os seus escolhidos, essa é a imagem que ela faz de você.

Farinhas de sacos diferentes


Mario Marona


Votei quatro vezes no Gabeira para deputado.

Não me arrependo.

Quando o escolhi, ele defendia posições com as quais me identificava, e o mais importante é que entendia que deveriam ter espaço no parlamento.

Nós dois mudamos, e creio que ele mudou para pior.

Mas, francamente, acho mais difícil explicar o voto em Aécio, porque, embora a imprensa o protegesse, sempre foi possível saber quem ele era de verdade.

Eu jamais votaria em alguém com as características e as histórias do Aécio, mesmo que fosse apenas para impedir a vitória de quem eu odiasse muito.

Deve ser por isso que os eleitores do Aécio que eu conheço escolheram agora uma de duas opções: sumir do mapa e fingir que não é com eles ou adotar aquele discurso de que "é tudo farinha do mesmo saco".

Do mesmo saco umas pivicas, como eu dizia quando era criança.

O Deus de Espinoza



Antonio Fernando Pinheiro Pedro

Sempre que perguntavam a Einstein se ele acreditava em Deus, o grande físico respondia: "sim, no Deus de Espinoza".

Saiba o que diz o Deus do filósofo Baruch de Espinoza, pela voz de Abel García, um reconhecido músico uruguaio e grande intelectual de Rivera. 

Baruch Spinoza, ou Espinoza ou Espinosa, nasceu no ano de 1632, em Amsterdam, foi um dos grandes racionalistas e filósofos do século XVII dentro da chamada Filosofia Moderna, juntamente com René Descartes e Gottfried Leibniz. De família judia portuguesa (daí a confusão de formas na escrita do sobrenome), o grande filósofo holandês faleceu em 1677, em Haia.

Íntegra:

DEUS 

“Pára de ficar rezando e batendo o peito! O que eu quero que faças é
que saias pelo mundo e desfrutes de tua vida.
Eu quero que gozes, cantes, te divirtas e que desfrutes de tudo o que
Eu fiz para ti.

Pára de ir a esses templos lúgubres, obscuros e frios que tu mesmo
construíste e que acreditas ser a minha casa.
Minha casa está nas montanhas, nos bosques, nos rios, nos lagos, nas
praias. Aí é onde Eu vivo e aí expresso meu amor por ti.
Pára de me culpar da tua vida miserável: Eu nunca te disse que há
algo mau em ti ou que eras um pecador, ou que tua sexualidade
fosse algo mau.

O sexo é um presente que Eu te dei e com o qual podes expressar teu
amor, teu êxtase, tua alegria. Assim, não me culpes por tudo
o que te fizeram crer.
Pára de ficar lendo supostas escrituras sagradas que nada têm a ver
comigo. Se não podes me ler num amanhecer, numa paisagem,
no olhar de teus amigos, nos olhos de teu filhinho... Não me
encontrarás em nenhum livro!

Confia em mim e deixa de me pedir. Tu vais me dizer como fazer meu trabalho?
Pára de ter tanto medo de mim. Eu não te julgo, nem te critico, nem
me irrito, nem te incomodo, nem te castigo. Eu sou puro amor.
Pára de me pedir perdão. Não há nada a perdoar. Se Eu te fiz... Eu te
enchi de paixões, de limitações, de prazeres, de sentimentos,
de necessidades, de incoerências, de livre-arbítrio. Como posso te
culpar se respondes a algo que eu pus em ti?

Como posso te castigar por seres como és, se Eu sou quem te fez? Crês
que eu poderia criar um lugar para queimar
a todos meus filhos que não se comportem bem, pelo resto da
eternidade? Que tipo de Deus pode fazer isso?
Esquece qualquer tipo de mandamento, qualquer tipo de lei; essas são
artimanhas para te manipular, para te controlar, que só geram culpa em
ti.
Respeita teu próximo e não faças o que não queiras para ti. A única
coisa que te peço é que prestes atenção a tua vida, que teu estado de
alerta seja teu guia.

Esta vida não é uma prova, nem um degrau, nem um passo no caminho,
nem um ensaio, nem um prelúdio para o paraíso.
Esta vida é o único que há aqui e agora, e o único que precisas.
Eu te fiz absolutamente livre. Não há prêmios nem castigos. Não há
pecados nem virtudes. Ninguém leva um placar.
Ninguém leva um registro.

