sexta-feira, 10 de março de 2017

A esquerda que a direita gosta, financia e divulga

À direita de Hitler

Esquerda carcerária, eco da direita
Causa Operária

A luta contra o golpe de Estado que começou em 2016 trouxe pelo menos um benefício ao movimento que combate a Globo, Temer, Aécio e toda a direita golpista, a diferenciação. Para combater a ameaça iminente do golpe o movimento operário passou por um processo de luta interna, setores do PT que há muito não se movimentavam saíram às ruas, a CUT liderou uma série de mobilizações importantes, nesse processo começou-se a separar o joio do trigo.
O Brasil foi espectador de demonstrações grotescas de oportunismo como Humberto Costa, senador da direita petista, falar que temos que “virar a página do golpe” e ir para as eleições como se nada tivesse acontecido, o povo brasileiro viu o PCdoB trair qualquer tradição de esquerda ou popular ao votar em Rodrigo Maia para proteger cargos e posições ganhas dentro do Estado e parlamento.

Ao contrário do que muitos pensam, essas experiências que o movimento contra o golpe está passando não são negativas, são justamente ao contrário. É na luta, nos momentos de necessidade que o povo descobre que partidos e organizações a representam e quais representam a si mesmas.

Nesse artigo não vamos tratar de um panorama completo da esquerda nacional, algo que temos de tratar em edições subsequentes, mas um fenômeno curioso que se formou, o da esquerda carcerária.

Na luta contra o golpe vimos surgir uma esquerda que não só era a favor do golpe como é a favor das prisões, dos processos sem provas e do aparato judicial golpistas. Isso é claro no caso do PSOL, por exemplo, Luciano Genro chegou a gritar “Todo apoio a Lava-Jato”, o PSOL de conjunto defendeu fervorosamente as 10 medidas contra a corrupção, que limitam o habeas corpus, permitem provas ilegais, testes de integridade, e dificultam a defesa, o PSTU pediu a prisão de Lula, setores parlamentares do PT não denunciam a Lava-Jato até agora, perseguição política em forma de operação policial.

Essa esquerda por defender uma atuação estritamente parlamentar, de convivência com a burguesia se colocou ideologicamente no campo da direita mais fervorosa, no caso do PSOL, as 10 medidas seriam consideradas extremas até no Terceiro Reich.
Todo apoio ao golpe neonazista! Sieg Heil!
É preciso relembrar que as tradições do movimento operário sempre foram o inverso destas.

A política de esquerda lutou e luta contra a pena de morte e contra a justiça punitiva. Os partidos operários sempre foram contra as altas penas e o fortalecimento do Estado burguês, contra dar aos poderosos ferramentas para atacar o povo. Foram os elementos mais progressistas de suas épocas que lutavam para conseguir o habeas corpus, na França ele foi estabelecido pela Revolução Francesa na Declaração dos Direito do Homem e do Cidadão, hoje é a esquerda carcerária que quer amputá-lo.

Defendem essa posição por pressão da imprensa golpista e porque um setor da pequena-burguesia foi tomado por essa posição, setor em que se apoiam. Diretamente ou indiretamente adotaram essa posição porque essa é a posição da direita. Por não terem um programa de defesa dos interesses reais da população, defendem aquilo que é defensável sem entrar em uma polêmica com a chamada opinião pública, que não é nada mais do que a imprensa burguesa.

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