segunda-feira, 10 de abril de 2017

Ainda sobre Sílvio Santos e Sheiranazi

Nilson Lage

Em primeiro lugar, acredito que Sílvio Santos diria o que disse independentemente do sexo do funcionário que repreendeu de público. Poderia ter sido mais gentil (mais cavalheiro?), mas não é o estilo dele; sempre se comportou com áspera franqueza, e é assim que auditórios dominantemente femininos o enriqueceram.

Na essência, tem razão: a moça foi contratada para ser apresentadora, não comentarista. Comentários no estilo dos que fazia – tendenciosos, radicais, sistematicamente alinhados – envolvem responsabilidade que se estende à empresa, o que o discreto histórico profissional da moça apenas agrava.

Um self-made-man de 84 anos, que começou a vida como camelô e furou os tetos sociais a cotoveladas, tem o direito de ser sincero e deixar claro ao público em geral que ele, empresário, não tem a mesma militância política de quem apresenta um noticiário.

Todos sabem que quando Merval, Miriam Leitão, Sardenberg ou William Waack dizem o que dizem é porque a empresa – no caso a Globo – o admite e, em linhas gerais, concorda. Pelo menos é nisso que acreditam os críticos habituais do jornalismo global.

São raríssimos os casos de profissionais que expressam habitualmente opinião divergente da do patrão em itens essenciais e não conforme estratégias de marketing da empresa: o Jânio, o Veríssimo,o Kotscho, o Juremir, talvez o Boechat ... - todos com outro nível de representatividade e de coerência no discurso.

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