Tu és absolutamente livre para fazer da tua vida um céu ou um inferno.
Não te poderia dizer se há algo depois desta vida, mas posso te dar um
conselho. Vive como se não o houvesse.
Como se esta fosse tua única oportunidade de aproveitar, de amar, de
existir. Assim, se não há nada,
terás aproveitado da oportunidade que te dei.

E se houver, tem certeza que Eu não vou te perguntar se foste
comportado ou não. Eu vou te perguntar se tu gostaste,
se te divertiste... Do que mais gostaste? O que aprendeste?
Pára de crer em mim - crer é supor, adivinhar, imaginar. Eu não quero
que acredites em mim. Quero que me sintas em ti.
Quero que me sintas em ti quando beijas tua amada, quando agasalhas
tua filhinha, quando acaricias
teu cachorro, quando tomas banho no mar.

Pára de louvar-me! Que tipo de Deus ególatra tu acreditas que Eu
seja? Me aborrece que me louvem. Me cansa que agradeçam.
Tu te sentes grato? Demonstra-o cuidando de ti, de tua saúde, de tuas
relações, do mundo.
Te sentes olhado, surpreendido?... Expressa tua alegria! Esse é o
jeito de me louvar.

Pára de complicar as coisas e de repetir como papagaio o que te
ensinaram sobre mim. A única certeza é que tu estás aqui,
que estás vivo, e que este mundo está cheio de maravilhas. Para que
precisas de mais milagres?
Para que tantas explicações?
Não me procures fora! Não me acharás. Procura-me dentro... aí é que
estou, batendo em ti".

Gilmar Mendes se desculpa com a empresa Organizações Tabajara por compará-la com o Brasil

O NÍVEL DAS NOSSAS "OTORIDADES"

Olha o nível de informações de um Ministro do STF e Presidente do TSE: as Organizações Tabajara não existem, é fictícia, criada pela turma do Casseta e Planeta.

Gilmar comparou o Brasil com às Organizações Tabajara e depois se desculpou... Com as Organizações Tabajara.

Helio de La Peña que, ao contrário de Marcelo Madureira, não se vendeu ao sistema, pra sacanear o Tatu de toga, respondeu: “As Organizações Tabajara protestam contra comparações chulas e fantasiosas. Nossos advogados serão acionados.”

Ao que o Tatu Cano respondeu, respeitosamente: “Me esculpem as Organizações Tabajara, eu não queria ofender.”


É um Circo. Dos horrores, mas um circo.

Francisco Costa

Criminosos de toga

Leandro Fortes 

TOGA 

Nefi Cordeiro, ministro do STJ que mantém presa uma mãe que roubou frango e ovos de páscoa, é o mesmo que deu habeas corpus para o bicheiro Carlinhos Cachoeira e para quatro PMs cariocas que fuzilaram com 63 balas um carro com cinco jovens inocentes, matando um deles, de 16 anos.

Nefi Cordeiro é oficial da PM do Paraná.

Foi levado ao STJ por Dilma Rousseff.

Caso não tenham lido esse texto de André Forastieri, por favor, parem o que estão fazendo e leiam. É essencial para entender no que se transformou o Judiciário brasileiro.

Cachorro de Aécio é encontrado vagando pelas ruas de Ipanema


Meninos dos Olhos...

Clique na imagem para AMPLIAR

Conheça o militante do Talibã e Procurador de Justiça nas horas vagas Sérgio Fernando Harfouche


Luis Felipe Miguel

Entrei na página do talibã de Dourados. Está lá um mostruário de todo o esgoto mental de certa classe média brasileira - vídeos de pregadores ultrarreacionários com títulos bombásticos ("Malafaia humilha Lula!!!"), pedido de cassação do mandato de Fernando Haddad, pedido de prisão do Lula, pedido de impeachment da Dilma, uma citação atribuída a George Washington segundo a qual "é impossível governar integramente sem a Bíblia", foto com camiseta da "marcha pela vida contra o aborto". Tem até postagem de um vídeo em que ele acrescentou o seguinte comentário: "Caminhões do Figorífico [sic] JBS de propriedade do LULA são escoltados". Sim, o sujeito é procurador de justiça e acredita (ou finge que acredita) que Luís Inácio é o dono da Friboi.

