quarta-feira, 1 de fevereiro de 2017

Trump e a auto-ilusão dos colonizados


Fábio de Oliveira Ribeiro

Para resistir ao canto das sereias, Odisseu mandou seus homens amarrá-lo ao mastro do barco depois de obrigá-los a tampar os ouvidos com cera. Exposto à tentação, ele rogou para ser libertado e não foi ouvido. Só assim ele sobreviveu àquilo que havia levado tantos homens à ruína.

A utilidade deste mito é evidente. As sereias não existem, mas nós somos tão mortais quanto Odisseu.  E também estamos sujeitos à tentação. Quantos de nós já não fomos arrastados por nossos preconceitos, ódios, paixões, desejos e crenças?
Não existe nada mais terrível do que a ilusão, exceto a auto-ilusão. Os golpistas acreditaram que removendo Dilma Rousseff do poder granjeariam amplo apoio internacional. Os empresários que apoiaram os golpistas acreditaram que a economia iria melhorar após Michel Temer chegar ao poder. Os populares que foram às ruas contra o PT acreditaram que a eleição de Trump atrairia investimentos para o Brasil e consolidaria a ruptura da legalidade em nosso país.

A injusta e ilegal perseguição ao PT atraiu ampla rejeição internacional ao golpe de 2016 e isolou o Brasil. A economia brasileira segue afundando e provocando mais desemprego, menos arrecadação de impostos e um aumento do desespero dos comerciantes e industriais. Eleito e empossado, Donald Trump  adotou políticas protecionistas que frustram o projeto dos golpistas de engatar a economia brasileira na dos EUA. Não só isto, ele também limitou a concessão de vistos aos turistas brasileiros sem entrevistas prévias.

Os iludidos e auto-iludidos já podem recolher suas bandeiras dos EUA, dicionários de inglês, faixas apoiando Trump e fantasias de Tio Sam. Não compete a mim dizer onde tudo isto deve ser enfiado.  

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