terça-feira, 24 de janeiro de 2017

Pobre São Paulo, pobre paulista

Alexandre De Oliveira Périgo

Não me causam estranhamento algum as primeiras medidas higienistas do novo prefeito tucano de Sampa.

Pra gente como Dória e seus pares de berço, cidades não são vivas, não pulsam, não têm cores.

Pra gente como Dória e seus sorrisos de plástico, cidades não refletem as agonias, felicidades e expectativas de seus habitantes.

Pra gente como Dória e suas vestimentas de grife, cidades não merecem ser respeitadas como lar nem como palco da vida e de manifestações artísticas de cada um de seus moradores.

Pra gente como Dória e seus consortes de bem, cidades são meras caixas de papelão a guardar mão-de-obra barata.

Pra gente como Dória e suas famílias de comercial de margarina, cidades são depósitos de carne de segunda, cuja única ocupação digna é enriquecer os patrões enclausurados em bolhas de prosperidade.

É dessa forma que gente como Dória e sua horda de neoliberais pensam e conduzem as cidades: esterilizando-as com o cinza-frustração, castrando-as das cores e da latência da arte urbana para que sigam, inertes e alienadas, focadas em sua única vocação: armazenar infelizes e explorados.

Pobres paulistas e pobres das gentes que imaginam haver um laivo sequer de empatia nos corações desses fascistas.

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