Mas o que é mais incrível é que ele é pretensamente alguém ligado ao combate à violência nas escolas. No entanto, sua página manifesta repúdio ao estatuto do desarmamento. Reproduz textos satirizando a ideia de bullying (na linha "no meu tempo todos se xingavam mas eram amigos"). E, sobretudo, há grande empenho na defesa do Escola Sem Partido e na denúncia do que chama de "ideologia de gênero" na educação. Mostra, aliás, vinculação com outro procurador federal, Guilherme Schelb, de Brasília, um dos principais articuladores da campanha de intimidação de professores nas escolas brasileiras. Schelb é um católico ultramontano, ligado à TFP, ao passo que o talibã sulmatogrossense é seguidor do apóstolo Lamartine Posella, da Igreja Batista Palavra Viva. Mas os dois parecem trabalhar juntos harmoniosamente. É o fundamentalismo ecumênico.

Há uma contradição insolúvel: não dá para ser contra o debate sobre gênero e combater a violência ao mesmo tempo. O machismo e a homofobia matam e estão entre as principais causas de violência no ambiente escolar.

Ao que parece, na visão do talibã, o problema da violência nas escolas é a "indisciplina" dos alunos. Esse foi um tema recorrente na pregação que, ilegalmente, mães e pais de alunos da rede pública de Dourados foram obrigados a assistir. Há até uma lei com o nome dele no Mato Grosso do Sul - a "lei Harfouche" - destinada a cobrar, dos pais ou responsáveis, o ressarcimento por "estrago causado à unidade escolar ou aos objetos dos colegas, professores ou servidores públicos". Parece inócuo, mas é uma maneira de enquadrar a questão e destacar quais seriam os verdadeiros desafios a serem enfrentados. Os jovens estão "rebeldes", pichando paredes, quem sabe até promovendo ocupações. 

Vamos recolocá-los sentadinhos nas carteiras, quase imóveis, e tudo estará bem, enquanto um coleguinha é afastado do convívio dos demais porque é gay, a outra aprende que matemática não é coisa de menina e a terceira é agredida por ser considerada namoradeira demais.

Está mais do que claro que, por seu desprezo pelos direitos elementares e pela forma como escarnece do princípio da laicidade do Estado, ele não reúne as condições mínimas de permanecer no cargo que ocupa. Deveria ser demitido a bem do serviço público. Os Juristas pela Democracia do Mato Grosso Sul estão exigindo apuração do caso (https://goo.gl/HOAOO5). Infelizmente, do jeito que anda o Brasil, não consigo acreditar que tenham êxito. Espero estar errado.

“Eu não faço nada de errado, eu só trafico droga”, diz Zezé Perrella a Aécio em novo trecho de grampo

Por Kiko Nogueira

No dia 13 de abril, a Polícia Federal interceptou uma conversa telefônica entre o senador Aécio Neves, do PSDB, e o colega Zezé Perrella, do PMDB.

No diálogo, Aécio cobra fidelidade de Perrella e lhe dá uma dura pelo fato de o aliado ter dado uma entrevista à rádio Itatiaia de Minas Gerais se gabando de não estar na lista de Janot e no “mar de lama” do Brasil.

“Acho que não preciso provar o quanto sou seu amigo na vida, né, cara. Então vou te falar como amigo, com a liberdade de amigo. Poucas vezes vi uma declaração tão escrota, Zezé, como essa que você deu na rádio Itatiaia”, diz Aécio.

Uma versão editada foi divulgada no DCM. Agora o jornal Hoje em Dia colocou no ar a gravação na íntegra. Você pode conferir abaixo.

Perrella cita o caso do Helicoca. “Qual a maneira que eu encontrei de rebater essas coisas que eles falam de mim do helicóptero até hoje?”, afirma.

E completa, adiante: “Eu não faço nada de errado, eu só trafico droga”.

Aécio ri.

Ouça:


segunda-feira, 29 de maio de 2017

Qual governo de esquerda que deu certo?


Quando um neoliberal ou um protofascista sustentado com informações de think tanks que ele não compreende direito perguntava "qual governo de esquerda que deu certo?", era incômoda a resposta "o governo Lula". "triplicou o PIB, diminuiu desigualdade, aumentou o salário mínimo e tirou 26 milhões de pessoas da linha da fome."

Esta era uma resposta tão incômoda que ele elegeu sua sucessora e assim continuaria. Por algumas décadas.

Daí inventaram a Lava a Jato. Para reescrever a história do Brasil e dizer que nos últimos 13 anos foram de "corrupção em níveis singulares, aparelhamento do estado e mentiras para se perpetuar no poder". Não se trata do passado. De punir corruptos. Trata-se do futuro. De nunca mais deixarem um presidente oriundo de classes trabalhadoras assumir.

