terça-feira, 7 de março de 2017

É a política, idiota

Claudio Guedes

É a política, idiota *

Vejo agora no UOL, 07/3, que a "retração do PIB brasileiro, de 3,6% no ano passado, se destaca não apenas por ser a mais forte entre as maiores economias mundiais, mas também por ter ocorrido em um período de retomada global.

Entre as 45 economias que já divulgaram o resultado do PIB de 2016, apenas Rússia (queda de 0,2%) e Nigéria (contração de 1,5%) também fecharam o ano com um PIB menor do que o de 2015. No caso do país africano foi a primeira retração em 25 anos.

A retração brasileira, porém, ainda deve ser desbancada pela da Venezuela. O país vizinho, em grave crise, não publicou nenhum dado trimestral de PIB no ano passado, mas analistas consultados pela agência Bloomberg estimam uma queda de 10% para 2016."

Por que uma retração econômica tão forte por aqui? E por que se espera uma ainda mais forte retração na Venezuela?

Eventuais erros na condução de políticas econômicas explicariam esses resultados? Não creio. Não nessa proporção.

Acho que a economia brasileira foi para o vinagre em 2015 e em 2016 essencialmente por causa da luta política que se desenrola no país.

Uma presidente eleita pelo voto popular, em 2014, não foi considerada legitimamente eleita por parte considerável das forças políticas do país (parte importante), que passaram a boicotar o seu governo e contaram para esse objetivo com o apoio de boa parte do PIB e das empresas que controlam 90% da mídia impressa e televisiva.

Na Venezuela, um processo semelhante se desenrola.

Mesmo sem entrar no mérito da luta política cá e lá, o que podemos constatar é que a luta política, a luta pelo poder, contaminou de tal forma o ambiente econômico que a retração tornou-se realidade tanto cá, como lá.

No caso brasileiro, a democracia foi golpeada, com base numa farsa. Um governo eleito, legitimo, foi substituído por um governo de oportunistas e vigaristas.

O sistema político brasileiro apodreceu, o sistema de financiamento da política por empreiteiros e fornecedores do estado - comum a todos os grandes partidos, todos que efetivamente disputam o poder no país - entrou em colapso.

O governo Dilma Rousseff perdeu credibilidade, tornou-se frágil. O governo que o substituiu nem possui credibilidade, nem legitimidade. É um governo que se movimenta mal sobre um terreno movediço, sendo incapaz de sinalizar capacidade de comandar o país.

Os males do Brasil são.

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* O título do post é um jogo com a famosa frase "The economy, stupid" (A economia, idiota), cunhada em 1992 por James Carville, então estrategista da campanha presidencial de Bill Clinton contra George H. W. Bush, presidente dos Estados Unidos na época. Clinton ganhou a eleição prometendo vencer o desânimo que se abatia sobre a economia americana.

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