domingo, 8 de janeiro de 2017

O banqueiro e a trabalhadora


Ele é um bacana, sem dúvida alguma. Um dos políticos mais ricos do país, foi presidente do PSDB no Rio de Janeiro, deputado, secretário de Estado, candidato ao governo e ao senado federal. Segundo o Estadão (02/08/2014), quando se candidatou à suplência de César Maia na eleição ao senado, em 2014, "era o candidato mais rico do país", com fortuna declarada de R$ 533 milhões, no IR, que só mede, como sabemos, parte do real patrimônio.

O tucano milionário é o ex-banqueiro e investidor carioca Ronaldo Cezar Coelho. Segundo documento apresentado por ele ao TRE-RJ (obrigatório a quem se candidata), mora em um apartamento no Leblon que adquiriu por R$ 8.825.000,00. Na parede do apê um quadro do paulista Alfredo Volpi, "Fachada de Santos", com valor declarado de R$ 9.800.000,00. Uma extravagância, por certo, o detalhe que o quadro - de 116 x 63 cm2, - vale mais do que o imóvel, que é um dos mais valorizados da cidade maravilhosa.

Ela é uma moça simples. Trabalhadora assalariada. Irmã da mulher do tesoureiro do PT, João Vaccari Neto. Em abril de 2015, o MPF pediu sua prisão preventiva e o juiz federal Sérgio Moro concedeu, no âmbito da Operação Lava-Jato. Foi presa com ampla cobertura da mídia, sua imagem exposta à execração pública em todos os telejornais de norte a sul do país. A acusação: ter ajudado o tesoureiro petista na lavagem de dinheiro usado em campanhas eleitorais. A prova: imagem de vídeo que a mostrava numa fila de caixa eletrônico "depositando" dinheiro "frio" para o cunhado. Em 15/04/2015, a Policia Federal, por determinação do juiz de Curitiba, fez operação de busca e apreensão no apartamento que ela residia, com área útil de 30 m2, na Bela Vista, distrito da Consolação, centro de São Paulo. Apesar do estardalhaço, nada encontrou.

A cunhada do petista é Marice Lima. Foi solta uma semana depois, quando o juiz Sérgio Moro descobriu que não era ela que aparecia no vídeo na fila do caixa eletrônico, mas a sua irmã, a mulher do tesoureiro do PT, e que os depósitos no valor máximo de R$ 1.000,00 eram de de recursos pessoais fruto de salários. Parece mentira, mas não é. É uma história real.

O banqueiro tucano foi acusado, com provas objetivas entregues ao MPF, por investigados na operação conduzida pelo juiz Sérgio Moro, de ter lavado R$ 34 milhões (a valores atuais), recebidos ilegalmente na Suíça por ele, em conta pessoal, para a campanha eleitoral de José Serra, candidato a presidente pelo PSDB, em 2010.

O banqueiro tucano foi preso?

O banqueiro tucano foi convidado (sic) a depor em Curitiba?

O banqueiro tucano teve seu apartamento no Leblon, de 750 m2 de área útil, vasculhado pela 
Polícia Federal?

Não. Não. Não.

Por quê?

Porque é do "andar de cima" da sociedade. Porque é político tucano. Porque é um cidadão sobre o qual não se pode suspeitar.

Uma das lições da Operação Lava Jato ao país é mostrar, demonstrar, reafirmar, como ricos, ou muito ricos, ou defensores dos muito ricos - em particular, os tucanos - são tratados pela justiça neste país. O faz com competência.

Um comentário :

  1. COMO PODE UM JUIZ DE 1ª INSTÂNCIA COMETER TAL ABSURDO E CONTINUAR JULGANDO, INCÓLUME?
    ISSO É LA JUSTIÇA?
    NÃO... NÃO É JUSTIÇA NEM AQUI, NEM NA CHINA!

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