PSOL fez ontem o que faz sempre

Claudio Daniel  

Sempre considerei o P$OL um partido da pequena-burguesia, purista e autista, cuja única função é dividir a esquerda e facilitar o caminho dos fascistas. Um bom exemplo da ação nefasta e traidora dessa agremiação é o que aconteceu ontem no Rio de Janeiro:
"Ato de ontem foi um show organizado pelo PSOL, infelizmente não teve o caráter político e combativo que o momento brasileiro pede. Bandeiras do PT foram proibidas no caminhão de som. Barraram as falas de Benedita da Silva, Chico D'Angelo, Wadih Damous e de outros parlamentares do PT; Lindenberg Faria foi vaiado e o nome de Lula também, pela juventude psolista. Era pra ser um puta evento em Copacabana pelas #DiretasJá. Mas o PSOL Oficial tomou pra si a condução e barrou a presença do PT. E que seja diferente em São Paulo. Aqui foi só uma festinha do Marcelo Freixo e seus pares."

Hackers invadiram o computador do Aécio



Cursos de medicina viraram antros de playboys e patricinhas transbordando de ódio de classe

Médicos alemães durante julgamento em Nuremberg, 1946

Leandro Fortes  
 ·
REAÇAS E FURIOSOS  

Já passou da hora de inserir a variável "noção" no filtro de admissão dos cursos de medicina, no Brasil, sobretudo nos das universidades públicas.

Não adianta ser ótimo aluno, ser a primeira da turma, passar em um vestibular dificílimo, mas ser uma toupeira política com a visão social de um bisturi.

Os cursos de medicina viraram antros de playboys e patricinhas transbordando de ódio de classe e visão mercantilista do ofício. Sem falar nos neonazistas e apologistas do estupro.

Não por outra razão, a categoria ficou tão incomodada com os médicos cubanos e com o viés social do programa Mais Médicos, dos governos do PT.

Versão tupiniquim de House of Cards


Claudio Guedes

Zombaria

Vejo que o ministro da Justiça nomeado no domingo, 28/05, pelo presidente Michel Temer, o governante flagrado em meio a negociatas comprometedoras, é advogado e pós-graduado na Universidade de Michigan.

Mas não foi por sua formação que Torquato Jardim foi indicado ministro. E sim por sua ligação e conhecimento do modus operandi do Tribunal Superior Eleitoral onde foi ministro por longos anos (1988-1996). O TSE é uma das cortes onde o destino de Michel Temer será em muito breve decidido.

O presidente postiço, produto de uma farsa constitucional, é entretanto um mandatário coerente. Com ele a liturgia e o comportamento republicano que se devem esperar de alguém que ocupa a presidência da República se resumem a uma postura démodé ensaiada e um jogo de mãos irritante. 

Seus métodos políticos são tão arcaicos quanto.

A corrupção é tratada no próprio palácio oficial que o hospeda, seus assessores diretos suspeitos de corrupção são ministros porque necessitam de blindagem, seu novo ministro da Justiça é nomeado não para ser um elo de interlocução do poder executivo com o poder judiciário, mas alguém para usar sua influência & conhecimento para "livrar" o presidente dos problemas que enfrenta com a justiça. 

Seu assessor de confiança para assuntos de grana & aposentadoria foi guindado ao Congresso Nacional pela nomeação de um "ninguém" ao ministério da Justiça. E agora a ida do inexpressivo deputado federal Oscar Serraglio para o ministério da Transparência mantém o foro privilegiado do deputado afastado pelo STF, Rodrigo Rocha Loures, que é suplente de Serraglio no estado do Paraná.

Parece mentira, um roteiro da versão tupiniquim de House of Cards, mas não é: é isto um resumo do desgoverno Temer. O detalhe é a rejeição de mais de 90% da população à sua presença no Planalto.

Mas ainda não acabou. Tem mais.

O novo ministro da Justiça nomeado, o advogado Jardim, disse, em entrevista à Folha de hoje, 29/05, que ele como "jurista" não se preocupa nem um pouco com o fato de que temos pela primeira vez um presidente da República alvo de um inquérito no STF. E negou que temos uma crise política no país, uma crise de legitimidade política que atinge diretamente o presidente da República e seu governo. Negou simplesmente. Disse que a crise é só na economia.

Como diria aquela modelo muito bonita: é isso que temos "para o dia", ao que eu posso acrescentar: é isso, é essa "coisa" que temos agora no ministério da Justiça.

