quarta-feira, 26 de abril de 2017

Devemos perdoar os nossos inimigos, mas...


Cristóvão Feil

“Minha disposição é a mais pacífica. Os meus desejos são: uma humilde cabana com um teto de palha, mas boa cama, boa comida, o leite e a manteiga mais frescos, flores em minha janela e algumas belas árvores em frente à minha porta; e, se Deus quiser tornar completa a minha felicidade, me concederá a alegria de ver seis ou sete de meus inimigos enforcados nessas árvores. Antes da morte deles, eu, tocado em meu coração, lhes perdoarei todo o mal que em vida me fizeram. Deve-se, é verdade, perdoar os inimigos – mas não antes de terem sido enforcados”. [In "Gedanken und Einfälle"].

O autor da ironia corrosiva foi o escritor e poeta alemão Heirich Heine (1797-1856). 

Freud cita esse trecho da obra de Heine em "O mal-estar na civilização" (1929), para enfatizar o permanente conflito humano entre as exigências do instinto (a nossa porção Natureza) e as restrições da civilização (a nossa porção Cultura).

O poeta romântico foi um duro crítico da religião (que agora está na moda, com inúmeros autores se dedicando a escrever sobre o tema).

A famosa expressão que qualifica a religião como “ópio do povo", usado por Karl Marx na "Crítica da filosofia hegeliana do Direito" (1844), foi inspirada numa obra de Heine de 1840, onde ele - como sempre - ironizava:

“Bendita seja uma religião, que derrama no amargo cálice da humanidade sofredora algumas doces e soporíferas gotas de ópio espiritual, algumas gotas de amor, fé e esperança”. [Esta frase eu pesquei da Wikipédia.]

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