segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017

A burguesia brasileira


Falam mal da burguesia brasileira. Eu a admiro. É fênix.
Vem do Irineu Evangelista, que faliram.
Renasceu, depois da picaretagem do encilhamento, no vazio europeu da Primeira Grande Guerra.
Foi assassinada com Delmiro Gouveia e sua fábrica de linhas de coser, à margem do São Francisco Jagunços pagos pelos ingleses.
Resistiu na Manchester Mineira com os cariocas do brejo; em São Paulo à margem dos cafezais, tocada por imigrantes, escondida da casa grande.
Henrique Lage, Matarazzo, a Perfumaria Myrta, a Phebo, a Gramado, as gravadoras de música. A Editora Melhoramentos
A Vera Cruz, a Maristela, o monopólio da distribuição e a imprensa vendida: Chateaubriand, Marinho.
O petróleo é nosso.
A asfixia da Rádio Nacional.
A morte súbita da Panair, o apogeu e queda da Varig...
A liquidação da TV Excelsior, do Correio da Manhã, do Diário de Notícias, do Jornal do Brasil. O virtual monopólio da informação.
A Vemag – Veículos e Máquinas Agrícolas – e a Gurgel.
A Engesa.
A construção naval agoniza mas não morre, como o samba, mas parece que agora dançou.
A Embraco, a Brastemp, a Prosdócimo, os juros – ah, os juros.
Um país que sempre exportou capital não permite que o daqui aqui prospere e permaneça.
A Petrobras. A indústria da construção. A siderurgia. Uma história feita de cadáveres e algozes,
Sobram os embaladores e os picaretas – ladrões, todos, honestíssimos.
E os bacharéis zelam para que assim seja.

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