Está fácil?

De Hitler a Doria, da Nova Berlim à Nova Luz



A Cracolândia e o documentário "Arquitetura da Destruição"

O leitor certamente já deve ter assistido, ou pelo menos ouvido falar, no documentário do sueco Peter Cohen Arquitetura da Destruição. Produzido em 1991, é um dos melhores estudos sobre o Nazismo. Traça o percurso de Hitler e de seus mais próximos colaboradores com a arte - do sonho de se tornar artista ao ponto em que suas antigas gravuras foram utilizadas como modelos para colossais obras arquitetônicas, depois de chegar ao poder.

Mas o documentário principalmente descreve o princípio fundamental de “embelezamento do mundo”, vinculado diretamente a “limpeza”: urbanística, arquitetônica, médica e racial – a eliminação dos judeus como doença que poderia “deformar o corpo da nação”.

Embelezar o mundo, nem que para isso fosse necessário destruí-lo.

Enquanto a guerra acontecia, Hitler e seu arquiteto (e favorito para sucedê-lo) Albert Speer trabalhavam freneticamente na construção de obras monumentais na Alemanha, principalmente o projeto da “Nova Berlim” – mais de 20 mil apartamentos de judeus e inimigos do regime foram demolidos no projeto de reconstrução de Speer. Cem mil pessoas foram desalojadas, presas e finalmente confinadas em campos de concentração.

Princípio das Ruínas

Porém, o mais curioso por trás desse conceito de “embelezamento do mundo” estava presente o chamado “Princípio das Ruínas” idealizado por Hitler e Speer. Eles imaginavam um futuro distante em que todos as gigantescas obras nazistas em mármore e granito ruiriam, formando ruínas pitorescas que seriam descobertas por arqueólogos. Então, ficariam estupefatos e inspirados diante da grande revelação dos princípios que motivaram essas obras, estremecendo sociedades futuras – Hitler falava explicitamente nesse princípio em seus discursos.

Speer costumava apresentar para Hitler desenhos de como seria o aspecto daquelas obras monumentais em ruínas e cobertas pela vegetação.  

 O paradoxo desse princípio é que a vitória na guerra não era tão importante para Hitler (talvez isso explique os nazistas travarem uma guerra moderna com objetivos e estratégias antigas). Para ele, a queda da Alemanha e as ruínas da sua arquitetura monumental inspirariam gerações futuras.

E parece que Hitler com a sua, por assim dizer, “arquitetura subliminar” estava com razão. Além da propaganda de Goebels, o “princípio das ruínas” e do “embelezamento do mundo” da dupla Hitler/Speer não só perpetuaram para a História os valores da eugenia, racismo e intolerância mas, principalmente a associação da arquitetura e urbanismo com a destruição ao invés da integração.

Da Nova Berlim à Nova Luz

Nova Berlim


Setenta anos depois, na maior cidade da América Latina, ao invés da “Nova Berlim” temos o projeto da “Nova Luz”; e no lugar do “embelezamento do mundo”, a instituição do programa “Cidade Linda” comandada por João Doria Jr. Um prefeito que, certa vez, considerou a cidade de São Paulo um “lixo vivo” e “filme escabroso” com pancadões (bailes funk) “patrocinados por atividade criminosa”.

A região conhecida por Cracolândia (no centro da cidade de São Paulo onde a partir dos anos 1990 desenvolveu intenso tráfico de drogas com a comercialização e consumo principalmente do crack livremente pelas ruas) sempre foi pensada como um grave  problema social no qual furtos, mendicância e prostituição gravitam em torno do problema das drogas.

Programas sociais da Prefeitura como Recomeço e Braços Abertos sempre visaram o acolhimento, tratamento e reintegração à sociedade das almas perdidas nessa região da São Paulo.

Tudo mudou com a chamada “megaoperação de combate ao tráfico de drogas”, como a mídia corporativa quis que parecesse - ação policial em blitzkrieg com bombas, prisão de traficantes e apreensão de drogas e armas na manhã do domingo do dia 21 que culminou com a decisão da Justiça de autorizar a Prefeitura de internar à força dependentes químicos que forem encontrados pelas ruas da Cracolândia.

