terça-feira, 24 de janeiro de 2017

Jurista Heleno Torres se agarra ao saco de Temer para disputar vaga no STF com fascista da Opus Dei

Luis Felipe Miguel
O Supremo que a nomeação de Gandra projeta, com um forte setor de direitistas ideológicos com mentalidade medieval, é uma porta aberta para as trevas.
Heleno Torres foi um dos muitos juristas de renome que se colocaram contra o impeachment ilegal da presidente Dilma Rousseff.

Agora, com seu nome aparecendo nas bolsas de apostas para o STF, dedica-se a puxar o saco do usurpador. Sobre Temer disse que é o "melhor presidente" que o Brasil poderia ter e arrematou: "Não conheço pessoa mais elegante e equilibrada". (Se isso fosse verdade, deveríamos concluir que ele conhece pouquíssimas pessoas.)

Esse é um dos aspectos mais constrangedores do processo de nomeação de ministros do Supremo: o concurso de adulação em público que os "candidatos" à vaga fazem para mostrar ao ocupante da presidência que estão de seu lado. Num país sério, essa falta de compostura bastaria para demonstrar que não são adequados para o cargo.

As especulações que leio nos jornais dizem que as chances de Heleno são minguantes. Não porque alguém se incomodou com a bajulação, mas porque não perdoam sua posição anterior contrária ao golpe. O favorito seria Ives Gandra, que não precisa se expor em público porque suas ações falam por si (e o pai, o decano do direito de direita no Brasil, tem acesso pessoal direto a Temer).

Gandra é vinculado aos setores mais reacionários da Igreja Católica - podemos esperar, portanto, uma oposição feroz aos direitos das mulheres, de gays, lésbicas e travestis, da população negra. E é declaradamente o inimigo nº 1 dos direitos dos trabalhadores. No Tribunal Superior do Trabalho, que hoje preside, deixou claro que é a favor da completa lei da selva nas relações trabalhistas.

Está em jogo muito mais do que o futuro da Lava Jato. O Supremo que temos hoje, um Supremo de covardes e acanalhados, não é capaz de defender a democracia ou a Constituição, mas pode garantir vitórias aqui e ali, como ocorreu com as cotas raciais no ensino superior, com a ampliação dos permissivos para o aborto legal ou com o casamento igualitário. O Supremo que a nomeação de Gandra projeta, com um forte setor de direitistas ideológicos com mentalidade medieval, é uma porta aberta para as trevas.

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