sexta-feira, 7 de abril de 2017

Luciana Genro quer o PSOL como braço esquerdo do golpe


Estamos na primeira semana de abril de 2017, acumulando muitas derrotas, peleando para conseguir um pouco de mobilização contra os muitos absurdos que esse governo tentar nos impor - e os partidos de esquerda com os dois olhos postos em outubro de 2018.

Entendo a candidatura de Lula como uma forma de aumentar os custos da perseguição judicial contra ele, escancarando o que é seu conteúdo real (não a punição por algum ilícito, mas a tentativa de destruir politicamente alguém que é considerado indesejável). Mas não creio que Lula tenha algum direito divino a ser o candidato da esquerda. Ainda falta ele esclarecer qual é o seu programa, que certamente não pode ser mais o de 2002: o caminho da mudança contida, com a menor fricção possível, foi bloqueado por decisão dos grupos dominantes. Como já escrevi outro dia, se for para Lula representar a normalização do golpe, ele não será a opção da esquerda.

Mas não entendo a cartinha de Luciana Genro. O PSOL não pode tentar construir uma unidade com outras forças política do campo democrático? É um partido tão exclusivamente eleitoral que vai perder sua identidade se não tiver candidatura própria? Se é isso, não merece choro nem vela: um partido de esquerda deveria ter sua identidade ancorada na sua atuação nos movimentos populares. É realmente razoável colocar o governo golpista e o "lulismo" no mesmo plano, como adversários iguais do PSOL? Essa fórmula não tem efeito apenas em 2018; ela atrapalha desde já a unidade de ação necessária para barrar os retrocessos.

E o mais importante: tudo o que o PSOL tem a oferecer para se diferenciar do PT é seu apoio à ofensiva autoritária, moralista e antinacional que atende pelo nome de Operação Lava Jato? Eu acho que não; acho que o PSOL pode ser bem melhor do que isso. Mas, se for assim, então é melhor ficar com o PT, mesmo com seus muitos defeitos.

Luciana Genro simplesmente não entende o que o golpe significou. Muita gente diz que ela faz política como se estivesse disputando o DCE. Mas, pelo menos aqui na UnB, os estudantes souberam se unir - inclusive os do PSOL - e derrotar a direita. Luciana Genro podia aprender com eles.

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