Porém essa foi apenas a superfície midiática: as imagens do prefeito Doria Jr. subindo em uma escavadeira posando para fotografias; caminhando rápido e trajando uma jaqueta negra ao lado de um secretário entre lixo, escombros e ruínas em uma rua da região; prédios, pensões e bares sendo demolidos a toque de caixa inclusive fazendo vítimas entre moradores pegos de surpresa apontam para algo mais -  o decreto de 19 de maio declarando aquela área como “utilidade pública” o que permitirá desapropriações sumárias e demolições de quarteirões inteiros.

O pretexto do combate às drogas esconde uma intervenção urbanística radical que, assim como a Nova Berlim dos anos 1940, implica no “embelezamento” por meio da higienização social e destruição.

Nova Luz


Um projeto sintomaticamente chamado “Nova Luz” (a flagrante alusão ao nome projeto urbanístico de Hitler e Speer não é mera coincidência) que começa exatamente ao lado dos quarteirões da Cracolândia – substituição do centro velho por um distrito de negócios elitizado com prédios envidraçados sobre a história região da Luz em São Paulo. Projeto solicitado ao escritório  arquiteto e ex-prefeito de Curitiba Jaime Lerner – clique aqui e aqui.

“A única higiene do mundo”

Desde que o artista italiano Marinetti, em seu Manifesto Futurista de 1906, falou em “glorificar a guerra” porque era a “única higiene do mundo” capaz de destruir tudo que era velho e clássico para instituir o moderno e “libertário”, o fascismo aliou-se às ideias de modernidade e progresso.

Guerra e a destruição eram vistas como algo positivo para a humanidade para diversos estratos da sociedade: ajudaria os jovens a se livrar dos vícios como o alcoolismo, a vagabundagem e a libertinagem sexual. Tanto o nazismo como o fascismo, com sua políticas de higienização e embelezamento do mundo, transformaram essa percepção em valores de propaganda e princípios de urbanização – leia ENGLUND, Peter. A Beleza e a Dor – uma história íntima da Primeira Guerra Mundial, Companhia das Letras.

Essa positividade na destruição chegaria até à Teoria Econômica com o conceito de “destruição criativa” criado em 1942 pelo austríaco Joseph Schumpeter para o quem a destruição de empresas pela livre concorrência seria a força motriz para o desenvolvimento econômico e inovação tecnológica.

Atropelados pelo Progresso

A estrada da Modernidade está repleta de cadáveres atropelados pelo Progresso. A modernização exige o confinamento e extermínio daqueles que estão no lugar errado e na hora errada – judeus, drogados, alcoólatras, pobres, homo-afetivos, desempregados etc. serão sempre os inimigos ou o bode expiatório da vez para que ocorra guerra e destruição.

Limpeza, higienização social, urbanização e arquiteturas monumentais são  etapas desse embelezamento do mundo baseado na destruição, desintegração e aniquilamento de tudo aquilo que é “velho”, “passado” e, por isso mesmo, suspeitos de doenças e vícios.

 A barbárie de Estado da atual operação na Cracolândia e o programa Cidade Linda é mais uma evidência da força do legado místico da arquitetura da destruição e o “princípio das ruínas” de Hitler e Speer: continuam inspirando gerações – um velho princípio agora mascarado por modernos eufemismos do jargão administrativo como “gestão”, “programa de metas”, “parcerias”, “índice de eficiência” etc. A tragédia se repetindo como farsa.

Essa barbárie de Estado é ainda mais perniciosa do que a ação direta dos famigerados neonazistas: esses pelo menos são mais identificáveis com o seu discurso estereotipado e sua violência ritualizada que tenta emular as ações da SS e SA da velha Alemanha nazista.

Ao contrário, megaoperações da guerra às drogas e coisas como “Cidade Linda” se escondem sob a aparência midiática da “gestão” e “modernização”.

Não é à toa que no filme Ele Está de Volta (mockumentary em humor negro que mostra o que aconteceria se Hitler reaparecesse no século XXI graças a uma anomalia temporal), Hitler vê os neonazistas na Alemanha e os chama de “fracotes!” – clique aqui.

Certamente são os gestores, CEOs de empresas e toda a gama de tecnocratas, sanitaristas e urbanistas os que melhor compreenderam o cerne dos princípios que marcaram o século XX, criado por um arco formado desde os futuristas na Arte, passando pelos nazifascistas na Política até chegarmos ao neoliberais na Economia.

Grupos neonazistas são apenas “fracotes”. Os mais perigosos mesmo são os chamados “gestores” nos governos e corporações: sob o eufemístico jargão da moderna gestão, escondem o fascínio pela arquitetura da destruição e o princípio das ruínas.

