segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017

O Mussolini de Temer e do PSDB


Não é só pela careca, porque carecas há para todos os gostos, de Foucault e Yul Brynner a Mike Tyson e Eike Batista. É a combinação da careca com outros atributos - o porte militar de fancaria, o olhar metálico, o sorriso robótico, o jeito truculento que um verniz de bons modos não consegue esconder - que me faz lembrar de Benito Mussolini cada vez que olho para Alexandre de Moraes.

Os sites dos jornais noticiam que ele será mesmo o indicado para o STF. A indicação é acintosa. 

Moraes pode ser, como contam alguns amigos da área do Direito, autor de manuais didáticos competentes. Nem por isso é um jurista respeitável: é uma personalidade pública marcada pelo apreço à violência policial, pelo desprezo aos direitos e ao direito, pela conivência com abusos.

Diz-se que o Figueiredo alcunhou o general Newton Cruz, carinhosamente, de "o nosso Mussolini". 

Moraes é o Mussolini de Temer e do PSDB. Só está sendo indicado porque o governo percebe que não precisa manter nenhum limite. E a nossa falta de reação, a cada novo golpe, mostra que estão certos. Se foi possível criar um ministério para dar foro especial a Moreira Franco, sem que se ouvisse qualquer protesto, por que não fazer o serviço completo e colocar Alexandre de Moraes entre os que vão, a partir de agora, julgá-lo?

(Aliás, em sua biografia do Mussolini original, Richard Bosworth conta que ele possuía um "magnífico" gato angorá. A história, como ser vê, se repete sempre como farsa.)

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