Cresce o rebanho


Ligações perigosas


domingo, 28 de maio de 2017

Vida indiscreta


O que são "evidências" e o que são "provas"?

Fernando Horta

Mas afinal, o que são "evidências" e o que são "provas"?

Muita gente (e gente boa) tem caído nesta aqui. É claro que o ordenamento jurídico brasileiro permite um espaço tão grande ao juiz que ele virtualmente pode dizer o que é uma e outra coisa. Pode "convencer-se" da existência de uma, outra ou ainda de que nenhuma existe. Embora alguns juristas de peso sejam contra esta liberdade toda o corporativismo dos magistrados pensa ainda em aumentar tal noção. Imagine que na última reforma do código, havia um artigo que obrigava o juiz em sentença justificar sua decisão. Por pressão da magistratura, tal dispositivo foi retirado. Livre convencimento não é bem livre se você tem que se explicar... 

Mas enfim, as noções de "evidência" e "prova" não são afeitas exclusivamente ao direito. Elas surgem como ferramentas científicas e são utilizadas no dia-a-dia (ou deveriam ser), e entre elas existe muita diferença. A ideia de evidência remete a uma constatação indutiva que um sujeito faz sobre a realidade a partir de um enfoque pré estabelecido. Quero saber se já amanheceu e abro meus olhos. Vendo alguma luminosidade tenho uma evidência de que sim, já amanheceu. 

Evidências são observações da realidade com nada mais do que noções pré-existentes desta realidade. Note que preciso saber anteriormente o que é "amanhecer" e como ele acontece GERALMENTE, para que eu tenha na luz uma evidência dele. A evidências é uma cognição a priori, sobre a qual não se exerceu em profundidade o crivo da razão ou da ciência. 

Se abro os olhos e percebo luz está provado que já amanheceu? Não, de maneira nenhuma. Um sem número de situações podem estar ocorrendo, desde você estar próximo aos polos e estar experimentando o famoso "sol da meia noite", até um eclipse, ou luz artificial. A evidência se caracteriza por ter um poder explicativo tópico e geralmente sem contestação. 

O grande problema de explicações ou convencimentos baseados em evidências é o número imenso de erros que elas podem gerar. Como evidências não são objeto de crítica elas podem dar a entender uma realidade que inexiste. Ao raciocinar sobre a evidência eu posso ou não transforma-la em "prova". 

A prova se caracteriza por ser parte de um narrativa causal, que busca uma explicação testada, criticada e organizada segundo uma "teoria". O que transforma e evidência em prova é a investigação. Esta investigação será tanto mais forte quanto mais rígida para evitar erros de origem, falácias lógicas, manipulações de contexto ou entendimento e etc. 

Normalmente a "prova" é "forte" quando ela tem 3 características: 

1) objetividade, ou seja... Ela depende pouco do sujeito. Normalmente se usam os princípios da repetibilidade para mostrar isto. Vários testes, com variáveis controladas e etc., mas se pode usar também o princípio da múltipla origem. Quando temos a narração de um determinado evento colhida dentro de diferentes culturas, diferentes tempos e que estas culturas não possam ter entrado em contato, estamos fortalecendo, por diversidade de origem a ideia de que aquele evento realmente ocorreu. É assim que os historiadores fazem. O dilúvio, por exemplo, tem registros em civilizações muito distintas, distantes e sem contato. Da evidência, temos uma prova que vai fortalecendo a teoria. Na lava a jato temos muitas "delações" oriundas de pessoas muito próximas de si, que se conversam, que tem interesses comuns... Aqui o número de citações não joga pelo fortalecimento da "prova", mas ao contrário, pelo seu descrédito.

A segunda (2) característica de uma boa prova é a independência. Quando a prova é colhida (ou constituída) num ambiente em que se pode afastar a ideia de viés de origem. Uma confissão, por exemplo, pode não ter nenhum valor uma vez que é gerada com vícios (vícios de origem). Já uma carta escrita anteriormente à investigação, em ue o sujeito relata sem ser perguntado sobre determinado evento, tem força. Presume-se que ali estavam ausentes forças externas que poderiam condicionar uma confissão. De fato nem o interesse do pesquisador em "provar algo" existia. A prova é independente em sua gênese, mas não em sua interpretação ou encaixe na teoria maior. Provas independentes são o ponto mais avassalador usado por roteiristas ou escritores policiais. Aos 45 do segundo tempo o investigador já sem chances de provar seu ponto dá de cara com uma prova independente e clara. Normalmente inteligente e chocante. É a aliança no filme "sexto sentido", que rola da mão adormecida da mulher do personagem.

A terceira (3) característica é a falseabilidade. A prova tem que ser tal que em ela sendo invertida o resultado lógico também teria que ser. Fulano cometeu estupro e aqui está o material encontrado no corpo da vítima. Vamos ao DNA, se for do réu a narrativa segue afirmando sua culpa, mas se no DNA for encontrado material diferente do do réu a narrativa deve mudar. Aqui todo escritor ou roteirista de suspense ou drama se lava. Apresenta uma prova falseável, que parece conduzir a história para o caminho A, mas no final do drama mostra-se que ela estava errada por algum motivo e então temos que seguir pelo caminho B. Sherlock Holmes de Conan Doyle usa muito esta estratégia em seus contos. 

Evidência é pois uma informação tópica sobre a realidade. Prova é uma constituição mediada por critica, metodologia e teoria para oferecer um quadro capaz de estabelecer uma explicação causal. No direito as provas devem ser sempre abertas e submetidas ao "contraditório" da defesa. Evidências não. Se a acusação quiser transformar evidência em prova, que trabalhe para isto. Um dos maiores abusos jurídicos é o tal "quadro evidencial não conclusivo" que é usado no lugar da prova. Teve até ministra do STF assim julgando, em voto redigido por Moro. Isto é de uma ignorância epistemológica imensa. 

Veja este caso: Você está dormindo calmamente quando se lembra que tem um compromisso importante às 8 da manhã. Acorda apavorado, e olha para o relógio da cabeceira e ele marca 7:30, você dá graças, entra no banho se veste, pega o carro e chega, enfim no horário. O dia transcorre bem, porque você conseguiu. Ao voltar para a casa no final da tarde, feliz, você percebe que o relógio continua marcando 7:30. O que era prova mostrou-se errado e as coisas que tinham relação causal foram apenas fruto do acaso.

Epistemologia e o mundo seria muito melhor.

Edit 1: Evidências são coisas tão frágeis que numa dissertação de mestrado ou tese de doutorado evidências são prova da falta de trabalho. Se no final da pesquisa tudo o que você tem são "evidências" você não tem nada. Evidência se trabalha para transformar em prova ou descartar.

64


Por Luis Fernando Verissimo

Lucia e eu nos casamos em março de 1964. Fomos morar num quarto-e-sala da Rua Figueiredo Magalhães, em Copacabana. Eu, sem emprego, tentava começar um negócio que só provaria minha total inabilidade para negócios. Vivíamos do dinheiro mandado de casa, o bastante para pagar o aluguel e pouca coisa mais. E éramos felizes.

Quando marcamos a data do casamento, me ocupei em saber o que o ano de 64 nos reservava. Não tinha nenhuma crença em desígnios ocultos, mas nunca se sabe. Encontrei uma lista num livro chamado “Símbolos”.

Descobri que 64 são os caminhos da Cabala para o conhecimento.

Que a mãe do Buda era de uma família com 64 tipos de virtude.

Que 64 gerações separavam Confúcio do começo da dinastia Hoang Ti.

Que Jesus Cristo era o sexagésimo-quarto na linha de descendentes diretos de Adão, segundo São Lucas.

Que 64 mulas puxaram a carruagem fúnebre de Alexandre Magno.

Que 64 pessoas carregavam os restos mortais dos imperadores da China.

Que 64 são as casas num tabuleiro de xadrez.

E que 64, oito vezes oito, é o numero da plenitude humana.

Deduzi que 64 era um bom ano para começar um casamento. Mal sabia eu…

A lista não dizia nada sobre o general Mourão.

A notícia de que as tropas estão na rua outra vez me enche, portanto, de revolta, mas também de nostalgia. Saudade não do golpe e do que viria depois, mas de nós, naqueles dias. Minha única atividade antigolpe, além de comprar o “Correio da Manhã” para ler o Cony, era preparar a fuga de uma tia que estava sendo hostilizada no trabalho, caso fosse necessário. Mas quando penso em 64, penso no nosso pequeno apartamento na Figueiredo Magalhães, na festa que era quando sobrava algum dinheiro para jantar no “Rondinela”.

Não sei se teremos 64 de novo. Nem sei se a tropa já não foi, sensatamente, recolhida aos quartéis. Nossa juventude é que certamente não volta mais.
Web Analytics